Fomos assaltados: pormenores do assaltoPor Alcídio Torres
Montijo

Por Jornal Rostos
Já pensaram, o que significa irmos de férias entregarmos a casa a uma pessoa para cuidar dela e depois de regressarmos sermos confrontados com a venda de parte da mobília e de haveres, e mais grave ainda, sermos aldrabados por quem nos deviam falar verdade? Quando os confrontámos com a existência de menos dinheiro do que havíamos deixado e com a venda de património dizem-nos que isso ou é pura ilusão de óptica ou boatos dos próprios vizinhos.
Vejamos então como deixámos a casa quando fomos de férias e como a recebemos quando regressámos.
Antes de partirmos, apesar de não vivermos bem, tínhamos uma situação financeira que nos permitia ir de férias. A nossa dívida estava controlada e os juros iam sendo pagos.
Quando regressámos, somos confrontados com um corte nos salários, nas pensões e com o aumento de impostos em nome do serviço que nos prestaram. Desde que, em 2011, nos tomaram conta da casa já nos levaram, em cortes e aumento de impostos, 28.247€ (total da austeridade imposta).
Dizem-nos que este dinheiro foi para pagar dívidas e reduzir o défice. MENTIRA. Enquanto estivemos fora, os défices acumulados ultrapassaram o que nos cortaram nos salários e nos levaram em impostos. Esse valor atinge os 34.646,2 milhões de euros (mais que o valor da austeridade imposta).
Enquanto estivemos fora, nos últimos anos, a dívida pública aumentou 51 mil 173 milhões de euros (quase o dobro da austeridade imposta).
Ou seja, os 28.247 que nos levaram em cortes e impostos só deram para parar os juros aos credores no valor de 28.528,8 milhões de euros (TODA A AUSTERIDADE IMPOSTA FOI APENAS PARA PAGAR JUROS).
Como é possível termos confiado a nossa casa a alguém que acabou por utilizar o nosso dinheiro para pagar juros a credores, deixando-nos uma dívida maior e um défice que era quase igual ao que tínhamos deixado se não nos tivessem vendido as mobílias e o carro para pagar parte do défice?
Ou seja, no ano em que regressámos (2014) o défice seria de 8,4% do PIB (sem medidas extraordinárias, o que quer dizer sem a venda das mobílias e do carro) e não de 4% do PIB.
Soubemos, entretanto, que esta gestão permitiu que gente com dinheiro ficasse ainda mais rica, enquanto a nossa família ficou desempregada, mais endividada, mais pobre.
Em quatro anos ficámos sem mobília e sem carro, sofremos uma redução nos salários e nas pensões, aumentaram-nos a dívida, puseram-nos no desemprego e, como se não bastasse, obrigaram-nos a procurar o estrangeiro para arranjar trabalho. Depois de tudo isto, pedem-nos para continuarem lá em casa, garantindo-nos que vão cuidar tão bem do nosso património como até aqui. CASA ROUBADA TRANCAS À PORTA.
No dia 25 de Maio, depois de contados os votos, vamos içar uma bandeira na varanda a dizer: “Esta casa ainda é minha”. Agora, só quero que me devolvam as mobílias, o carro, o dinheiro roubado e a dignidade.
NOTA: Os dados referidos no artigo são fidedignos e têm como fonte os Relatórios do Orçamento de Estado de 2011, 2012 e 2014.
Ao entregarmos a casa a quem prometeu tratar bem dela, somos responsáveis por tudo quanto nos roubaram. Ao contrário do que diz Marques Mendes, isto não foi um “assalto à mão armada”. Eles enganaram-nos pacificamente, dizendo que iam fazer uma coisa e fizeram outra, sem precisar de nos assaltar e, muito menos, com qualquer arma.
Alcídio Torres
Deputado municipal














