O voto, a política e «o manto diáfono da fantasia que esconde a nudez forte da verdade»Por Armindo Fernandes
Barreiro

Por Jornal Rostos
Ouve-se muitas vezes o cidadão comum parafrasear: - “Eu não sou político ou, simplesmente, nada tenho a ver com a política…” e ainda “..Os políticos são todos iguais…”. Puro engano, nem todos defendem os mesmos objectivos, uns servem politicamente, com honestidade o povo que os elegeu (servem a política) outros defendem interesses instalados, apoiados por grandes grupos económicos e financeiros (servem-se da política).
Nas opções, nas atitudes ou actos que praticamos, na nossa vida activa, familiar ou de âmbito social, a política está presente. Política de Educação quando se trata dos nossos filhos ou da relação que temos com os estabelecimentos de ensino e de aprendizagem. Política de Trabalho ou segurança social, quando nas empresas, nos sindicatos e até na rua nos manifestamos em defesa dos nossos direitos. Política económica e financeira, enquanto consumidores e na gestão dos parcos (ou não) rendimentos que temos ao nosso dispor. TODOS SOMOS UMA PEÇA NO XADREZ DA POLÌTICA.
Essa ideia de afastar o cidadão da prática de cidadania, quanto à sua participação na vida política activa na Sociedade em que está inserido, vem dos tempos da ditadura. Se bem nos lembramos (é bom que não caia no esquecimento), nesse tempo a informação era escassa, censurada e o analfabetismo era um mal que atingia mais pessoas que, algum dia a GRIPE A (vírus H1N1) venha a afectar.
Hoje todos têm escola e a informação ainda que, por vezes distorcida, eivada de meias verdades, a dita sem contradita ou plena da presença de políticos e comentadores que são hábeis na utilização do tal “Manto diáfano que esconde a verdade”.
A observação atenta é fundamental para que, na hora de decidir em que votar, a cruzinha seja colocada no quadradinho certo, com a consciência de que o fazemos pensando que, ao fazê-lo, optámos pelo bem da sociedade de que fazemos parte, tendo em conta o presente e o futuro.
O VOTO não é a arma do Povo, como nos tentam fazer crer. A participação na prática da cidadania, o conhecimento, o sentimento e a memória é que são de facto as armas mais eficazes.
O voto não é para ser usado como se de um campeonato ou de um concurso se trate. É comum ouvirmos as palavras ou frases: - “Vencemos” “Queremos o 1º lugar…), “O 3º lugar já era uma vitória…” etc. , pois bem, esta é também uma forma de iludir e exaltar de forma errónea, mas calculada, a decisão do cidadão comum.
Como se tem verificado, os debates políticos em que participam os representantes dos partidos políticos, passíveis de serem Governo da Nação, são mornos, pouca informação nos trazem e revelam, quanto a políticas de fundo, tais como Sociais, Fiscais, Laborais e quanto à relação com os poderes económico e financeiro, que por serem tão iguais, usam de forma implacável o tal “Manto Diáfano da Fantasia que cobre a Nudez Forte da Verdade”..(Dedicatória do monumento sito no Largo Barão de Quintela, ao Chiado).
Na perspectiva de continuarem a ser “Os ÚNICOS” insistem em conotar as eleições como se de um jogo se tratasse e o objectivo fosse a classificação final, com a taça e o prémio de participação na final a ser entregue com pompa e circunstância. Ser 1º ou 2º é o objectivo primário, ter em conta o país real é objecto secundário. Para isso contam com o apoio de “Grandes Famílias Grandes Empresas” (Edições D. Quixote), agora dos ditos ”MERCADOS” e das agências de rating (governos sombra) que ditam regras e políticas a seguir, e como se de um jogo de Xadrez se trate, basta-lhes mudar umas pedras no tabuleiro do poder, manter o Rei, a Rainha e os Bispos, porque as Torres da resistência estão e são limitadas nas acções que o jogo de interesses impõe e, quanto aos Peões, os ditos jogam no pressuposto da memória curta e dos MEDOS da sujeição à Lei da Oferta e da Procura em que os peões são vistos e tratados como mercadoria negociável e descartável. Se muito protestarem, sacodem-se umas migalhas da toalha da abastança do Poder, com pequenas cedências aqui e ali. Receita é conhecida.
Podem pensar ou dizer, ele (EU) repete-se, mas as repetições activam a memória.
É nas palavras não ditas que escondem as intenções, alternando com a afirmação do alter-ego quanto a curriculum académico, revelam algumas diferenças quanto ao Investimento estrutural e necessário ao desenvolvimento e ao Futuro, mas que penso ter a ver com uma simples questão temporal, tendo em vista a captação de uns votozitos de quem não entende o país como um todo e naqueles que vêem na vizinha Espanha o inimigo secular. Porém o dito investimento tem de ser feito e os acordos cumpridos, resta só saber quem vai assinar a adjudicação.
“Manto diáfano” acoberta as intenções guardadas, dos que pretendem perpetuar o seu assento nas cadeiras do poder, ainda que para isso usem a retórica da mentira ou das falsas promessas. Portugal não é um país pobre como nos querem fazer crer, tem sido mal governado, assim não seria se seguissem os exemplos da maioria dos autarcas que estão próximos do povo. Mas atenção, entre a dita-mole e a dita-dura a distância é curta e os saudosistas e seguidores, ainda “sonham” mandar neste jardim à beira mar plantado no extremo ocidental da “Jangada de Pedra”, ainda que já não haja qualquer hipótese de voltarmos ao tempo dos “Homens que nunca foram meninos”.
Somos o país (com fronteiras definidas) mais antigo da Europa, com uma área de exploração marítima maior que a “nossa” Europa, MAR que o governos recentes (ARCO) deste país votaram ao quase abandono, não cuidando da indústria das pescas e dos transportes marítimos, bem como na construção naval e não só. Há quem diga que não, mas há semelhanças na história. O “Velho do Restelo” vociferou, mas as viagens à Índia fizeram-se e quando o “Príncipe Perfeito” , D. João que seria o Segundo, disse, ao ser designado Rei de Portugal e dos Algarves, “… O meu pai só me deixou as estradas e caminhos de Portugal para governar….”, via o futuro nesse presente menos bom e, no pouco tempo da sua governação (13 anos) tornou grande este pequeno país e abriu-lhe as portas do futuro.
Deixo- vos com o extrato de uma dissertação de um amigo (Fernando Tavares Marques) e uma recomendação.
BEM HAJA!
Mas há uma coisa de que podes ter a certeza:
Os mesmos que te infernizam a vida aqui,
continuarão a fazê-lo lá, com maior à vontade;
Os mesmos que te destruíram os sonhos,
que te mentiram, que te violentaram sem pudor,
continuarão, com uma imensa “lata”, a dizer que te estão a defender;
Os mesmos que te dizem que não há outro caminho,
continuarão, se os deixares, a conduzir-te à miséria;
Os mesmos que acarneiradamente cumprem as ordens “superiores”,
continuarão, se os deixares, a dizer aos teus filhos que emigrem;
Os mesmos que “deitam foguetes” pela partida dos que mandaram vir
continuarão, se os deixares, a oferecer-lhes a forma de voltarem;
No entanto …
se puseres lá quem aqui te defende,
se tiveres lá quem diga, com coragem, que Portugal existe,
se construíres aqui a força dessa tua razão,
dirás não à distância e a tua opinião
é a voz da coragem de um Povo que resiste.
É tempo de voltar a construir aquele País novo
Dia 25 vamos eleger os nossos deputados europeus, e nesse momento que vais fazer “ouvir” a tua voz e expressar a tua vontade, não deixes de o fazer.
Armindo Fernandes














