Primárias: Ler os Sinais dos tempos.Por Vasco Gonçalves
Setúbal

Por Jornal Rostos
Em política, os jogos de poder, o carreirismo partidário, as ambições e os protagonismos pessoais, além de desvirtuarem a essência desta, que é arte de servir a causa e coisa pública, agudizam, ainda mais, a descredibilização da classe política e a descrença no sistema político-partidário, traduzida nas elevadas taxas de abstenção eleitoral. Urge, portanto, proceder a uma reconciliação dos cidadãos com os partidos e com os políticos, que permita abrir os partidos à sociedade e aos seus contributos, e possibilite novas formas de envolvimento e de participação, transparentes, claras e alargadas. É o que procura fazer António José Seguro ao avançar com a ideia de realização de eleições primárias no seio do PS.
Esta proposta constitui o marco de mudança rumo a uma revolução na forma de relacionamento dos partidos e da classe política com a sociedade e no modo de conceber e exercer a política em Portugal. Uma revolução que permita uma participação e um envolvimento efectivos dos cidadãos nos grandes desígnios da vida pública e partidária, bem como a escolha dos candidatos mais competentes para o desempenho das funções e dos cargos políticos, o que o actual sistema eleitoral português nos nega. Em França as primárias permitiram que o PS francês, com apenas 150 mil militantes visse a participação nas suas eleições internas registar o voto de mais de 2,5 Milhões de Franceses. É por isso que proposta de Seguro para escolha de um candidato do PS a Primeiro-Ministro, sufragado em eleições primárias abertas à sociedade, constitui um passo pioneiro e muito importante nesse caminho de reconciliação da sociedade com os partidos, com a política e com a democracia.
As primárias honram à história e os princípios do PS, enquanto partido da democracia, do progresso, da modernidade, sendo, uma vez mais, pioneiro na adopção de soluções de participação democrática no sistema político português. Ao avançar com as primárias no PS, Seguro manifesta desapego pelo poder, em nome de uma democracia mais participada, de um sistema político mais aberto e transparente, onde os representantes dos cidadãos se sintam mais responsabilizados e legitimados no exercício da actividade política. Cabe-nos, agora, saber valorizar esta oportunidade, participando activamente nestas eleições primárias, e contribuindo, assim, para a definição do que queremos para o nosso futuro enquanto povo e enquanto país.
Perante uma crise, Seguro, ao contrário de outros, não vacilou, nem capitulou, nem jogou à defesa. Escolheu sem medo, o caminho mais difícil, recusando, uma vez mais, o facilitismo e o oportunismo. Afinal, dos fracos não reza a história e, além do mais, qualquer que seja o desfecho desta eleições, parte da razão estará inevitavelmente com aqueles que, como Seguro, souberem ler os sinais dos tempos e tiverem a coragem para lutar contra os lugares comuns e contra os poderes instalados.
Vasco Gonçalves
PS Setúbal














