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Quotidianos

A situação política actual do Partido SocialistaPor Miguel Rodrigues
Setúbal

Toda a essência das máquinas partidárias que as rodeia leva-nos a uma pura reflexão daquilo que pode ou não ser o melhor para o futuro. Esta é uma oportunidade para inovar que não pode ser desperdiçada e que deve por isso ser encarada com honestidade e cautela. Serão as primárias a resolução para o problema da participação na vida dos partidos políticos? O tempo nos dirá.

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A situação política actual do Partido Socialista Por Miguel Rodrigues Setúbal

Por Jornal Rostos

A situação política actual do Partido Socialista apresenta-se para um militante de base de forma bastante constrangedora. Independentemente da decisão que cada militante tome, com seu o livre pensamento, relativamente a quem deve liderar os destinos do maior partido da esquerda democrática, as suas convicções são condicionadas por questões de disputa do poder que se tornaram centrais e quase pessoais.

Afirmar uma posição convicta sobre um candidato interno é extremamente complexo. Existem vários pontos de vista, todos respeitáveis, daquilo que deve caracterizar quem todos os socialistas esperam que venha a ser o futuro primeiro-ministro de Portugal.

Neste cenário, é fundamental pautar a nossa actuação com responsabilidade e civismo. Acredito que esta é a única forma de preservar a imagem do PS e a sua credibilidade perante a sociedade civil. Ao longo das últimas semanas muitos são aqueles que decidiram radicalizar o discurso sem compreenderem que esta postura apenas prejudica a própria estrutura. A convicção pessoal de cada um deve ser totalmente respeitada pois a liberdade de opinião é uma riqueza que não pode ser posta em causa.

Acredito que as primárias que serão impostas representam uma das maiores reformas política, em Portugal, desde o 25 de Abril de 1974. Este é um processo que abre a porta da política aos cidadãos e os envolve nas decisões que afectam o seu futuro. Deste modo, não será apenas o “aparelho” a montar uma convenção, convidando cidadãos independentes ou simpatizantes, para simular uma abertura que na verdade não o é. Ao invés, estamos perante uma reforma estrutural, que permitirá a cada português decidir sobre os candidatos que desejam.

No limite, os sindicatos de voto serão erradicados e a democracia sairá tão reforçada quanto maior for a participação cívica.

Toda a essência das máquinas partidárias que as rodeia leva-nos a uma pura reflexão daquilo que pode ou não ser o melhor para o futuro. Esta é uma oportunidade para inovar que não pode ser desperdiçada e que deve por isso ser encarada com honestidade e cautela. Serão as primárias a resolução para o problema da participação na vida dos partidos políticos? O tempo nos dirá.

Miguel Rodrigues

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