O HERÓI CONVENIENTE[ Quem não tem cão, caça com leão ! ]
Por Armando Teixeira
Barreiro
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Por Jornal Rostos
Perdoe-se o novo aforismo, mas há muito que desapareceram os leões de bronze que guardavam o mausoléu do fundador Alfredo da Silva, onde está o epitáfio: “repousa junto da obra que criou e vela pela sua continuidade”.
O “abate” dos leões deve ter sido empreendido por alguns “experts” na área dos metais pesados. Armados da Tabela Periódica (sinal de I e D) negoceiam em tudo o que é ferro, cobre, chumbo, prata, ouro, ou as suas ligas (bronze no exemplo). Vidé o sucesso empresarial das lojas de compra de ouro (tantas ou mais que os Mac Donalds! ), que levam os anéis que restam à miséria envergonhada dos portugueses a quem o governo já tinha “cortado” os dedos – o desemprego desmembrou os 1,5 milhões que nele caíram! -
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Da continuidade do grande monopólio imperial se encarregaram outros pares da indústria e da finança, enquanto puderam lucrar em proveito próprio e do sistema. Os mais contemporâneos, tentando destruir a Revolução de Abril que pôs fim aos grandes grupos económicos familiares, destroçaram o grande complexo químico - industrial na fúria neoliberal dos finais do século XX – que se prolonga! – eliminando milhares de postos de trabalho, para desassossego da memória tumular.
É sabido que a tradição já não é o que era. Os descendentes do “benfeitor do Barreiro e benemérito da Pátria”, venderam aos amigos espanhóis as fábricas que restavam (com centenas de despedimentos!) depois de terem jurado que nunca delapidariam o património, por respeito à “obra do génio industrial”.
Curiosamente já o patrono tinha mandado destruir, nos anos 20 do século passado, a capela de St.ª Bárbara e os patrões seguintes apagaram do mapa barreirense o cemitério do mesmo nome onde só ficou o referido mausoléu. Nem uma lápide restou com o registo das centenas de defuntos trabalhadores que ajudaram a construir o império CUF. Assim se faz a história dos vencedores!
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Questionando os dinheiros públicos de suporte a iniciativas de louvor privado (a Baía do Tejo é uma empresa do foro da Parpública!) é necessário reflectir e contraditar a história oficial e as “louvaminhas” sobre o grande “capitão da indústria” e a sua herança histórica.
Atentemos nas seguintes transcrições :
- “ A celebrada vertente empreendedora, em que o espírito prático se impunha às convicções (hoje dir-se-ia pragmático!) cultivada com apoios políticos oportunistas – Alfredo da Silva foi deputado “franquista” na Monarquia, senador sidonista na República e procurador à Câmara Corporativa com Salazar – bem como a imagem paternalista do “bom patrão”, mitificada para se tornar exemplar no republicanismo conservador e emblemática no fascismo colonialista do Estado Novo, esboroam-se nos exemplos violentos de repressão feroz sobre os trabalhadores em luta, de autoritarismo implacável e na recusa do diálogo com os sindicatos, na gestão paternalista de braço dado com a exploração desenfreada “. [1]
- “ As comemorações e homenagens aos grandes senhores, foram sempre obras de perpétuos disfarces para desculpabilizar responsáveis por opressões, ocultar outros méritos e deixar para a posteridade a meia verdade que esconde contributos essenciais ao êxito alcançado”. [2]
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Apreciador da música de Leão (Rodrigo), ficarei todavia a ver a selecção do nosso (des)contentamento, se for a jogo. Ao menos no futebol os heróis são menos convenientes e os génios também perdem.
Armando Teixeira
[1] TEIXEIRA, Armando Sousa, A CUF no Barreiro, Realidades. Mitos e Contradições, Barreiro 2014.
[2] CARLÒ, Carlos Alberto de Jesus, ibidem.














