Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Círculo contra a violência domésticaRomper o Silêncio
Por Jorgete Teixeira
Barreiro

“Nos últimos 10 anos foram assassinadas 412 mulheres vítimas de violência doméstica e 411 foram vítimas de tentativa de assassinato. Até Junho de 2014 já foram assassinadas 16 mulheres.”

No dia 5 de Julho de 2014, pelas 11 horas, no Parque Catarina Eufémia em frente à estátua de Alfredo da Silva no Barreiro, a concelhia do Bloco de Esquerda do Barreiro promove a iniciativa “CÍRCULO CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – ROMPER O SILÊNCIO”.

4 min de leitura
Círculo contra a violência doméstica Romper o Silêncio Por Jorgete Teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos

“Nos últimos 10 anos foram assassinadas 412 mulheres vítimas de violência doméstica e 411 foram vítimas de tentativa de assassinato. Até Junho de 2014 já foram assassinadas 16 mulheres.”

Desengane-se quem pensa que estes crimes, que arrepiam pela brutalidade e pela frequência e também por uma certa complacência de que gozam os agressores, só acontecem em certos ambientes social e culturalmente desfavorecidos. Este é um fenómeno transversal a toda a sociedade, que não olha a idades, a classes sociais, a ideologias políticas ou religiões. São perpetrados no silêncio das habitações, calados pela vergonha das próprias vitimas, legitimados por séculos de uma ideologia machista que considerava que a mulher não tinha individualidade própria sendo pertença, primeiro do pai e depois do marido e que um correctivo, a tempo e horas, era o melhor para a manter submissa.
Infelizmente esta ideia permanece no nosso tempo, onde os homens ainda são educados para serem os machos dominantes, lidam mal com a rejeição e a recusa e tornam-se violentos quando alguém lhes diz que não. São criados para o sucesso em todos os campos e também no amor. Não é por acaso que grande parte dos crimes são praticados por ex-maridos, ex companheiros, ex-namorados.
Quando as mulheres tomam coragem e querem romper com a situação, inúmeros entraves se levantam entre eles a situação económica, a escassez de apoios eficazes e a incompreensão da própria família.
Apesar dos esforços feitos no sentido de defender a vítima, por várias organizações a esta causa dedicadas, nem sempre as mulheres, quando fazem queixa às autoridades, são bem recebidas. Há que ter em conta que as mentalidades não mudam de um dia para o outro e mesmo que inconscientemente, os agressores são desculpabilizados por um crime que ainda não é totalmente assumido pela nossa sociedade, como tal.
É necessário quebrar este ciclo, romper o silêncio, intervir e denunciar estes crimes que se passam na nossa cidade, no nosso bairro, na nossa família. Criar, nos tribunais, mecanismos de defesa das vítimas, recorrendo ao uso efectivo de pulseiras electrónicas pelos agressores, o que poucas vezes acontece, para impedir que uma mulher, mesmo depois de apresentar queixa às autoridades, ainda se encontre ao alcance do agressor e que muitas vezes acabe sendo morta.
É preciso que eduquemos os nossos filhos, rapazes e raparigas, de uma forma não sexista e que a Educação Sexual, nas nossas escolas, preste mais atenção à violência no namoro, porque às vezes é aí que começa a onda que se vai propagar mais tarde nas relações entre adultos.
Por fim é necessário que as próprias mulheres se valorizem cada vez mais e invistam na sua formação profissional e pessoal.
É urgente acordar para este flagelo que ceifa, todos os anos, tantas vidas e não podemos fazê-lo apenas em determinadas datas ou quando a noticia nos cai em cima através dos jornais ou da TV.
Não é difícil a indignação, mas depois tudo cai no esquecimento.
Até à próxima vítima.

No dia 5 de Julho de 2014, pelas 11 horas, no Parque Catarina Eufémia em frente à estátua de Alfredo da Silva no Barreiro, a concelhia do Bloco de Esquerda do Barreiro promove a iniciativa “CÍRCULO CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – ROMPER O SILÊNCIO”.
Não deixe de participar.
Jorgete Teixeira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção