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Quotidianos

O Gás Natural Liquefeito como combustível Marítimo do futuroPor Paulo Moreira
Barreiro

O GNL como combustível do futuro na alimentação de navios mercantes (e outros) abre uma janela de oportunidades para portos que, devido à sua posição geoestratégica e acessibilidades podem apresentar vantagens comparativas. Principalmente aqueles que agarrem a oportunidade e tenham a iniciativa de empreender enquanto o comboio ainda está parado na estação e que não se limitem a tentar apanhar a composição em andamento, como é nosso fado.
Portos nacionais como Sines e Leixões apresentam condições naturais e geográficas para poderem iniciar esta corrida. Mas para isso, é preciso visão estratégica!

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O Gás Natural Liquefeito como combustível Marítimo do futuro Por Paulo Moreira Barreiro

Por Jornal Rostos

A partir de 2015, o teor máximo permitido de enxofre nos combustíveis dos navios utilizados nas Áreas com Emissões Controladas (SOx Emission Control Areas – SECAS – Báltico, Mar do Norte e costas Leste e Oeste dos E.U.A.) vai operar uma revolução na indústria marítima tal como a conhecemos, para um nível em que os navios já não podem corresponder sem terem que optar por novas fontes de energia; GNL, um combustível destilado (Marine Gas Oil - MGO), ou usando a tecnologia de purificação com recurso a “scrubbers”. O GNL é, destas três opções, a que se revela mais prometedora porque é um dos combustíveis alternativos mais limpos para atender às futuras normas ambientais da International Maritime Organisation (IMO) a agência marítima especializada da ONU. Segundo as normas IMO 2015, as emissões de enxofre e de partículas serão reduzidas a quase zero e as emissões de óxido de nitrogénio uns 85-90 por cento até 2020. Esta conjuntura pode, portanto, ser um dos principais motores para impulsionar o GNL como combustível para navios. Isto será ainda mais verdadeiro quando o limite global de 0,5% de teor de enxofre dos combustíveis marítimos planeados para 2020 for implementado a nível mundial.

O GNL está actualmente disponível como bunker marítimo e fluvial nos portos WPCI de Antuérpia, Amesterdão, Roterdão, Zeebrugge e Estocolmo. Muitos outros portos WPCI estão planeando implementar o GNL como forma de abastecimento nos próximos anos. O número global de navios movidos a GNL ainda é limitado. Informações recentes mostram uma frota operacional de 47 embarcações movidas a GNL, com outras 48 confirmadas para entrega até ao final de 2018. Isto implica uma duplicação da frota ao longo do período 2013-2018!
Em 1 de julho deste ano, a World Ports Climate Initiative (WPCI) lançou uma iniciativa de formar um Grupo de Trabalho para Navios movidos a GNL sob os auspícios da International Association of Ports and Harbours (IAPH), que reúne as principais autoridades portuárias europeias e norte-americanas – Amsterdão, Roterdão, Antuérpia, Bremen/Bremerhaven, Hamburg, Le Havre, Los Angeles, Stockholm, Wilhelmshaven, Zeebrugge, entre outras.
Das AP’s aderentes a esta iniciativa, encontramos 3 espanholas – Gijón, Santander e Ferrol. Já os portos portugueses não marcam presença, isto quando a UE identificou na sua estratégia de transportes para 2020 um importante papel para o GNL e está promovendo o desenvolvimento de instalações de GNL por meio de subsídios. Numa altura em que se fala de investimentos estratégicos, no global, e da aposta na economia do Mar, em particular, é surpreendente que não se note qualquer tipo de atitude proactiva por parte das administrações portuárias nacionais, entregues a uma guerra de números com realce para os TEU movimentados, quando escamoteiam (alguns sabem disso) que ou estamos perante números que não depuram o peso das importações de bens nem desagregam as mercadorias por natureza, juntando granéis com maquinaria, refinados com produtos alimentares e, noutros casos, perante números inflacionados simplesmente pelo efeito do “double counting” nos portos onde o peso do transhipment apresenta uma enorme incidência.
O GNL como combustível do futuro na alimentação de navios mercantes (e outros) abre uma janela de oportunidades para portos que, devido à sua posição geoestratégica e acessibilidades podem apresentar vantagens comparativas. Principalmente aqueles que agarrem a oportunidade e tenham a iniciativa de empreender enquanto o comboio ainda está parado na estação e que não se limitem a tentar apanhar a composição em andamento, como é nosso fado.
Portos nacionais como Sines e Leixões apresentam condições naturais e geográficas para poderem iniciar esta corrida. Mas para isso, é preciso visão estratégica!

Paulo Moreira
Doutorando em Sustentabilidade Social e Ambiental, UAb

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