ALFREDO DA SILVAPor José Soares
Barreiro

Por Jornal Rostos
Comunicado da Comissão Concelhia do Barreiro do PCP
Tentei comentar o comunicado no seu todo,mas não consegui. Ainda saiu um comentário,com o número 1. O resto não passou. Penso que por erro meu, devido à extensão. Assim, e uma vez que o comunicado saiu de notícia, pensei em transformar o comentário em opinião.
Para que conste, não conheci Alfredo da Silva. O que sei dele ouvi-o em casa e não só. Mas o que ouvi em casa basta-me para poder afirmar que o mesmo era: Duro, Trabalhador e acima de tudo JUSTO, para além das características de empreendedor como agora se diz. Dos seus sucessores, não poderei dizer o mesmo. E não posso dizer porque falharam o seu legado: SE PORTUGAL NÃO TEM ,A CUF FABRICA. O lema deles mais me parece: “se Portugal não tem, por nós não vai ter”.
Quanto aos trabalhadores poderem não gostar de Alfredo da Silva, as razões poderão ser várias: Políticas, não progressão na carreira, os chefes embirram comigo e maus ordenados. Aliás, as queixas de há uns decénios para cá, a crer no que se vai lendo e ouvindo, não diferem muito. Mas uma coisa garante-me a experiência: Não poderiam ser muitos os descontentes, pois não há “império” construido contra a vontade da grande maioria. E este Sr. construiu um império.
Mas vamos ao comunicado:
1.º § - A homenagem é um insulto aos trabalhadores e ao povo do Barreiro. Por mim não me sinto insultado. Mas a questão não sou eu. A questão é: que trabalhadores se sentirão insultados? Aqueles que a seguir ao 25 de Abril se inscreveram no PCP, quiçá antevendo um “tacho” melhor do que o anterior? Ou, aqueles que a seguir ao 25 de Abril foram saneados na CUF e em outras empresas do País (alguns,poucos,exemplos:Lisnave, Siderurgia, Setenave,Diário de Notícias, BES, etc.) sob a acusação, por parte de “colegas de trabalho” (hoje já gasta), de fascistas e reaccionários? E que Povo se sente insultado? Aquele que vota no PCP ou, os demais cidadãos?
2.º§ - Esquecem que a CUF nasceu na Monarquia, cresceu na 1.ª República e 2.ª República e consolidou-se em especial a seguir à II GG. O contexto de então deverá ser salvaguardado para se fazerem acusações e comparações. É como acusar Sebastião de Carvalho e Melo de insensível por queimar os Távora. Era o que se fazia à época a traidores à Coroa em toda a Europa. Hoje parece o que parece, aviltante. Mas era a vida de então. Ajudou o regime “fascista” (não conheço, pelo que li, caso algum no regime fascista Italiano de um dirigente máximo do partido comunista ter a oportunidade de tirar ou concluir o curso de direito, sendo prisioneiro político) a condenar o povo português à guerra. Que guerra? A do Ultramar? Mas esta foi-nos movida por movimentos “independentistas” através de um pacto de agressão urdido pela ex-URSS! Lembram-se? aquela que era o “SOL” da Terra! E, olhem que eu nunca defendi o regime.
Ainda a propósito da guerra e da exploração de povos “indefesos”, lembro uma afirmação do então Presidente do Sudão, quando da visita a Angola por alturas da independência. Vendo o que estava feito, perguntou: “Quem fez isto?”, Agostinho Neto respondeu: “Foram os colonialistas!”´.” Ah sim, então mande-me 100.000 destes colonialistas”.
3.º§ - Instalou a PIDE e a GNR nas fábricas da CUF, no Barreiro,para reprimir quem ousasse levantar a voz. Não acredito que tivesse sido ele a ter a ideia, conhecendo-se as relações tensas entre ele e Salazar. Mas para o tema, pouco importa. O que importa é que o PCP tinha agentes infiltrados, ou seria o inverso? Havia trabalhadores presos após denúncias.Tive vizinhos presos. Dei por algumas reuniões em casa do Ti Marcelino, no sotão ao lado do meu. Eu dormia lá. Dos presos, a maior parte nunca mais tinha hipóteses de trabalhar na CUF. Mas alguns, voltavam e eram promovidos. Estranho. Sabem, eu sei do que falo. Tive uma família materna, com quem fui criado opositora ao regime. O meu avô era monárquico. Tive um tio preso duas vezes. Um outro, teve a carreira estragada na marinha. O meu pai, como não progredia nas fábricas do Barreriro, teve de emigrar com a família para Angola. Eram Comunistas. O meu pai, veio lá a falecer, ou deixaram-no morrer. Pelo menos a minha avó paterna, não se cansava de dizer “MATARAM O MEU FILHO”. O meu avô paterno, da UN, dizia-lhe que se calasse. Eu próprio, talvez por descender de comunistas, fui ameaçado duas vezes de prisão. Fui bater com os costados à Guiné, na tal guerra patrocinada pela URSS, por ser do Barreiro – como tantos outros – e talvez por ser perigoso.
Não me falem em repressão. Eu vivi o PREC. Sei de um indivíduo de origem Moçambicana, que quiz pôr os “fascistas” no Campo Pequeno e matá-los. Sei de prisões arbitrárias. Acusações: ”fascistas”, “reaças”, “contrarevolucionários” e “sabotagem económica”. Seja lá o que isto for, quando comparado com as greves dos portos portugueses em 2013 e das dos transportes públicos.
4.º§ - A homenagem tem carácter provocatório e merece o repúdio de quem viveu aquelas épocas. Mais os de agora que sofrem os efeitos de políticas de direita há 40 anos. Primeiro, não são 40 anos. Até 25 de Novembro “governaram” os comunistas do PCP. Segundo, a Constituição foi condicionada, e muito, por isso mesmo e pelos complexos de esquerda que então se viviam nos outros partidos.Terceiro, inferindo da conversa que a direita está consubstanciada no PSD e CDS, estes partidos sós ou em conjunto só governaram 19 anos.
5.º§ - Nacionalização e criação da Quimigal. Criação sobre o quê? Sobre escombros? Como é que esta poderia ser colocada ao serviço da economia nacional? Gostava que me explicassem.Posso ser eu a ver mal. Mas se a política do PCP tem sido a de afastar tudo e todos do Barreiro. Em 1998, quando se começava a preparar o EURO2004, sugeri o aproveitamento do complexo desportivo da Ex-CUF para atrair equipas para estágio e paralelamente a construção de uma unidade hoteleira. Até havia dinheiro. Alguém sabe do hotel? Sei de candidaturas à sua construção. Nem resposta tiveram. Querem um exemplo mais recente? Há uns meses a Baia Tejo promoveu um seminário, encontro, chamem-lhe o que quizerem, que trouxe governantes,banqueiros, empreendedores, etc. Queriam discutir as potencialidades do Barreiro. Não apareceu um autarca. Minto, apareceu um, que eu visse, presidente de uma junta de freguesia,mas inserido numa manifestação orquestrada., que passou o tempo a enxovalhar os participantes e os ouvintes. Agora, quando das cerimónias de homenagem a Alfredo da Silva, no último dia, com o ministro da economia a falar do porto de águas profundas (deep sea), que tanto dizem querer, não foi lá um autarca. Mas é assim que querem contribuir para a economia nacional? Vou ali e já venho.
Aproveitando a ideia das nacionalizações gostava de saber se sabem quanto custou a história da dita “reforma agrária” aos contribuintes? Não tenho ideia de quanto já se pagou. Mas sei que em Fevereiro/Março deste ano os processos abertos, nos virão a custar mais 260 milhões de euros. Mas que grande ajuda!
O PCP é amigo do Povo? Então lutem na AR para abolir a parceria que o Estado firmou com as concessionárias das auto-estradas e scuts (Brisa e Mota-Engil, não sei se mais). Esta parceria permite ou impõe (não sei bem) que a AT cobre as portagens em nome das concessionárias. As multas ou coimas podem ir até aos 1.000%. Estas recebem, não têm custos com a cobrança e os contribuintes pagam aos funcionários da AT. Qual a empresa que não gostaria de ter a AT a cobrar-lhe as dívidas de terceiros? Mesmo as de entidades públicas, Estado central e autarquias regionais e locais. Que grande Estado de direito que temos e como bem defende o cidadão. Olhem para estas “pequenas” coisas e deixem-se de tretas.
6.º e 7.º§s - Não consegui atingir esta da “reindustrialização”. Não que acredite piamente na mesma, mas não percebi. Se nada se faz ou diz, é uma miséria. Se se diz, é hipocrisia. Será que me conseguem dizer como obrigar alguém a investir? Têm algum plano estratégico a 20 anos que diga por onde deverá seguir o País? Como deve seguir? Com quem deve seguir? Que formação atinada deverá ser seguida? Uma defenida no Ministério da Educação, igual para todos (que possam controlar) ou uma outra regional, adequada ao tal plano? Tenho visto, da vossa parte poucas ideias construtivas. Ou não as têm, ou só mostram a alguns?
Este é o governo que mais postos de trabalho e empresas destruiu, fruto do tal pacto de agressão, firmado pelo PS acolitado pelos PSD e CDS. Não é totalmente mentira (esta é minha diferença em relação ao PCP, eu admito o bem e o mal da actuação do governo, mesmo que o apoie. O PCP, pelo contrário, nada vê de bom que os outros façam. Não me recordo de em 38 anos de democracia, terem aprovado um OE). No entanto, há algumas particularidades a acrescentar: As exportações não têm sido melhores por causa de greves nos portos. Algumas empresas terão fechado, devido às constantes quebras de produção e, consequentes falhas de contratos, provocadas por greves nos transportes públicos. Que o chefe da GCTP promove em acordo com as decisões desestabilizadoras do PCP. Estas greves provocam alguns efeitos: 1.º, aos que se voluntariam alguma satisfação; 2.º, aos outros, não voluntários, mas que receiam os olhares enviezados ou mesmo perseguição de chefes e colegas alguns cortes no consumo, pois o ordenado no fim do mês vem mais curto. À economia nacional provoca um desastre. Horas perdidas, produção não realizada, doentes sem médico, filas de trânsito infindáveis, aumento do consumo de petróleo, julgamentos não realizados, às empresas públicas e similares o aumento do passivo. Mas isto nunca preocupou a CGTP e muito menos o PCP. O que os preocupa é o facto de o desemprego baixar. Muito por causa da emigração da geração “mais qualificada”. Para este PCP e outros semelhantes, o ideal era: que ninguém emigrasse para que a taxa de desemprego fosse alta. Quanto pior melhor é o seu lema.
Já me esquecia, não foi este governo que destruiu mais postos de trabalho. Entre 2008 e 2011 destruiram-se cerca de 300.000 postos de trabalho. Até Setembro de 2013 outro tanto. Estamos empatados.
8.º§ - Este último parágrafo é a cereja em cima do bolo. Se os 7 anteriores procuram, na minha opinião, destruir um trabalho de apaziguamento do Presidente da Câmara, com os barreirenses ao longo dos seus mandatos, este último, destrói o PCP. Porquê? Vejamos, o PCP defende “uma alternativa patriótica e de esquerda, afirmação da democracia e soberania”. O Sr. Jerónimo de Sousa quando das eleições para o PE deslocou-se ao Barreiro. Do que ouvi, defendeu a tal alternativa de esquerda e patriótica tal como nos cartazes durante 2013. Eu pergunto? Que esquerda? O que é isso de esquerda? A que arruina a economia com greves? A que leva os trabalhadores a pôr em causa o seu trabalho? A que esquece os desempregados?A que faz propostas que sabe não serem realizáveis (como a do aumento do SMN para 535,00€ quando os 500,00 € já são dificeis –não, que eu não concorde.Sou defensor de salários justos e mais altos. Mas isto é demagogia pura.) Agora o “patriótica”; mas, isto é de um partido que se diz Marxista? Esquecem o manifesto Comunista de Marx? Este dizia que os trabalhadores não tinham Pátria. Em que ficamos? O resto;afirmação de soberania. Mas se não temos Pátria, de acordo com Marx, para quê soberania? Em relação a quê e a quem?E por último a afirmação de democracia. Mas quem é que impediu o MRPP (do educador do Povo, Arnaldo de Matos) e o PDC ( do capitão de Abril, Sanches Osório) de concorrer às primeiras eleições “democráticas” pós-25 de Abril?
Para terminar, que isto já vai longo, começo como comecei. A falar de Alfredo da Silva. Já muitos comentadores disseram o que ele fez. Concordo. Mas falta uma última afirmação:
ALFREDO DA SILVA FOI QUEM FEZ O BARREIRO. NÃO FORA A CUF O QUE SERIA DO BARREIRO?!
José Soares
11/07/2014














