A ÚLTIMA SONDAGEMPor Hélio Bernardo Lopes
Barreiro
Um dado é hoje certo e já para praticamente todos: o PS pôs-se a semear ventos e já está a ser atingido pela mais que espertada tempestade. Se a isto juntarmos que o PS não mais voltará a conseguir uma maioria absoluta e que acabará por coligar-se com o PSD (se este o quiser, claro), percebe-se a cabalíssima inutilidade desta guerrinha civil suicida.

Por Jornal Rostos
Dentro do que consegui reter em matéria de sondagens desde as eleições recentes para deputados ao Parlamento Europeu, chegaram-me três sondagens: a da noite eleitoral; uma logo uns dias depois, quase não referida pela grande comunicação social; e esta mais recente. Simplesmente, estas medidas assim conseguidas merecem pouca credibilidade. Procurarei explicar aqui as causas deste meu ponto de vista.
Em primeiro lugar, as mais diversas sondagens que foram tendo lugar desde que António José Seguro passou a liderar o PS foram sempre mostrando esta dupla realidade: o PS foi sempre subindo, embora pouco, até aos trinta e sete pontos percentuais, ao passo que o PSD e o CDS/PP foram decrescendo, com o primeiro a distanciar-se do PS em cerca de sete pontos.
Em segundo lugar, todos os dirigentes do PS se uniram ao redor da medida surgida nas eleições autárquicas, reconhecendo terem as mesmas fornecido o pior resultado de sempre do PSD e o melhor do PS. Portanto, António José Seguro, nunca conseguindo colocar o PS acima dos trinta e sete pontos percentuais, não constituía um problema de falta de credibilidade eleitoral para o seu partido.
Em terceiro lugar, e como muito bem se conhece, as eleições de eurodeputados não constituem uma medida credível a níveis diversos: porque os portugueses vêem hoje a União Europeia da pior maneira; porque nunca verdadeiramente se interessaram por ela, e muito menos pelo euro; porque a desgraça europeia está à vista, percebendo-se que veio para ficar; porque se percebe hoje que já não somos um Estado completamente independente; porque a política e a democracia perderam muito do valor que lhes era atribuído; e porque aos portugueses foi faltando a garantia do PS – dirigentes ou ex-dirigentes – sobre a reposição do essencial e humano Estado Social que o próprio partido pusera de pé, sempre com o apoio do PCP, Verdes e outros partidos da esquerda.
Em quarto lugar, a evidência conceptual mostra que os beneficiários da atual política sempre iriam votar, o mesmo tendo uma probabilidade muito elevada de não ter lugar com o eleitorado do PS ou das franjas cansadas desta política, mas oriundas do PSD ou do CDS/PP. Além do mais, tratava-se de eleições fora de uma vivência capaz dos portugueses, que nunca se interessaram pela questão europeia. A Europa só valeu porque (e enquanto) deu dinheiro.
Em quinto lugar, e por tudo o que antes se referiu, a sondagem surgida na noite das europeias – o PS com cerca de três pontos percentuais acima do PSD – reflete o desinteresse dos cidadãos em face do que estava ali em jogo. A resposta dada para as eleições para deputados constitui uma extrapolação, operada psicologicamente, mas de um modo inconsciente. Reflete, isso sim, o cansaço com a política, a descrença na democracia e a perceção de que um futuro melhor não virá aí. Como se está a ver. E agora de que modo!...
Em sexto lugar, cerca de uma semana e pouco depois das europeias surgiu uma nova sondagem, com o PS com uma estimativa similar à da noite eleitoral, mas com o PSD já com a distância face ao PS que apresentava antes das eleições. Esta sondagem foi referida uma só vez, mas nunca mais se voltou a dela falar. Foi como se nada tivesse existido, o que é deveras significativo...
Em sétimo lugar, a mais recente sondagem, já com o PS com mais cinco pontos percentuais que o PSD. Já não três, como na noite eleitoral, mas cinco. É verdade que PSD e CDS/PP somam mais que o PS, mas essa soma anda pela zona dos trinta e seis por cento, ou um pouco mais, o que significa que com o MPT, o Bloco de Esquerda e o Livre, o PS já pode apresentar um novo Governo. Quem não pode fazê-lo com essas estimativas é a atual coligação, apenas com cerca de trinta e seis pontos percentuais.
E, em oitavo lugar, este mais recente resultado traduz um problema mal formulado, dado que a resposta à pergunta sobre se vota PS se vê dificultada, mesmo dissuadida, pelo facto de se ter criado a guerrinha civil que lavra no interior do PS, depois deste partido ter conseguido duas vitórias consecutivas, em face da garantia de uma terceira e com a certeza de que o PS nunca voltará a conseguir uma nova maioria absoluta. Outra será a situação após se resolver esta guerrinha, embora sempre sem maioria absoluta.
Durante décadas os portugueses viveram a vida política sob uma perspetiva fortemente clubista, mas hoje, perante o desemprego, a pobreza, a miséria, a emigração e os cortes – eram provisórios mas são já hoje definitivos –, os portugueses o que querem ouvir aos políticos é a garantia honrosa de que lhes será devolvido o que, injusta e ilegitimamente, lhes foi tirado. Até porque, afinal, quem acusava os portugueses de terem vivido acima das suas possibilidades é que criou os problemas que aí estão de novo. E sempre sem condenações adequadas, como se tem visto nos Estados mais civilizados.
De resto, o estado a que chegou o País e a generalidade de todos nós prende-se também com o modo saltitão que uma miríade de jornalistas, analistas e comentadores vai utilizando nas suas intervenções. Nalguns casos, já com passado de opções políticas conhecido, tais saltadelas chegam a atingir uma consciência que esteja minimamente atenta e se suporte em boa formação moral. É uma vergonha!
Um dado é hoje certo e já para praticamente todos: o PS pôs-se a semear ventos e já está a ser atingido pela mais que espertada tempestade. Se a isto juntarmos que o PS não mais voltará a conseguir uma maioria absoluta e que acabará por coligar-se com o PSD (se este o quiser, claro), percebe-se a cabalíssima inutilidade desta guerrinha civil suicida. Ocorre-me, por vezes, a mirabolante ideia de que o PS queira evitar chegar ao poder. Se assim fosse, o seu atual caminho seria o melhor. Um tema bom para teorizadores da conspiração.
Em primeiro lugar, as mais diversas sondagens que foram tendo lugar desde que António José Seguro passou a liderar o PS foram sempre mostrando esta dupla realidade: o PS foi sempre subindo, embora pouco, até aos trinta e sete pontos percentuais, ao passo que o PSD e o CDS/PP foram decrescendo, com o primeiro a distanciar-se do PS em cerca de sete pontos.
Em segundo lugar, todos os dirigentes do PS se uniram ao redor da medida surgida nas eleições autárquicas, reconhecendo terem as mesmas fornecido o pior resultado de sempre do PSD e o melhor do PS. Portanto, António José Seguro, nunca conseguindo colocar o PS acima dos trinta e sete pontos percentuais, não constituía um problema de falta de credibilidade eleitoral para o seu partido.
Em terceiro lugar, e como muito bem se conhece, as eleições de eurodeputados não constituem uma medida credível a níveis diversos: porque os portugueses vêem hoje a União Europeia da pior maneira; porque nunca verdadeiramente se interessaram por ela, e muito menos pelo euro; porque a desgraça europeia está à vista, percebendo-se que veio para ficar; porque se percebe hoje que já não somos um Estado completamente independente; porque a política e a democracia perderam muito do valor que lhes era atribuído; e porque aos portugueses foi faltando a garantia do PS – dirigentes ou ex-dirigentes – sobre a reposição do essencial e humano Estado Social que o próprio partido pusera de pé, sempre com o apoio do PCP, Verdes e outros partidos da esquerda.
Em quarto lugar, a evidência conceptual mostra que os beneficiários da atual política sempre iriam votar, o mesmo tendo uma probabilidade muito elevada de não ter lugar com o eleitorado do PS ou das franjas cansadas desta política, mas oriundas do PSD ou do CDS/PP. Além do mais, tratava-se de eleições fora de uma vivência capaz dos portugueses, que nunca se interessaram pela questão europeia. A Europa só valeu porque (e enquanto) deu dinheiro.
Em quinto lugar, e por tudo o que antes se referiu, a sondagem surgida na noite das europeias – o PS com cerca de três pontos percentuais acima do PSD – reflete o desinteresse dos cidadãos em face do que estava ali em jogo. A resposta dada para as eleições para deputados constitui uma extrapolação, operada psicologicamente, mas de um modo inconsciente. Reflete, isso sim, o cansaço com a política, a descrença na democracia e a perceção de que um futuro melhor não virá aí. Como se está a ver. E agora de que modo!...
Em sexto lugar, cerca de uma semana e pouco depois das europeias surgiu uma nova sondagem, com o PS com uma estimativa similar à da noite eleitoral, mas com o PSD já com a distância face ao PS que apresentava antes das eleições. Esta sondagem foi referida uma só vez, mas nunca mais se voltou a dela falar. Foi como se nada tivesse existido, o que é deveras significativo...
Em sétimo lugar, a mais recente sondagem, já com o PS com mais cinco pontos percentuais que o PSD. Já não três, como na noite eleitoral, mas cinco. É verdade que PSD e CDS/PP somam mais que o PS, mas essa soma anda pela zona dos trinta e seis por cento, ou um pouco mais, o que significa que com o MPT, o Bloco de Esquerda e o Livre, o PS já pode apresentar um novo Governo. Quem não pode fazê-lo com essas estimativas é a atual coligação, apenas com cerca de trinta e seis pontos percentuais.
E, em oitavo lugar, este mais recente resultado traduz um problema mal formulado, dado que a resposta à pergunta sobre se vota PS se vê dificultada, mesmo dissuadida, pelo facto de se ter criado a guerrinha civil que lavra no interior do PS, depois deste partido ter conseguido duas vitórias consecutivas, em face da garantia de uma terceira e com a certeza de que o PS nunca voltará a conseguir uma nova maioria absoluta. Outra será a situação após se resolver esta guerrinha, embora sempre sem maioria absoluta.
Durante décadas os portugueses viveram a vida política sob uma perspetiva fortemente clubista, mas hoje, perante o desemprego, a pobreza, a miséria, a emigração e os cortes – eram provisórios mas são já hoje definitivos –, os portugueses o que querem ouvir aos políticos é a garantia honrosa de que lhes será devolvido o que, injusta e ilegitimamente, lhes foi tirado. Até porque, afinal, quem acusava os portugueses de terem vivido acima das suas possibilidades é que criou os problemas que aí estão de novo. E sempre sem condenações adequadas, como se tem visto nos Estados mais civilizados.
De resto, o estado a que chegou o País e a generalidade de todos nós prende-se também com o modo saltitão que uma miríade de jornalistas, analistas e comentadores vai utilizando nas suas intervenções. Nalguns casos, já com passado de opções políticas conhecido, tais saltadelas chegam a atingir uma consciência que esteja minimamente atenta e se suporte em boa formação moral. É uma vergonha!
Um dado é hoje certo e já para praticamente todos: o PS pôs-se a semear ventos e já está a ser atingido pela mais que espertada tempestade. Se a isto juntarmos que o PS não mais voltará a conseguir uma maioria absoluta e que acabará por coligar-se com o PSD (se este o quiser, claro), percebe-se a cabalíssima inutilidade desta guerrinha civil suicida. Ocorre-me, por vezes, a mirabolante ideia de que o PS queira evitar chegar ao poder. Se assim fosse, o seu atual caminho seria o melhor. Um tema bom para teorizadores da conspiração.














