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Quotidianos

DEMOCRACIA DE CONFIANÇAPor Maria Amélia Antunes
Montijo

A confiança entre representantes e representados desgastou-se. A desconfiança nos políticos pela falta de cumprimento das suas promessas, gerou o descrédito .Por isso, os constantes apelos à participação dos cidadãos na vida politica e pública estão a deixar de ser correspondidos pela simples razão de que o seu sentimento é de que estão entregues, cada vez mais, à sua sorte.

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DEMOCRACIA DE CONFIANÇA Por Maria Amélia Antunes Montijo

Por Jornal Rostos


"Evitar guerras é muito mais gratificante do que vencer mil batalhas"
Sun Tzu A Arte da Guerra

Os partidos políticos surgiram no Séc .XVIII, ganharam força no Séc.XIX e atingiram o seu apogeu no Séc.XX.
Organizaram-se e estruturam-se com o desenvolvimento económico e social ,com a luta de classes ,com a conquista de direitos sociais pelos trabalhadores ,na medida em que se construía o Estado providência ou Estado Social .Os partidos políticos foram e são os pilares do Estado de Direito Democrático ,os construtores e a sustentação da democracia moderna. A pureza ideológica ,a doutrina, a forma de fazer política ,o processo eleitoral interno, foi variando com as mudanças operadas na sociedade, com o progresso e o desenvolvimento da ciência e do conhecimento, com a luta dos povos por melhores condições de vida e de trabalho.
Nos últimos anos ,com o aumento das desigualdades sociais ,do desemprego ,da fome ,com a tomada de consciência generalizada para os problemas globais ,como os recursos energéticos ,as alterações climáticas a multiculturalidade ,a igualdade de direitos ,os partidos políticos não conseguiram intervir por forma a dar resposta para a resolução dos principais problemas que afectam as pessoas ,aparecendo hoje, como instituições fragilizadas, aos olhos dos cidadãos .É um facto iniludível que os partidos não conseguem mobilizar os cidadãos em geral para as suas causas e propostas .A crescente abstenção nos sucessivos actos eleitorais é disso prova bastante, sendo hoje a doença grave da democracia .Mas o desinteresse não se fica por aqui. As associações da sociedade civil deixaram de ter a relevância de outrora e autonomia para cumprir o seu papel de agentes sociais ,culturais ,desportivos e recreativos ,não conseguindo a participação generalizada dos seus associados ou angariar novos aderentes .Numa palavra ,deixaram de corresponder aos interesses dos seus associados em geral.
Com as transformações verificadas ocorreram mudanças na vida das pessoas, no trabalho ou na falta dele ,na família ,na aposentação, na escola ,na habitação ,no lazer,que puseram em causa a relação de confiança dos cidadãos nas suas instituições e associações representativas, enfraquecendo-as ,abrindo caminho para todo o tipo de oportunismo e aproveitamento ,pondo em risco a democracia.
A confiança entre representantes e representados desgastou-se. A desconfiança nos políticos pela falta de cumprimento das suas promessas, gerou o descrédito .Por isso, os constantes apelos à participação dos cidadãos na vida politica e pública estão a deixar de ser correspondidos pela simples razão de que o seu sentimento é de que estão entregues, cada vez mais, à sua sorte .Passaram a ser números a incluir nas estatísticas, como qualquer outro factor de produção, com vista a obter o máximo lucro.
O cerco às pessoas ,à sua dignidade, usando, de forma despudorada ,as palavras “mais justiça social e solidariedade ,igualdade de oportunidades, transparência e responsabilidade” ,quando, na prática, o que temos é o seu contrário, é bem revelador de que já vale tudo.
No Partido Socialista não nos deixemos cercar .Saibamos fazer a ruptura necessária para devolver à politica o que é da política ,aos negócios o que é dos negócios. Colocar a política no centro da acção partidária ,fazer com que os seus militantes e simpatizantes se orgulhem da sua participação, com a realização das eleições primárias.Colocar os cidadãos a discutir política e não recear a discussão para vencer a apatia cívica e política que se instalou .Credibilizar a política ,ganhar a confiança das pessoas ,prometer e cumprir, devolver-lhes a esperança no futuro ,sem sebastianismos ,sem oráculos de ocasião .
No Partido Socialista, avançamos juntos por um Portugal justo e com uma democracia de confiança.

Maria Amélia Antunes
Membro do Secretariado Nacional do PS
(Ex-presidente da câmara do montijo)

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