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Quotidianos

As elites e o poder políticoPor Vasco Gonçalves
Setúbal

Na política, mas particularmente no PS, enquanto partido de esquerda, democrático e republicano não pode haver lugar para príncipes nem para aristocratas que se deixem subjugar pelas elites, servindo os seus interesses.

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As elites e o poder político Por Vasco Gonçalves Setúbal

Por Jornal Rostos

A emancipação económica, social e cultural, registada nas últimas década do último milénio, e que se traduziu numa redução substancial das taxas e de alfabetização e num aumento da formação profissional e da qualificação superior das pessoas, foi, em grande medida, responsável pelo fenómeno de massificação das elites na sociedade. Elites que, adaptando-se aos sinais dos novos tempos, não deixaram, no entanto, de se fundar no elitismo clássico, procurando hoje, mais do nunca, servir os interesses pessoais e corporativistas, particularmente através de uma manipulação dos poderes mediáticos e políticos. Como consequência tem-se assistido a uma relativização do dito povo, apenas relembrado e considerado importante para fins oportunistas e imediatistas, mormente eleitorais.
As sociedades precisam de elites, mas de elites que sirvam e respeitem os valores, os princípios e as regras da democracia e do Estado de Direito, e que demonstrem desinteresse pessoal em prol do bem comum e colectivo. A ética e a solidariedade são, portanto, condições sine qua non para que esta premissa seja interiorizada positivamente, não se tornando, assim, subversiva e desvirtuada em nome de uma política do vale tudo. Por muito que o queiram contornar e escamotear, a verdade inexorável é que as elites encontram a sua a origem e a sua legitimação nas bases, ou seja no dito povo.
Na política, mas particularmente no PS, enquanto partido de esquerda, democrático e republicano não pode haver lugar para príncipes nem para aristocratas que se deixem subjugar pelas elites, servindo os seus interesses. Afinal, a essência da política é a arte de servir, não os interesses corporativistas e das classes elitistas, mas sim a causa pública, em prol do interesse e do bem comuns, particularmente dos que não pertencem a nenhuma elite.
Seguro foi, em 2009, o único deputado da bancada do PS, que fiel a si próprio e ás suas convicções, horando os princípios e os valores do socialismo democrático e republicano, votou a favor das proposta de combate ao enriquecimento ilícito e contra a lei do financiamento dos partidos. Porque foi ele o único? Evocando Sophia de Mello Breyner: “Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo” “Porque os outros são os túmulos caiados onde germina calada a podridão.” Os outros, os que se mascaram, os que calam, os que consentem, os que calculam, tudo em nome da defesa e da salvaguarda das “suas” elites. Por isso não passarão disso mesmo, outros.
Para desagrado e incómodo das elites, Seguro vai, diariamente, como sempre foi seu apanágio, contactando, ouvindo, conversando com o povo, afinal está entre os seus. Acto natural para alguém que apesar de político continua a olhar as pessoas olhos nos olhos, como sempre o fez. Com efeito, o poder mediático procura de todas as formas, em nome do sensacionalismo e do populismo, ocultar esta realidade, preferindo mostrar salas cheias, onde as elites, das mais diversas classes, desfilam e posam ao lado das elites do poder político, numa clara de tentativa de enamoramento, para dizer “presente” e “não se esqueçam de nós”, mas, apenas e só, porque e quando começa cheira a poder. E assim se vai mobilizando um país, julgando, convictamente que “com papas e bolos se vão engando os tolos”, entenda-se o povo.
Os outros podem reunir e mobilizar o apoio e a vontade das elites de todos os quadrantes da sociedade, mas nas primárias de 28 de Setembro é a vez do povo avançar, é a voz do povo que, seguro de si, mais vai ordenar.

Vasco Gonçalves
PS Setúbal

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