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Quotidianos

ANTÓNIO COSTA – UMA ESCOLHA RACIONALPor Ricardo Bernardes
Montijo

Trata-se apenas de, de forma racional, objetiva e desapaixonada, ver quem tem o perfil, o currículo e capacidade de mobilização necessária para cumprir melhor esta tarefa.

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ANTÓNIO COSTA – UMA ESCOLHA RACIONAL Por Ricardo Bernardes Montijo

Por Jornal Rostos

Quando António José Seguro assumiu a liderança do PS todos sabiam que não teria pela frente uma tarefa fácil: o resultado eleitoral das legislativas de 2011 foi dos piores de sempre, o “espectro” de José Sócrates pairava sobre o partido, com todas as contradições que a envolviam e a ligação ao Memorando com a Troika, que o novo secretário-geral pessoalmente não subscrevera, mas que fora negociado por um Executivo do mesmo partido, diminuía a margem para “descolar” do Governo e dificultava a tarefa da oposição.

É certo que a “aura” de opositor interno ao consolado de Sócrates – recorde-se que Seguro não só era visto há muito como possível candidato à liderança, como várias vezes fez questão de se demarcar do anterior secretário-geral, como aconteceu p. ex., quando criticou abertamente a então Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, ou aplaudiu o discurso de posse do Presidente da República em 2011, tido como um dos ataques mais violentos e evidentes ao Executivo de Sócrates – poderia ter sido uma mais-valia de Seguro para construir o «novo ciclo» a que se propôs, mas não é menos certo que desde cedo o novo líder socialista “não convenceu” a opinião pública, que descontente com a dureza da austeridade imposta pelo Governo da coligação de direita, não via no PS uma alternativa consistente.

O resultado das últimas eleições europeias, realizadas, como se sabe, a cerca de um ano das legislativas, mostrou-o claramente. Com efeito, apesar da direita coligada ter sido estrondosamente derrotada, a essa derrota não correspondeu uma vitória expressiva do PS, mas antes uma dispersão de votos pelos partidos à esquerda, fora do arco da governação. Quando comparado com os resultados igualmente escassos obtidos pelo PS em 1994 e que não impediram uma vitória folgada de Guterres um ano depois, este quadro mostrou-se preocupante para o Partido Socialista porque o contexto é diferente. É que, ao contrário do que aconteceu há vinte anos, Seguro jogou as “cartas todas” nestas eleições – apresentando compromissos de Governação, quando seria desnecessário fazê-lo nesta altura, realizando uma série de iniciativas de mobilização da sociedade civil e, sobretudo, colocando-se a si próprio uma fasquia elevada demais – e, por isso, depois delas o seu potencial de afirmação e crescimento ficou esgotado, tanto mais que as ligeiras melhorias na situação económica e o eleitoralismo próprio do período final das legislaturas, deixavam adivinhar tempos menos difíceis para o Governo.

Neste contexto, a busca de uma nova alternativa é natural para um Partido que pretende constituir uma alternativa consistente e almeja a resultados eleitorais que o permitam. Não se trata de depreciar o esforço e o trabalho feitos por Seguro – que são meritórios, apesar de não terem logrado os objetivos visados –, não se trata de avaliar qual destes protagonistas fez o percurso moralmente mais louvável, nem de procurar um «salvador sebastianista», predestinado a resolver todos os nossos problemas com uma «varinha de condão». Trata-se apenas de, de forma racional, objetiva e desapaixonada, ver quem tem o perfil, o currículo e capacidade de mobilização necessária para cumprir melhor esta tarefa.

António Costa é, neste momento, a pessoa mais bem colocada para o fazer. É por isso que acredito e espero que será o vencedor das primárias do próximo dia 28.

Ricardo Bernardes
Docente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Coordenador da JS do Montijo, Membro do Secretariado da Federação distrital de Setúbal da JS e da CPC do PS do Montijo

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