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Quotidianos

As primárias do PS e a enorme responsabilidade de António CostaPor Ricardo Bernardes
Montijo

Num quadro de grande descontentamento com as instituições e com os partidos, de afastamento dos eleitores em relação aos eleitos, milhares de pessoas – boa parte das quais sem qualquer ligação à vida política – optaram por inscrever-se numa eleição partidária e participaram ativamente na escolha do candidato do PS a primeiro-ministro.

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As primárias do PS e a enorme responsabilidade de António Costa Por Ricardo Bernardes Montijo

Por Jornal Rostos

As eleições primárias do PS do passado dia 28 podem não ter arrancado da forma mais natural e pacífica, mas foram um grande sucesso para o partido e para a democracia portuguesa.
Num quadro de grande descontentamento com as instituições e com os partidos, de afastamento dos eleitores em relação aos eleitos, milhares de pessoas – boa parte das quais sem qualquer ligação à vida política – optaram por inscrever-se numa eleição partidária e participaram ativamente na escolha do candidato do PS a primeiro-ministro.
O número total de inscritos como simpatizantes que efetivamente participaram na eleição e o resultado conhecido na passada noite de domingo, que se traduziu numa vitória altamente folgada do atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, não podem deixar de ter duas leituras.
A primeira é que o descontentamento das pessoas com os partidos não significa necessariamente um afastamento da democracia representativa. Ao contrário, estas eleições mostraram que é possível mobilizar a sociedade civil para a vida política e para os partidos, desde que estes revelem a abertura necessária para que as pessoas sintam que a sua participação pode ser um ato útil, que podem efetivamente ter voz.
A segunda é que António Costa tem na suas mãos a maior responsabilidade que possivelmente algum líder partidário teve desde o início da Democracia. Desejado há muito em vários setores da sociedade portuguesa e eleito de forma esmagadora, o candidato a primeiro-ministro do PS é o repositório de uma legitimidade política alargada e indiscutível e da esperança de milhares de cidadãos descontentes com o atual Governo, muitos dos quais não encontravam até agora no PS uma verdadeira alternativa.
Não poderá por certo fazer milagres, nem há salvadores providenciais. Mas é importante que tenha consciência, desde o início, que não tem margem para falhar no essencial que os cidadãos esperam de si.
No Montijo estas eleições revelaram igualmente a grande implantação de que o Partido Socialista goza na nossa comunidade, com mais de 900 eleitores inscritos e uma taxa de participação eleitoral que ultrapassou largamente os 70%.
Também aqui como no plano nacional, é necessário que o Partido não desperdice o capital de confiança que conquistou junto dos cidadãos. E acredito sinceramente que não desperdiçará.

Ricardo Bernardes
Docente Universitário, coordenador da JS do Montijo e membro do secretariado concelhio do PS de Montijo

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