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Pais infelizes, filhos felizes? - a reflectir na adolescênciapor Susana Jones
Barreiro

Fases más todos os casais passam, e ainda bem que passam, porque só quer dizer que a relação está em movimento e crescimento. A questão é quando estas “fases más” se eternizam ou já fazem parte, como se o casal se habituasse a ser infeliz, encontrando outros focos na vida para pensar, para não pensar no seu casal e o que se passa de facto.

3 min de leitura
Pais infelizes, filhos felizes? - a reflectir na adolescência por Susana Jones Barreiro

Por Jornal Rostos

Hoje queria partilhar convosco alguns pensamentos relacionados com os filhos adolescentes e seus pais.
1.
Como todos sabemos a adolescência é um momento importante e delicado da vida dos nossos filhos. O que nem todos sabemos é que os adolescentes em geral dão uma ideia de que não “querem saber” de certas coisas, “não ligam” ou “nem se apercebem”, porque estão muito entretidos com os seus amigos, namorados, facebooks, etc. Mas não é verdade! Principalmente se estivermos a falar da relação dos pais enquanto casal. Os pais fazem o seu melhor para manterem os filhos longe das suas discussões, fases de vida do casal, possíveis rupturas, falta de amor. No entanto, em termos emocionais, os jovens têm um "radar" muito activo (para não falar das crianças, mas hoje debruço-me sobre esta faixa etária), que faz com que pais infelizes criem grandes desarmonias no crescimento dos filhos.

O que os pais tentam fazer quando estão a passar uma “má fase” da sua relação conjugal? A maioria “anda com a vida para a frente”, ou seja, muitas vezes adiam a resolução daquele sofrimento, por diferentes razões. Fases más todos os casais passam, e ainda bem que passam, porque só quer dizer que a relação está em movimento e crescimento. A questão é quando estas “fases más” se eternizam ou já fazem parte, como se o casal se habituasse a ser infeliz, encontrando outros focos na vida para pensar, para não pensar no seu casal e o que se passa de facto.

O que o filho adolescente sente/faz? Sente o mal-estar, o sofrimento e muitas vezes, e isto é preocupante e traz muitos adolescentes à nossa consulta, “arranjam” um problema, ou seja, como que a intuírem este “não queremos pensar nisto” do conflito dos pais, inconscientemente encontram uma forma de serem eles o alvo da preocupação e um problema para os pais “pensarem” em vez de eles mesmos, numa tentativa de os distraírem. Este sentido de “sacrifício” dos adolescentes é muito típico, mas aqui fica encoberto pela negação destes pais enfrentarem os seus próprios problemas.

Assim, temos muitas vezes adolescentes inteligentes a ter más notas, metidos em "bebedeiras" que dão nas vistas (fazem questão de ser apanhados), à “bulha” com algum colega de forma violenta, a meterem-se em sarilhos diversos, etc.

Pais infelizes não fazem filhos felizes, mesmo que muitas vezes na nossa melhor intenção, digamos a nós mesmos “é o melhor pelos meus filhos”.

Pensemos que o casal deverá sempre tentar encontrar ou reencontrar o seu equilíbrio, juntos ou separados, a manutenção de sofrimentos muito grandes, de “não ditos” ou adiamentos de resolução de questões, são uma tensão calada que todos os membros da família vivem, principalmente os adolescentes que “querem saber” que se importam porque fizemos um bom trabalho a amá-los.

Susana Jones

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