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Quotidianos

ERROU!!Por Hélio Bernardo Lopes
Barreiro

Ninguém hoje pode duvidar de que a generalidade dos portugueses está pelas pontas dos seus maiores cabelos – excluo, naturalmente, os carecas – com a atual Maioria-Governo-Presidente.

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ERROU!! Por Hélio Bernardo Lopes Barreiro

Por Jornal Rostos

Foi enorme a graça que me assaltou quando tomei conhecimento de que Marcelo Rebelo de Sousa, num destes dias, salientou que nenhum dos partidos da atual Maioria pode dar nenhum passo que seja contra a coligação, porque aquele que o der é punido. Bom, caro leitor, fartei-me de rir e até comentei, no meio de abertas risadas com amigos meus, estas palavras de Marcelo.
Acontece que Marcelo até reconheceu, nessa sua intervenção, que a coligação não vive os seus melhores momentos – raramente aconteceu tal –, daí concluindo, algo imaginativamente, que os dois partidos estão condenados a coligarem-se. E logo concluiu que se o Governo estivesse com ideias promissoras para o futuro, já se tinha pronunciado.
Ora, esta última conclusão é inteiramente verdadeira, mas é fortemente incompatível com as duas anteriores, sobre que seria fortemente punido o partido que a deitasse ao tapete. É o que vou tentar mostrar de seguida.
Ninguém hoje pode duvidar de que a generalidade dos portugueses está pelas pontas dos seus maiores cabelos – excluo, naturalmente, os carecas – com a atual Maioria-Governo-Presidente. De facto, se aos portugueses fosse hoje concedida a oportunidade de escolher em novas eleições, presidenciais ou legislativas, cada um dos atuais protagonistas cimeiros da nossa réstia de soberania seguiria o avisado caminho de Durão Barroso. Poucos os apoiam nos dias que passam, o que nos é mostrado pelas mil e uma sondagens que vêm surgindo, mas também por quanto nos chega através das convivências correntes.
Por tudo isto, ninguém duvida duma expressiva vitória do PS de António Costa nas próximas eleições. Tal como terá lugar com o próximo candidato presidencial apoiado pelo PS e pelos partidos de esquerda. E, como já tive a oportunidade de dizer, eu escolheria hoje Boaventura Sousa Santos ou António Guterres, embora prefira o primeiro ao segundo.
Se o PS vier a concitar cerca de quarenta e cinco pontos percentuais, é expectável que o PSD e o CDS/P juntos se fiquem pelos trinta pontos. Com o decurso da posterior legislatura, PSD e CDS/PP virão a sofrer modificações. Porventura profundas, sendo que o resultado das eleições seguintes – e, como dizem Silva Peneda e Rui Moreira, essa legislatura deverá ir até ao fim – já só terá que ver com o que o Governo do PS de António Costa tenha conseguido operar. Nada terá que ver com irem agora os dois partidos a eleições juntos ou separados.
Por tudo isto, se eu estivesse numa plateia a ouvir Marcelo expor aquela sua teoria, logo lhe gritaria: errou!! Quem mais depressa se demarcar desta atual Maioria-Governo-Presidente mais ganha a médio prazo. Só não vêem os teimosos ou os que pensam de um modo mais taticista, mas que já não passa o crivo dos minimamente atentos. De molde que repito: errou!!

Hélio Bernardo Lopes

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