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Barreiro que modelo de futuro ?Por Eduardo Cabrita
Barreiro

O verdadeiro debate dos próximos anos, quer nas eleições legislativas que se aproximam quer no ciclo autárquico pós-Carlos Humberto que se abrirá a qualquer momento, é o de saber qual o papel que as diversas forças politicas, movimentos cívicos e barreirenses ativos pensam do papel que poderá o Barreiro desempenhar para aos que aqui residem ou trabalham, na região e no País.

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Barreiro que modelo de futuro ? Por Eduardo Cabrita Barreiro

Por Jornal Rostos

Os dados do INE dos últimos dias consagram o Barreiro ,apesar da significativa descaracterização e perda de potencial económico das ultimas décadas, como uma das mais dinâmicas cidades da área metropolitana de Lisboa e 13º polo urbano a nível nacional. Segundo um outro estudo a nossa cidade tem marcas de cosmopolitismo que não se restringem à vida cultural muito peculiar mas se manifestam em sinais como o de ser a cidade portuguesa com mais elevados índices de utilização dos transportes públicos.
O verdadeiro debate dos próximos anos, quer nas eleições legislativas que se aproximam quer no ciclo autárquico pós-Carlos Humberto que se abrirá a qualquer momento, é o de saber qual o papel que as diversas forças politicas, movimentos cívicos e barreirenses ativos pensam do papel que poderá o Barreiro desempenhar para aos que aqui residem ou trabalham, na região e no País.
A localização privilegiada defronte de Lisboa ,no centro do arco ribeirinho sul, tem sido o principal ativo estratégico ao longo dos séculos, desde o papel de área de suporte logístico nas descobertas e posterior navegação colonial até às decisões no século XIX de aqui localizar a ligação ferroviária de Lisboa ao Sul ou no início do século XX de aqui estabelecer o maior complexo industrial nacional.
A desativação da industria pesada no estuário do Tejo, a crescente suburbanização e a inqualificável opção de fazer a segunda travessia do Tejo no eixo Sacavém-Montijo retiraram ao Barreiro dinâmica económica, emprego, atratividade e centralidade regional.
A estratégia a implementar entre 2010 e 2028 no Arco Ribeirinho Sul, por iniciativa do anterior Governo do PS, devolvia centralidade ao Barreiro e associada a infraestruturas nacionais em desenvolvimento abriu um novo horizonte de esperança para os barreirenses. Daí que o abandono daquela agenda, aliada ao impacto local da profunda recessão dos últimos anos, tenham contribuído para um sentimento depressivo profundamente instalado entre os barreirenses.
É assim bem compreensível a reação entre o ceticismo e a busca de razoes para algum alento que tem rodeado o debate morno sobre o projeto de instalar no Barreiro um terminal de contentores em versão minimalista do projeto que Almada o ano passado vigorosamente rejeitou.
Não me pronuncio sobre as dimensões técnicas relativas às dragagens necessárias, às condicionantes logísticas ou à articulação com a capacidade instalada ou disponível nos portos de Lisboa ou de Setúbal.
Tenho uma angústia entre a compreensão pelos que após tanta frustração dizem que em matéria de investimento mais vale isto do que nada e a subordinação a funções menores que desvalorizem irreversivelmente a joia por lapidar que é a frente ribeirinha do Barreiro.
Infelizmente o risco de que nada aconteça com o atual Governo já em tempo de finados é muito elevada pelo que aproveitemos ao menos esta oportunidade para repor na nossa agenda coletiva o debate sobre o modelo de futuro que queremos para o Barreiro. Voltarei ao tema em breve neste espaço regular que gostosamente inicio no Rostos.

Eduardo Cabrita

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