Anarquia ou Sociedade a ReconstruirPor Henrique Silva
Barreiro

Por Jornal Rostos
Vive-se nestes tempos, na dimensao Global, contemplativamente, indolentemente, com demasiada reserva e docilidade, num corre-corre de acontecimentos perturbadores augurando a moribundez de uma sociedade latentemente em crise reclamando um enfoque “ renascentista”.
Para onde vamos, neste quotidiano Global cheio de incertezas e penosidades?
O Cidadao comum, mais além dos seus problemas quotidianos, tem de admitir que a sociedade, submetida a fenómenos situacionais absurdos e incompreensíveis, reclama mutaçoes Urgentes. Reclama a definiçao de um Modelo Novo, que solucione e altere para melhor, este contexto social em desordem. Em conclusao, trata-se de um desafio Mundial, que se devia pôr em Ordem desde a nossa própria e a do vizinho. Parece utópico ou descabelado, mas a estas alturas, mais vale ousar e arriscar que nao fazer nada e esperar o trabalho de alguma divinidade celeste ou de algum iluminado professista.
Fala-se de Ética, de Moral, de Estado, de Responsabilidade Social, de Justiça, de Ecologia, de Crescimento Humano, mas nada disso se observa.
As pessoas sente-se desvalorizadas, abandonadas, desmunidas, confundidas e sem norte.
Várias vezes através da história, a sociedade se vio envolvida em situaçoes realmente embaraçosas, pouco decorosas, exterminantes, brutalmente falhas de inteligência, sensatez e diálogo. Simplesmente porque quando o descontetamento é muito grande, aparecem os que ávidos de poder os levam contra a parede a energia da frustraçao.
Uma sociedade, deveria, em primeira instância reformar-se, estruturar-se introspetivamente, endógenamente, indiscutívelmente, desde as bases.
Parece que isso de impor decisoes desde cima, desde o alto da pirâmide, nao é o melhor sistema ou modelo a seguir. Desde cima, é uma sistemática malintencionada e deformada forma de impôr ideias que muitas vezes se transformam em alibis milagrosos em que ninguém acredita por falta de tangibilidade, seja de que polaridade seja. Sao condutas tao ostentatórias que acusam hipocresía pura, em relaçao aos demais. Esquece-se, pelo caminho, que os mandados sao aqueles que numéricamente representam a Maioria.
Há posiçoes decisórias que à partida, inconsultas, criam implicita e explicitamente uma diferença casual entre os que aspiram mandar, exercer ou representar o Poder e aqueles que sao mandados e executantes em primeira instância da Ordem imposta.
Esta circunstância, desboca num modelo de sociedade que, nos tempos mediáticos atuais, favorece a contestaçao permanente, como um Estado no Estado, de uma luta de classes excessiva e coesivamente atómica . Sem estruturas e códigos de entendimento mínimos e básicos, o “prédio” nao pode consolidar-se e menos levantar-se, pois a Injustiça e a incapacidade Gerencial surgem como os principais fatores veiculantes da ineficiência coletiva.
A falta de Educaçao, de Património cultural a nivel pessoal, passam a degradar a situaçao, dando lugar à Anarquia disfuncional de todos os pontos de vista, seja ela anarcoCapitalista, anarcoSindicalista ou anarcoSocialista.
E eis-nos envolvidos num “concerto” destruturado, desprovisto de um mínimo de filosofia moral, aquela que nos obrigava a ser honestos, respeituosos e cumpridores, uns com os outros, e que obrigava implicitamente, a sociedade a avançar, paulatina mas seguramente e em Paz e tranquilidade.
Sobrevivemos ilusos, finalmente entre Dois extremos. Ambos, maus conselheiros, que detêm o suporte do Caos, que nao dá oportunidade a uma terceira via, minimamente autocritica, integradora, responsável, avassaladora, reformista e progressista.
Sem condiçoes socialmente estruturantes e aglutinantes, nao há Economia que funcione, nem Trabalho, nem Saúde, nem Educaçao, nem Progresso. Convido a sociedade a reflexionar, a acreditar que pode e deve organizar-se desde as bases, desde as Juntas de Vizinhos, as comissoes de Bairros, desde organisaçoes mancomunadas, que procurem o debate social sadío, convivencial e humano, na harmonia de interesses, e tomas de consciência para que seja exigido o cumprimento estrito dos denominadores éticos e espirituais, Coletivos.
Devem encontrar-se compromissos férreos, entre a necessidade de Ordem pública e a Liberdade individual, positiva e empreendedora, de forma que ambas estruturas normativas, nao colidam anárquica, arrogante e parasitáriamente, entre elas.
A Convivência e a Comunicaçao devem ganhar-se a Pulso, se realmente há vontade de construir uma sociedade moderna, tangivelmente melhor para todos, e progressista na sua essência, no marco da jurisprudência Constitucional, da respeituosidade humana, da Consciência Coletiva, na admissao do livre pensamento, do conhecimento e da partilha.
Novembro, 2014
Henrique Silva.














