«O meu filho é o melhor do mundo»Por Susana Jones
Barreiro

Por Jornal Rostos
Chegam à nossa consulta muitos pais com dificuldade em ver os filhos maravilhosos que têm, às vezes, é como se não pudessem. Muitos pais, por razões muito profundas, refugiam-se nos rótulos que hoje em dia médicos, pedopsiquiatras e psicólogos lhes dão, “ é hiperactivo”, “tem défice de atenção”, etc.
Os rótulos traduzem muitas vezes os sintomas de que alguma coisa se está a passar a nível emocional e de que geram muitas vezes o sentimento de inevitabilidade, ou seja, de que já não há nada a fazer para mudar. Por outro lado, os rótulos escondem também muitas vezes o melhor lado dos nossos filhos, pois deixamos de ver a pessoa que é, reduzindo-o a "hiperativo" ou "terrorista da escola", esquecendo-nos de que é uma criança com as suas preferências, os seus gostos, as suas alegrias e as suas tristezas.
Como é óbvio não digo em todas as situações, mas na maior parte dos casos que nos chegam de família ou criança a questão que origina o “problema”, que leva aqueles pais à consulta é a dificuldade de demonstrar amor “em boa dose”, atenção, compreensão, tempo, ouvir, aceitar.
Por exemplo, (e volto a realçar que não são todos os casos, mas muitos têm esta origem semelhante que despoleta uma problemática), um miúdo que entra para a escola primária e apesar de ter competências de relação e afecto, sempre que é contrariado, pela professora ou colegas, reage com agressividade, batendo, fugindo, partindo, etc. Foi tido como um pequeno terror lá da sala.A agressividade era uma tentativa de disfarçar os medos e inseguranças. Este menino especificamente tinha “falta de pai”, ou seja, este menino precisava que o seu pai, com os seus problemas do dia a dia, mais as suas questões enquanto filho, fossem colocadas de lado ou pensadas de forma aprofundada, para permitir que este pai pudesse transmitir amor e protecção ao filho. Nesta idade os pais têm de ser os super heróis, e neste caso, o pai não era muito “forte”. Tinha pouca tolerância para o filho, rejeitava-o várias vezes (muitas vezes de forma inconsciente), não o promovia (és o maior), não faziam coisas de “rapazes” (só muito esporadicamente).
Neste caso, este pai mantinha uma infelicidade interna, que tentava não mudar, não criando situações novas na sua vida enquanto pai, trazendo sentimentos de frustração e mais infelicidade, apoiadas por “Eu faço tudo por ele, mato-me a trabalhar e já não sei o que fazer com ele. E na verdade ele nem quer estar comigo, chama sempre pela mãe”.
Felizmente com algum aconselhamento parental, conseguimos reabilitar a relação do pai com o seu filho, dando a oportunidade a este pai, de ser feliz enquanto pai. Encontrou prazer em fazer actividades com o seu filho exclusivas dos “rapazes”, já não tem “receio” de tomar conta dele, a mãe já não é a mulher e única cuidadora do filho, já consegue e pode sentir orgulho do filho que é seu e está a criar. O desempenho escolar melhorou, revelando até competências altas em algumas áreas e os seus comportamentos adequaram, já não precisa de “bater” em ninguém porque existe o pai forte que o protege dentro dele.
Se sentimos que algo não está bem, é “só” querer mudar e podemos mesmo mudar. Apesar de poder não ser o “melhor do mundo”, o nosso filho é em parte o nosso espelho e é maravilhoso.
Susana Jones














