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Quotidianos

UMA MANCHA EM EXPANSÃOPor Hélio Bernardo Lopes
Barreiro

Como referiu o Papa Francisco e com toda a objetividade – e como os portugueses conhecem bem tal realidade...–, os dirigentes políticos pretendem salvar este sistema onde o deus dinheiro está no centro e não a pessoa.

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UMA MANCHA EM EXPANSÃO Por Hélio Bernardo Lopes Barreiro

Por Jornal Rostos

De um modo que só mui raros porão em causa, a verdade é que a sociedade que se construiu, por cá e por todo o mundo, se encontra fortemente marcada pela prática da corrupção. Sendo um fenómeno de sempre, a tomada das rédeas do poder pelos grandes interesses, em detrimento dos poderes político e judicial, teria sempre de conduzir à atual imoralidade reinante na generalidade das sociedades nacionais.
Não admira, pois, a notícia ontem surgida na edição do The Wall Street Journal, segundo a qual o BES Miami estará a ser investigado por procuradores de Nova Iorque, acompanhados por um juiz federal e por um júri federal, por suspeitas de lavagem de dinheiro que poderá ter beneficiado um empresário venezuelano e com intervenções noutros Estados, incluindo a Líbia do assassinado Kadafi.
Pensam agora os investigadores norte-americanos que, perante as sanções aplicadas há três anos aos bancos líbios, os executivos do BES terão facilitado transferências bancárias, que tiraram dinheiro para fora da Líbia, mormente para as unidades do BES na Suíça e no Dubai. Veremos o que irá ser apurado, sendo evidente que as autoridades norte-americanas, por todas as razões, são incomensuravelmente mais eficazes que as nossas.
Neste sentido, teve António Marinho e Pinto a mais cabal razão, ao afirmar ontem que a prisão preventiva de José Sócrates não mancha a dignidade de todos os políticos, havendo mesmo alguns bem piores que não estão na cadeia. Tudo aponta para que assim seja, embora também para a existência de muito mais e muito pior que o que agora se indicia como tendo sido praticado pelo nosso antigo Primeiro-Ministro. Temos que esperar.
Mas a verdadeira razão desta mancha em expansão nas atuais sociedades foi a apontada pelo Papa Francisco na sua recente visita à Turquia: o deus dinheiro. Um falso deus – dinheiro – que já colocou o mundo numa III Guerra Mundial, de que o ISIS é apenas um dos exércitos que atualmente já luta na mesma. Uma guerra que decorre em pedaços, em capítulos e por todos os lugares.
Como referiu o Papa Francisco e com toda a objetividade – e como os portugueses conhecem bem tal realidade...–, os dirigentes políticos pretendem salvar este sistema onde o deus dinheiro está no centro e não a pessoa. Porque o que é central neste sistema (desumano e criminoso) é o terrível tráfico de armas, um dos negócios mais fortes da atualidade, com os conflitos a multiplicarem-se à custa das armas que são dadas.
Designando, com toda a razão, o tráfico de armas como um verdadeiro mistério, Francisco I veio agora dizer ao mundo que a Síria só tinha armas químicas porque houve quem as vendesse. Talvez os que, quando conveio, de pronto apontaram a Síria como seu possuidor. Uma passagem que logo me trouxe ao pensamento as obras da série Tintim, que Hergé nos deixou para todo o sempre.
Por fim, a vontade expressa pelo Papa Francisco de reunificar a Igreja Católica romana com as ortodoxas. Pretende agora Francisco I encontrar-se com o seu homólogo moscovita, o que tem vindo a ser dificultado pela guerra que o Ocidente tem vindo a alimentar contra a Rússia, que se pretendia que continuasse a consentir na sua submissão aos grandes interesses das multinacionais ocidentais.
A corrupção que hoje alastra por todo o mundo, em particular entre nós, deve-se à progressiva implantação do modelo neoliberal, onde só o deus dinheiro importa e onde as pessoas valem cada vez menos. Uma sociedade onde o poder político, apregoadamente democrático e representativo, só o é, de facto, dos detentores do dinheiro.

Hélio Bernardo Lopes

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