33 TESES PARA O BARREIROPor André Carapinha

Por Jornal Rostos
1 - O Barreiro é o nosso património.
2 - O Barreiro tem uma História. Todas as soluções para o Barreiro a sua História, e nascem, dela.
3 - O futuro do Barreiro é a cultura e o turismo.
4 - O futuro do Barreiro, havendo futuro no Barreiro, far-se-á a partir do melhor que tem o Barreiro.
5 - O melhor do Barreiro são os barreirenses.
6 - O Barreiro, no futuro, apenas existirá se se (re)descobrir autónomo, na periferia de uma grande cidade.
7 - No caso concreto do Barreiro, o seu estatuto de periferia é uma mais-valia.
8 - Tudo o que, de qualquer modo, signifique a História do Barreiro, deve ser preservado a qualquer custo.
9 - No Barreiro, todas as intervenções no espaço urbano devem, antes de qualquer outra coisa, ser pensadas para preservar o edificado.
10 - Não deve ser permitido derrubar o edificado do Barreiro, a menos que seja irrecuperável.
11 - Todos os esforços devem ser dirigidos para a preservação do edificado barreirense, e isso significa recuperar um edifício antigo semi-degrado em vez de construir um edifício novo no seu lugar.
12 - Os espaços vazios entre os edifícios antigos devem ser aproveitados para espaços públicos, espaços verdes, espaços comunitários, e não para a construção irracional de edifícios novos descaracterizantes.
13 - Se necessário, os poderes públicos devem intervir para impedir a construção de edifícios novos que descaracterizem o Barreiro.
14 - Deve ser estimulado todo o projecto de aproveitamento do espaço público barreirense que queira devolver esse espaço à comunidade.
15 - Todos os projectos que nasçam da iniciativa dos barreirenses, devem, na medida do possível, ser apoiados pelos poderes públicos.
16 - Em especial, todos os projectos cujo alcance final seja o de consolidar no Barreiro a sua vocação cultural e turística.
17 - É necessário trabalhar a todo o custo para promover o Barreiro como destino cultural e turístico, e isto quer dizer, acima de tudo, promover o Barreiro como periferia privilegiada da sua cidade, Lisboa.
18 - Deve-se criar um plano estruturado de promoção cultural e turística para o Barreiro.
19 - É necessário que os poderes públicos do Barreiro entendam que o Barreiro é o espaço periférico de Lisboa com mais identidade, capital patrimonial, histórico e cultural, a grande distância de qualquer outro, e que o assumam finalmente como um desígnio essencial da sua acção.
20 - Contudo, este capital é frágil, porque imaterial, e por isso deve ser visto como é, como um capital único e irrecuperável.
21 - A vocação do Barreiro como cidade solidária, resistente e de combate, é não só compatível com a visão de um Barreiro assente na cultura e no turismo, como uma parte fundamental dessa visão.
22 - No Barreiro, agora, resiste-se culturalmente, e essa é a nossa (nova) identidade.
23 - Os poderes públicos do Barreiro devem reconhecer que (ainda) é possível solidificar a identidade barreirense. O seu património histórico de resistência é a chave deste processo.
24 - É absolutamente essencial desfazer o equívoco que opõe a dinâmica da resistência à necessidade turística. O Barreiro tem de sobreviver, e sobreviverá tanto melhor quanto aproveitar o seu capital.
25 - É absolutamente essencial para o Barreiro conseguir ser polo de atracção da massa crítica exterior que queira criar sinergias com todo o seu inigualável património histórico e cultural.
26 - O Barreiro pode ser uma cidade atractiva para os agentes culturais.
27 - O Barrreiro será tanto mais atractivo para os agentes culturais quanto melhor se preservar a si próprio.
28 - Tudo o que existe de melhor no Barreiro deve ser preservado e potenciado. Isto inclui, antes de qualquer outra coisa, a ligação fluvial a Lisboa, os Transportes Colectivos do Barreiro, o Hospital do Barreiro, os espaços actuais e históricos da ferrovia, os espaços da CUF, o Barreiro Velho, os espaços ribeirinhos, a Mata da Machada.
29 - Os poderes públicos devem resistir a todas as tentações que, a troco de promessas de crescimento, de liquidez, de solução de problemas conjunturais, pretendam colocar em causa ou atingir irremediavelmente o que de melhor o Barreiro tem.
30 - Só se pode construir o futuro do Barreiro a partir do que existe de melhor. Todas as soluções que partam da destruição disso, são ilusões que destruirão o seu capital de futuro.
31 - Os planos quiméricos que pretendem destruir o que existe em troca de ilusões de crescimento devem ser rejeitados, porque o futuro do Barreiro só poderá ser se se conseguir preservar.
32 - Os poderes públicos devem confiar nos barreirenses.
33 - Se necessário, os poderes públicos do Barreiro devem apoiar-se nos barreirenses para serem aguerridos, contestatários, revolucionários, porque isso é exactamente a massa que fez os barreirenses, e eles irão reconhecer-se e agradecer essa identificação.
André Carapinha














