Se os odiarmos a todos, eles já venceramPor Pedro Filipe Tomás
Setúbal

Por Jornal Rostos
Ainda há dias conversava com dois amigos sobre o caso do guarda da Guarda Nacional Republicana que foi condenado por atingir, involuntária, mas mortalmente um menor que fugia da GNR com o pai, depois de apanhados em flagrante actividade criminal.
Naturalmente, estes assuntos sensíveis resvalam para o sentimento de insegurança enquanto cidadãos, para o sentimento de impotência das autoridades que não têm capacidade nem suporte para cumprir a sua função entre outros que nos tocam particularmente e que por vezes nos levam a extremar e aderir a um ou outro discurso mais demagógico e violento sobre minorias, o poder policial ou a retaliação popular.
Geralmente, quando estas conversas se prolongam para lá dos ímpetos iniciais, o bom senso impera e os ânimos acalmam. Concluímos que “uma árvore não faz a floresta”, nem todos são criminosos nem santos pela etnia, cor de pele ou local de residência e que tem de haver limites à actuação das forças de segurança sob pena de abusos e atropelos às liberdades individuais.
Os acontecimentos em Paris com o atentado terrorista sobre a redação do Charlie Hebdo podem ser o primeiro floco numa bola de neve de ódio que agite as bandeiras da xenofobia e da intolerância arrastando moderados para a radicalização – tanto muçulmanos como dos europeus.
O despoletar de acções e discursos de ódio, na generalidade, levará a uma cultura de “os nossos” contra “os outros”, escalando o ódio, as mortes e o atropelo das liberdades individuais que conquistámos.
Criar um inimigo, exacerbar o medo ou utilizar a dor das pessoas é uma das formas mais eficazes de toldar opiniões e conquistar posições, seja pela insegurança que sentimos quando vemos os criminosos a triunfar sobre a polícia na nossa terra, seja pelo medo dos terroristas internacionais ou pela nossa saúde, emprego e reformas.
Haverá sempre personagens, como Nick Farage no Reino Unido, Marine Le Pen em França e mesmo Ana Gomes em Portugal, a tentar usar as dores alheias para proveito próprio e das suas intenções, mas relembro Denzel Washington, em 1998 no filme “The Siege”:
“E se o que eles (os terroristas) realmente querem é que detenhamos as nossas crianças como rebanhos, como estamos a fazer? E que enchamos as ruas de soldados, que o nosso povo esteja sempre com medo a olhar por cima do ombro? (…) Se fizermos isso, General então tudo aquilo por que lutámos, sangrámos e morremos foi em vão. E eles venceram!”
Pedro Filipe Tomás
Presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal da Juventude Social Democrata














