Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Ainda que todos nos digam que é bomPor Rita Gonçalves
Barreiro

Neste filme - 50 sombras de Grey-, nem se trata de paixão… não percebo porque se falou dele para o Dia dos Namorados. As patologias sexuais não são amor, não são sensuais. As patologias sexuais são motivo de preocupação e de tratamento.

3 min de leitura
Ainda que todos nos digam que é bom Por Rita Gonçalves Barreiro

Por Jornal Rostos

As 50 sombras de Grey, um filme que anda por aí na ribalta, que fui ver, inquietou-me e levou-me a escrever porque não posso calar tanta indignação. De facto, não posso dizer que fala de amor, vende-se como tal… ou, se calhar, nem se vendem como tal porque as pessoas já não querem ouvir falar de amor, preferem algo temporário e fugaz.
Neste filme, nem se trata de paixão… não percebo porque se falou dele para o Dia dos Namorados. As patologias sexuais não são amor, não são sensuais. As patologias sexuais são motivo de preocupação e de tratamento.
Isto preocupa-me porque só evidencia as profundas contradições a que a sociedade nos subjuga. Como dizia um querido amigo meu, por um lado, seduzem-nos, exploram a nossa intimidade, vendendo-nos este filme que, oportunamente, veio na altura do 14 de Fevereiro, por outro lado, ao mesmo tempo, fazem-se campanhas contra a violência no namoro. Há qualquer coisa aqui que não joga bem.
Então, mas afinal, o filme diz-nos que a violência, o abuso emocional, a pressão psicológica, a pornografia são algo atraente, desejável e bom? É algo que queiramos para as nossas filhas, para os nossos filhos? Consentimos que este tipo de livros e filmes entrem na cabeça dos nossos filhos porque os outros também leram, vão ver? Porque está na moda? E depois, o que vamos dizer quando eles experimentarem tudo o que viram no filme ou leram no livro? Será que vale a pena pagar para ver?
Claro que o mundo do dinheiro, o mundo do cinema, o mundo da música, os meios de comunicação não querem que se fale de amor de verdade.
Podem até financiar pontualmente umas campanhas contra a violência no namoro, mas não são pensadas para ter o impacto que estas películas, a moda, a música têm. Ninguém quer ouvir falar de amor de verdade, de relações estáveis, de entrega. Ele já mal existe. Pelo contrário, fala-se de divórcios, namoros ocasionais, depravações sexuais mostradas como algo bonito, sedutor, fala-se de sexualidade como objeto de consumo rápido. Aqui e ali, agora e depois, com este e com aquele.
Tudo isto parece forte. Decerto que alguns concordarão comigo mas também dirão a seguir que se calhar não é bem assim, estes filmes não fazem assim tão mal, os meus filhos já sabem distinguir o bem do mal, isto é só para eles se divertirem. Desculpem, não estou nada de acordo. E a prova é clara e inequívoca. Sou casada, mãe de filhos e com princípios e valores bem enraizados. Vi o filme e fez-me mal. Imagine-se…

Rita Gonçalves

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção