ENSINO PROFISSIONALPor Maria Amélia Antunes
Montijo

Por Jornal Rostos
O ensino profissional vai ter o seu dia, no próximo dia 20 de março – o Dia do Ensino Profissional promovido pela Agencia Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional.
A promoção e valorização do ensino profissional deverá ser um objetivo estratégico para área da educação e formação, fundamentalmente para as novas gerações. Para isso, necessita de uma mudança de atitude que passa pela tomada de consciência do sucesso que representa a preparação qualificada para o exercício de uma profissão, seja ela qual for, para o emprego.
O ensino profissional em Portugal tem sido visto e tratado por alguns governantes e membros da comunidade educativa (professores, pais) como o “parente pobre” do sistema de ensino, da educação. Após o 9º ano de escolaridade a dicotomia assenta: os melhores alunos, com boas notas, os filhos família, os que têm dinheiro para pagar as explicações, prosseguem os estudos para tirarem um curso superior; os outros alunos vão para o ensino profissional ou abandonam os estudos. Esta forma de pensar e agir preconceituosa, mesquinha, miserável, não tem permitido que o ensino profissional possa ser assumido por todos e para todos como uma opção de realização profissional, com boas notas, boas classificações, boas qualificações, com estatuto, bem-sucedido, bem remunerado, que permite também o acesso ao ensino superior, para os que pretendam prosseguir os seus estudos.
A experiência da Escola Profissional do Montijo é um bom exemplo da cultura de ensino profissional, que esteve sempre intimamente ligada a valores como o empreendedorismo, a qualidade, a proatividade e competitividade.
A Estratégia “Europa 2020” defende a valorização do ensino e da formação profissional, o que implica reforçar a cultura de parceria entre empresas ,entidades formadoras e parceiros sociais. O salto de qualidade que o país tem que dar na próxima década depende em muito do nível de exigência e da capacidade de resposta que o ensino profissional possa dar às novas gerações, correspondendo às suas expetativas, às necessidades das empresas e ao desenvolvimento da economia nacional.
Os nossos jovens necessitam conhecer as opções e saídas profissionais para a sua realização, sem o estigma de estarem a frequentar um ensino dito de primeira, o ensino secundário e um ensino dito de segunda, um ensino profissional. Estas duas vias de ensino, de educação e formação, devem estar lado a lado, a par, com a realidade económica e social, com o desenvolvimento social e cultural,científico, de forma a facultar a todos os jovens a possibilidade de se realizarem pessoal e profissionalmente, permitindo uma verdadeira e justa igualdade de oportunidades.
A recente criação da Rede de Escolas Profissionais e Secundárias da Península de Setúbal e Litoral Alentejano, no passado dia 4 de março, com a assinatura do protocolo com o Instituto Politécnico de Setúbal, constitui-se uma rede regional do ensino profissional público que com outras redes de ensino profissional tem todas as condições de sucesso, voltado e ligado às empresas e ao emprego.
É pela educação, pela formação, pela cultura, que se alcança a liberdade e a justiça social.
Maria Amélia Antunes,
Presidente da Assembleia Municipal do Montijo














