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Quotidianos

Socialismo e o século XXI: entre o paradoxo e a encruzilhadaPor José Assis
Seixal

O movimento socialista europeu é, neste momento, constituído por partidos de protesto ( gregos à parte , não por estarem no poder, mas por estarem fora da matriz socialista europeia) que se assemelha a um grupo desinstitucionalizado, ultrapassado por novos institucionalistas da cidadania com partidos novos. As eleições ao parlamento europeu já tinham assinalado o fenómeno, que teima a confirmar-se.

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Socialismo e o século XXI: entre o paradoxo e a encruzilhada Por José Assis Seixal

Por Jornal Rostos

O titulo não é, propositadamente, uma interrogação. Têm sido os cidadãos eleitores os autores da queda dos partidos socialistas na europa. Mas têm sido,também, os socialistas os culpados da queda.
Na verdade, com a entrada da UE num paradigma de liberalismo com o primado financista, longe dos princípios fundadores da CEE, mas em linha com um mundo ocidental orientado para a indisciplina do consumo e a variação individualista da vida coletiva, o ideal socialista em democracia, com uma economia de mercado e sem preconceito quanto ao investimento publico, ficou para uma linha de retaguarda, confirmada pelos recentes resultados em França. O paradoxo situacionista assenta, por um lado, na rejeição eleitoral quando a situação da economia e social se degradam , atingindo o bem estar e a qualidade de vida dos cidadãos e , por outro, apesar disso a resposta à oferta dos valores socialistas continua a aer desconfiada e resistentemente curta.
Com a queda do império soviético ficou a ideia de que a abertura na europa iria ao encontro de um projecto coletivo de paz social e equidade no bem estar. Mas a onda neoliberal, inspirada pelos discípulos anglosaxonicos, atingiu a europa.
Globalizados os mercados, ainda assim o caminho poderia ser outro, se o governo europeu, não fosse, ele próprio apologista do modelo que nos trouxe a esta crise social.
Se é certo que o efeito manada, identitário ao modelo de mercado financista, ocupou a energia que levou ao tratado orçamental, tal como está escrito e,sobretudo, executado,contribuindo para parte do estado atual da europa, não é menos certo que denominados socialistas no eurogrupo participaram nesse efeito, admitindo um pragmatismo cujo virtuosismo e oportunidade a história apontará, ou não.
O paradoxo reside, assim, na contínua insistência em sentido contrário da necessidade;e quanto mais o tempo passa mais difícil a inversão do sentido da politica europeia se manifesta.
Mas os recentes resultados eleitorais também levam a concluir que, na europa, só a sul do sul tem lugar o socialismo. A barricada andaluz é meritória do principio de resistência, mas indicadora da urgente reflexão que deve ser realizada no seio socialista.
O movimento socialista europeu é, neste momento, constituído por partidos de protesto ( gregos à parte , não por estarem no poder, mas por estarem fora da matriz socialista europeia) que se assemelha a um grupo desinstitucionalizado, ultrapassado por novos institucionalistas da cidadania com partidos novos. As eleições ao parlamento europeu já tinham assinalado o fenómeno, que teima a confirmar-se.
O presente dos partidos socialistas resume-se a comparações absurdas com os países emergentes, fora da europa, e a um grupo de resistentes na europa.
Se bem que, para retomar a consciência, a utopia possa tonificar um dos tópicos, nós, socialistas somos mais do que isso. E temos de continuar a ser.

José Assis
Lider do Grupo Municipal do PS na Assembleia Municipal do Seixal

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