URGÊNCIAS NO HOSPITAL BARREIRO- MONTIJOINACREDITÁVEL!
Por Rosário Vaz
Não o negarei, pois claro! Mas, para além disso, onde está a humanidade, o respeito pelo outro e a dignidade que é devida a qualquer ser em sofrimento?

Por Jornal Rostos
A TVI fez recentemente uma reportagem sobre o funcionamento de 17 hospitais portugueses e, lamentavelmente, deixou de fora o Hospital do Barreiro-Montijo.
E por que o lamento eu?
Porque, no passado dia 14, estive a acompanhar um familiar nas urgências do Hospital do Barreiro, entre as 14.30h do referido dia e as 3 h da madrugada do dia seguinte.
E o que vi eu e tantos outros que lá estavam? Uma sala a abarrotar de macas com doentes, quase todos muito idosos, com pulseiras do verde ao laranja, mas a permanecerem naquele espaço com as mais variadas manifestações de sofrimento.
Enquanto uma senhora, sem qualquer autonomia, vomitava sem que ninguém lhe valesse, outra gritava que tinha fome, outra teve dois ataques epilépticos ou congéneres, um senhor, que entrou com insuficiência respiratória, enquanto lhe era ministrado oxigénio, não conteve as fezes e aconteceu o pior, a uma menina dos seus 18 anos foi-lhe colocado um frasco de Cloreto de sódio, ministrado por via intravenosa, mas que aguentou cerca de duas horas sem que nada lhe entrasse no organismo porque o sistema não funcionava, os médicos e/ou os enfermeiros chamavam pelo nome de pessoas que não tinham qualquer capacidade para responderem ou se deslocarem.
E o que acontecia então nestas várias situações?
Eram os acompanhantes de alguns outros doentes presentes que iam avisar do vómito da senhora, da manifestação de algo indicador de ataque epiléptico, de que o doente chamado não podia responder, de que o cloreto de sódio não estava a funcionar como previsto, e assim sucessivamente, conforme os casos iam acontecendo.
O meu familiar esteve durante 12h numa maca na urgência, fez uma TAC e análises várias, de cujos resultados nenhuma informação era dada ao familiar acompanhante, e, se lhe foi mudada a fralda que tinha desde a manhã do dia anterior, foi a pedido do dito familiar.
Mas o mais inacreditável aconteceu ao senhor que não conteve as fezes, pois foi com grande espanto que as filhas, então na sala de espera, foram chamadas para irem fazer a higiene ao pai, tendo para tal tido acesso apenas a um simples papel higiénico, manifestamente insuficiente para o estado em que o senhor se encontrava e que justificaria, no mínimo, um toalhete.
Dir-me-ão que tudo se justifica com a falta de médicos, de enfermeiros, de pessoal auxiliar.
Não o negarei, pois claro! Mas, para além disso, onde está a humanidade, o respeito pelo outro e a dignidade que é devida a qualquer ser em sofrimento?
Fala-se do Caos nas urgências hospitalares. Depois do que observei, com grande indignação, é isso também que se passa no Hospital do Barreiro-Montijo, não obstante o Sr. Secretário de Estado da Saúde vir à televisão dizer que os doentes são muito bem tratados nas urgências.
Perguntemo-nos: que SNS é este? Que se espera para pôr cobro a situações que nada têm a ver com a dignidade humana? Até quando este estado de coisas, assistindo nós ao êxodo de enfermeiros e médicos, ora para o sistema particular, ora para países onde, não só são dignamente pagos, como lhes são dadas condições condignas de trabalho.
Ontem, já era tarde para nos opormos a situações de vergonha como as que ouvimos frequente e publicamente relatar!
Rosário Vaz
17/4/2015














