Aeroporto Complementar à Portela na Base Aérea do MontijoPor José Serra da Graça
Montijo

Por Jornal Rostos
Está em estudo a possibilidade de ser utilizada a Base Aérea do Montijo como aeroporto civil complementar à Portela, servindo as designadas companhias aéreas de baixo custo.
Segundo a comunicação social o presidente da câmara municipal de Montijo já se pronunciou favoravelmente desde que a ANA-Aeroportos de Portugal construa algumas infraestruturas no concelho.
A CDU no concelho de Montijo, já clarificou a sua posição sobre este assunto, de várias formas, na câmara municipal, assembleia municipal, assembleia de freguesia de Montijo e Afonsoeiro e na assembleia de freguesia de Canha, em que reafirma a sua discordância por considerar que a melhor solução para o concelho, a região e o país será a construção por fases dum novo aeroporto no Campo de Tiro localizado nas freguesias de Samora e de Canha.
Esta hipótese de utilizar a Base Aérea do Montijo como aeroporto civil tem problemas e inconvenientes de vária ordem, em contrapartida, das vantagens publicamente conhecidas fala-se de benefício na área do turismo, de novas infraestruturas e alguns postos de trabalho.
Quanto aos benefícios diremos que os graves problemas que esta solução comporta são de tal monta que é impossível compensar com a benesse da construção de mais umas duas ou três vias de acesso.
Relativamente ao turismo falta demonstrar que o Montijo beneficie, e além disso este será um local de transbordo quer para Lisboa, quer para outros destinos turísticos, sendo ponto de partida e não de chegada.
Sobre a prometida criação de centenas de postos de trabalho temos muitas dúvidas que assim seja, visto que os postos de trabalho que serão inevitavelmente extintos em Lisboa, esses trabalhadores manterão o seu posto de trabalho e serão naturalmente deslocados para o Montijo, considerando uma estimativa de mil postos de trabalho por cada cinco milhões de passageiros por ano destes voos low-cost.
A populações de Samouco, Montijo, Alcochete, Moita e Barreiro, ao longo de muitas décadas souberam conviver com uma BA6 militar, mas já o mesmo não se poderá dizer da sua utilização intensa de voos civis que passarão a cruzar a baixa altitude o espaço aéreo sobre estas vilas e cidades.
A resposta a muitas das nossas dúvidas e receios face a esta ideia precipitada de colocar companhias low-cost a aterrar e descolar na Base Aérea do Montijo não poderá ser dada de forma leviana, pois queremos saber, entre outras, qual o volume de tráfego aéreo que está previsto, que companhias aéreas se servirão da Base, como está assegurada a manutenção dos aviões, como irá ser solucionado os constrangimentos com o controlo de tráfego aéreo, quais os planos de segurança aérea, etc.
Estamos absolutamente contra a possibilidade da utilização da Base Militar do Montijo como aeroporto complementar à Portela, por razões de preservação da qualidade de vida das populações, por consideramos que esta solução é mais uma precipitação, algo que está a ser a decidido sem estudos ponderados, e que poderá inviabilizar o projecto de futuro que será a construção, por fases, do aeroporto no Campo de Tiro.
A construção no novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro, este sim, permitirá uma transição mais operacional com o actual aeroporto da Portela, garantirá as condições de segurança, de operacionalidade e de expansão, e potenciará o desenvolvimento do concelho, da região e do país.
José Serra da Graça
Militante do PCP e membro da CDU na Assembleia de freguesia de Montijo e Afonsoeiro














