O caminho é o federalismoPor José Assis
Seixal

Por Jornal Rostos
Após décadas de avanços, recuos e hesitações a construção europeia chegou a uma encruzilhada,que pode ser uma oportunidade para dar um passo virtuoso em frente, recentrando-se no seu essencial, enquanto plano de paz e de solidariedade concreta entre Povos.
Na verdade em todo o processo de paz, que é a Europa unida, sonhada e executada pelos seus pais fundadores, o fito imediato foi sempre o da Europa unida por um poder político, que apesar de comum e partilhado,incluindo uma moeda comum, não violava o conceito de soberania dos Estados Membros, tal como esse conceito hoje é reconhecido num quadro de globalização.
A união monetária atual, crua e dura, é uma lateralidade a todo esse processo.
Uma lateralidade porque, por um lado,emergiu extemporaneamente afastando, ao mesmo tempo, o objectivo principal e , assim, provocando a perturbação do processo, agora materializada com o caso grego, que,aliás, não é da exclusiva responsabilidade da Grécia, e, por outro, em consequência dessa extemporaneidade, deslocou o debate e a acção para a lógica monetária e financeira em detrimento do primado da construção política.
Com o alfa e o ómega na união monetária, a UE caiu no embuste dos adversários do euro, os mesmos que, agora, interna e externamente apoiaram o vitorioso "não" no referendo grego.
O referendo grego e o seu resultado sendo um reforço formal da democracia na Grécia não beliscou o processo inverso e perigoso que corre na Europa, com o primado das relações financeiras. Foi,sim, um mero incidente, em todo este processo diabolizado, que expressa a confusa linha política que se reparte pela Europa, designadamente quanto ao futuro de paz no velho continente.
O caminho percorrido pela União Europeia é tendencialmente irreversível quanto a uma verdadeira União e só terá recuo definitivo se os dirigentes políticos, na Europa, e nos seus países,continuarem com a falta de coragem em concretizar o caminho de sempre: o federalismo europeu.
Esta oportunidade para repensar o caminho não pode ser desaproveitada. A Grécia está aqui perto e pode ir para mais longe se a Europa não se decidir.
José Assis














