Sete razões porque Nicolau Santos se enganou e o PS deve apoiar Maria de BelémSamuel Cruz
Seixal

Por Jornal Rostos
Nicolau Santos é um jornalista que aprecio, divulga poesia interessante e escreve textos que, apesar de não apresentarem ideias novas ou brilhantismo, invocam casos de sucesso nacional que contribuem para o elevar da auto estima coletiva.
Desta vez o jornalista resolveu entrar pelo caminho da política partidária, esta atitude tem obviamente de ser apreciada politicamente. Há sete razões porque se enganou.
1. “A candidatura não nasce por convicção mas por reação (contra a de Sampaio da Nóvoa).” É certo que Sampaio da Nóvoa não entusiasma muitos Socialistas, o que é natural já que (a crer nas sondagens) não entusiasma também muitos portugueses. Mas não é verdade que Maria de Belém surja por reação, os sociais democratas portugueses, Socialistas Democráticos e Keynesianos moderados no geral, desejam uma candidata em que se revejam e não alguém que se auto intitule como equidistante do PS e do Syriza português. Nicolau Santos acrescenta, para solidificar a sua tese, que Maria de Belém nunca deu sinais de querer ser presidente. Mas também aí Belém está em vantagem em relação a Nóvoa, é que ela sempre deu sinais de se interessar por política, Nóvoa nem por isso (e orgulha-se).
2. “A candidatura nasce contra a atual direção do PS. Maria de Belém está ferida com Costa que não a escolheu para presidente do partido”. Desde logo o presidente do PS não é escolhido mas antes eleito pelos órgãos próprios do partido (este é aliás um erro que Nicolau Santos comete ao longo de todo o texto, ignora o processo de escolha dos candidatos por órgão deliberativos e defende que a putativa opinião do Secretário Geral é vinculativa). Acresce que o importante papel desempenhado na condução do difícil processo das primárias, enquanto presidente do partido, é justamente o maior trunfo de Maria de Belém, que já provou que para além da sua opção pessoal, garante a isenção e correção dos processos do ponto de vista institucional.
3. “A escolha do momento para o anúncio da candidatura não foi feliz.” Não interessa discutir os pequeno faits divers de que vive o jornalismo pátrio, apesar do lapso já ter sido assumido por parte da candidatura, mas antes a gestão do processo por parte do maior partido da oposição. Apesar de tudo Costa não tem do que se queixar, apresentou a sua candidatura a Secretário Geral do PS durante uma homenagem a Maria José Nogueira Pinto.
4. “A candidatura de Belém prejudica o resultado do PS nas legislativas”. O PS já deveria ter reunido os seus órgãos e decidido quem iria apoiar. Duas campanhas Socialistas no terreno somam e não dividem. Não se discutem presidenciais com 90 dias de antecedência. Depois de 4 de Outubro o PS estará a preparar o Governo ou a discutir a próxima liderança, não existirá clima político para discutir presidenciais. No entanto Maria de Belém não pode desejar (consciente ou inconscientemente) a derrota de Costa, ela sabe que só terá verdadeiro poder com um Governo minoritário do PS.
5. “Os apoiantes de Nóvoa têm mais peso político que os de Maria de Belém”. É o próprio escriba que reconhece que as pessoas são todas iguais e de facto assim é, pelo menos em qualquer partido dito de esquerda. Mas há que não subestimar os eleitores, as figuras da história têm o seu lugar... na história. O apoio de Soares está, hoje em dia, longe de ser uma mais valia para qualquer candidato. Basta aliás atentar nos resultados das duas últimas eleições presidenciais. Os relevantes apoios na sociedade civil de Maria de Belém sobrepõem-se, na atual conjuntura, a qualquer apoio das tão gastas elites partidárias. Mas mesmo seguindo essa linha de raciocínio, o apoio sempre teria de ser a uma ex presidente do partido em detrimento do não militante apoiado por um fundador.
6. “Foi desrespeitada a linha oficiosa do partido e do seu líder”. Tal como já foi explicado atrás, no PS não existem linhas oficiosas, existem sim órgãos deliberativos que se reúnem e tomam decisões legitimadas democraticamente, não entender isto é subverter a democracia.
7. “O PS não pode apoiar Belém porque ela é Segurista e os Seguristas querem que Costa perca as eleições”. Belém já deu provas da sua isenção mas ainda que assim não fosse Costa sabe que partido dividido é partido perdido, Costa terá que partilhar o poder se quiser ser um verdadeiro líder. É aliás aí que se denota a grandeza dos verdadeiros líderes.
Os tempos são de grave crise e emergência, a situação social não permite a continuação deste governo de direita ultraliberal, esperemos que os erros feitos até ao momento não comprometam o resultado nas legislativas. Nas presidências é obrigação do PS apoiar o candidato da sua área política melhor colocado para vencer as eleições e esse é, mostram-no as sondagens Maria de Belém.
Samuel Cruz
Vereador do PS na CM Seixal














