REGRESSO AO FUTURO...ou será antes ao passado?Por José Manuel de Oliveira Soares
Barreiro

Por Jornal Rostos
Acordei hoje, 29 de Outubro de 2018, pelas 8h e 30m. Como habitualmente, após ir à casa de banho fazer xixi e lavar as mãos, dirigi-me à cozinha e enquanto a minha mulher começava a tarefa das limpesas eu fui preparando o pequeno almoço.
Pronto este, chamei a minha mulher que para meu desagrado, como habitualmente, logo ligou a televisão para ouvir as notícias. Só que desta vez, também eu fiquei embasbacado a ver e ouvir.
O noticiário das 9 começava com imagens de filas enormes às portas das embaixadas da República Portuguesa em vários países. Cuba, Vietnam, Laos, Coreia do Norte e mais proximamente na Albânia. Esta gaita deve ser a gozar, disse eu. Muda lá de canal. Era o mesmo em todos.
Havana, Hanói, Vienciana, Pyongyong e Tirana estavam eufóricas. Afinal sempre era verdade. Lá, na ponta oeste da Europa um pequeno país tornara-se finalmente no paraíso na Terra, sempre anunciado e sempre adiado.
O grande líder aparecera. Para mais as suas feições mescladas, fruto da investigação e evolução genética levada a cabo pelos Portugueses ao longo de 500 anos (que permitiu um multiculturalismo sem programas governamentais dispendiosos e ineficazes), um tanto asiáticas, outro tanto de afro e uma outra novi europeia, esta a mais nitida (permitindo gostos refinados, gastar dinheiro dos contribuintes e falar muito sem nada dizer) dão um ar de cosmopolitismo e de confiança. A acrescentar a estas características o seu profundo ateísmo permite-lhe receber de braços abertos todo e qualquer um imigrante. Para ele não há cristãos, judeus, muçulmanos, hindus ou qualquer outro credo. São todos homens e mulheres merecedores de serem recebidos na Republica.
Eu estava boquiaberto. A que se devera esta mudança? Como era possível que alguém que inventara uma cabala qualquer, contra Carmona Rodrigues que se veio em tribunal a provar ser mentira, para ganhar a Câmara de Lisboa em conluiu com o BE e o apoio do PCP se tinha transformado neste homem de Estado. Como era possível que alguém que há cerca de dois anos prometera não abandonar a Câmara de Lisboa para outro qualquer lugar público, o tenha feito. Como era possível que alguém que enxovalhara (com a tirada do poucochino) o secretário geral do seu partido para lhe poder usurpar o lugar, promovendo um referendo no PS para saber quem seria candidato a primeiro-ministro (coisa que não existe na nossa Constituição – eleiçoes para 1.º Ministro) conseguisse esta reviravolta na sua imagem. Como era possível a alguém que sempre dissera não negociar com o PSD de Passos Coelho, tenha feito o teatro de o fazer. Como era possível a quem, depois do referendo interno, de dizer que queria maioria absoluta na pré-campanha eleitoral e na primeira semana da campanha, ter dito numa entrevista que “não sonhava ser primeiro-ministro”.
Como é possível a alguém que disse “cobras e lagartos” do BE(mais este) e do PCP – “PCP e BE são meros partidos de protesto (entrevista ao “Correio da Manhã”); “O desnorte do BE que se tornou num partido inútil...”(entrevista à SIC); “Não podemos estar na política só para produzir retórica.Sempre fui um moderado e um social-democrata. O BE só produz discursos mas é incapaz de resolver o problema de uma pessoa...”(frente e frente com lider do BE); “o BE é um partido oportunista que parasita a desgraça alheia e incapaz de assumir as responsabilidades...”(entrevista em 28/02/2009), operar esta reviravolta no seu pensamento.
Mas não. Era verdade. A locutora, ou seria locutor? Não interessa. Passava a explicar.
A euforia nestes países devia-se ao grande salto económico operado na República Portuguesa. Após a tomada de posse do Governo de maioria de esquerda em 2015 várias reformas económicas e sociais foram executadas, a saber:
Aumento do salário mínimo para 600€ a partir de 01/01/2016 e compromisso de aumentos anuais de 5%; devolução integral do salário retirado pela seita aos funcionários públicos e aumento anual dos mesmos; aumento de todas as pensões mesmo as não contribuitivas; devolução da sobretaxa do IRS de uma só vez; revisão dos escalões do IRS; aumento das taxas de IRC e IMI (fazendo a vontade ao F. Louçã);Não mexida na TSU; aumento do abono de família; do subsidio de reintegração social;Recuperação total de todo o edificado público e privado;etc.,etc.
Eu não queria crer. Era tudo o que se poderia desejar. Era de facto o paraíso naTerra. Os amanhãs cantavam, cantavam os pássaros, os ribeiros com água. Tudo cantava e ria. Espera, isto faz-me lembrar algo. O quê? A minha mulher manda-me calar pois a senhora da televisão estava a explicar esta reviravolta na República. Eu que esperasse para perceber.
A senhora passou a explicar:
Estas filas nas nossas embaixadas devem-se a vários factos ocorridos nos últimos 3 anos, que passo a descriminar:
1 – a economia tem crescido desde 2015 a uma taxa média de 15%;
2 – as PME têm aparecido como cogumelos levando a que todos os emigrantes voltassem;
3 – descobriram-se jazigas de petróleo equivalentes às da Nigéria;
4 – descobriram-se jazigas de minérios passíveis de fazer inveja à Africa do Sul, Angola e República do Congo juntas;
5 – o turismo tem vindo a crescer a taxas nunca vistas relançando a ideia de um novo aeroporto em Lisboa para breve;
6 – as grandes multinacionais fazem fila à porta da AICEP para poderem investir;
7 – a construção de novas habitações tem levado todos os Municípios a rever os seus PDM de forma a possibilitar a expectativa de 5 milhões de apartamentos para albergar os novos imigrantes, isto porque o crescimento verificado e esperado permitiu esgotar os nossos recursos humanos. (prevê-se uma taxa de desemprego negativa de dois digitos para os próximos anos);
8 – os nossos portos duplicaram as cargas e descargas. Há barcos à espera dias e dias.
9 – Os transportes públicos foram renacionalizados, mostrando hoje a evidência da boa decisão, com altas taxas de rentabilidade e assiduidade nunca vista. As greves acabaram. O mesmo se tem passado com outros sectores da economia, entretanto nacionalizados.
Fruto desta situação o Governo pediu ajuda a estes países para que nos enviassem migrantes. Houve a preocupação de escolher países com amplas liberdades por forma a não estranharem as nossas. As suas balanças de pagamentos são cronicamente negativas e as remessas que os migrantes passarão a enviar serão fundamentais para poderem desenvolver as suas economias.
A minha mulher dizia-me: estás ver, nem tudo é mau. É preciso é acreditar, ter paciência, pois Roma e Pavia não se fizeram num dia.
Já Era
29 de Outubro de 2015
Jose Manuel de Oliveira Soares














