O PESO DA ARITMÉTICAPor Amélia Antunes
Montijo

Por Jornal Rostos
A coligação de direita PSD/PP com denominação de PAF venceu as eleições legislativas no passado dia 4 de outubro. Confrontados os resultados eleitorais com os restantes partidos que elegeram representantes à Assembleia da República a coligação perdeu a maioria absoluta no Parlamento.
Coligação PAF 107 (89 PSD e 18 CDS/PP); PS 86; BE 19; PCP 15; PEV 2 e PAN 1
Na dicotomia direita esquerda a aritmética pendeu para o lado da esquerda, com 123 e 107 da direita. Mas na esquerda é preciso distinguir a esquerda moderada, europeísta, democrática que o PS representa da esquerda contra a União Europeia, contra o Euro, contra a NATO, representada pelos partidos que agora lhe deram o seu apoio parlamentar.
Foi com este quadro, aparentemente simples, aritmético, que António Costa, Secretário-geral do PS reuniu condições para formar um Governo minoritário do PS, com apoio parlamentar de partidos que têm fugido desde sempre ao compromisso da governação democrática “como o diabo da cruz”.
António Costa tomou posse como Primeiro-Ministro no passado dia 27 de novembro acompanhado dos seus ministros e secretários de estado.
A expetativa é grande e a esperança já se alimenta de novo, com esta janela de oportunidade. É tempo de confiança. Contudo, as dúvidas precisam de ser dissipadas quanto às boas intenções do PCP, BE e PEV, pois como diz o povo “de boas intenções está o inferno cheio”.
Agora que estamos aqui, chegadinhos, o PS conseguiu fazer “cativos” estes seus apoiantes parlamentares e não o contrário. De facto, o que se atrever a colocar em causa o Governo, contribuindo para a sua demissão ou queda será responsabilizado pelos cidadãos eleitores, pelo povo, do eventual regresso da direita ao poder ou por contribuir para uma maioria absoluta do PS nas urnas, ficando reduzidos a grupos de protesto, extremistas, sem expressão, sem credibilidade.
Em democracia existe sempre uma solução. A conversão do PCP, BE e PEV ao compromisso da governação é hoje uma realidade que não tem volta, mesmo sem ministros ou secretários de estado seus. O PS deixou de ser o seu adversário principal como sempre foi até à última campanha eleitoral que terminou com a contagem dos votos no dia 4 de outubro.
Portugal precisa de um governo estável sem extremismos à direita ou à esquerda.
Maria Amélia Antunes
Advogada














