«Parque desportivo do Barreiro» na quinta BraancampPor Jorge Moniz
Barreiro

Por Jornal Rostos
Numa altura em que o Barreiro parece começar a virar-se para o rio (finalmente!), eis que é adquirida pela câmara municipal uma importante parcela de terreno com uma localização privilegiadíssima. Refiro-me à quinta Braancamp junto à Escola Secundária Alfredo da Silva. Devo, em primeiro lugar, referir que considero ter sido um excelente investimento. No entanto, e dada a importância da sua localização todos nos perguntaremos sobre o seu futuro e objectivos da compra. E é sobre este tema que gostaria de tecer algumas considerações.
Não desprezando, pelo contrário, a relação com o rio e todo o seu potencial, penso que está na altura de serem colmatadas algumas lacunas graves do concelho a nível desportivo. Será unânime o papel do desporto na construção e valorização de uma sociedade, ainda para mais numa cidade com graves problemas sociais como o Barreiro. Apesar do potencial e tradição industrial, o Barreiro só terá a ganhar investindo em cultura e desporto. Será, com certeza, uma mais-valia e contribuição para cativar a juventude do concelho e evitar a sua permanente fuga para outras áreas do pais, nomeadamente Lisboa.
Actualmente, poucos são os motivos de interesse e de oferta que justifiquem a permanência da população jovem num concelho envelhecido. A permanência no concelho é temporária e normalmente cessa com o acesso ao ensino superior. Foi este um dos pontos fortes de afirmação do concelho, ainda nos saudosos tempos CUF, em que a cidade fervilhava de ideias e de juventude.
Foi através de muitos dos nomes consagrados nestas duas áreas que o nome do Barreiro atravessou fronteiras. Infelizmente muitos deles estão hoje esquecidos e a sua lembrança não faz, infelizmente, parte do dia-a-dia da cidade, preteridos por outros ideais e convicções que não as desportivas. Considero a aquisição da quinta Braancamp uma excelente oportunidade para que o Barreiro possa finalmente ter um pavilhão desportivo que vá ao encontro da forte tradição desportiva da cidade, nomeadamente ao nível do basquetebol.
O actual pavilhão, apesar da grandeza do nome e da pessoa que foi Luís Carvalho, não poder ambicionar mais do que ser um pavilhão de bairro. Para além disso, é hora de dispormos de uma pista de atletismo digna desse nome, à semelhança do que acontece em praticamente todos os concelhos vizinhos.
Ainda mais: para quando uma piscina, também diga desse título, e que venha substituir e complementar os actuais “tanques” existentes? Nada disto invalidará que se desenvolva o desporto náutico, devendo esta vertente constituir-se, obviamente, como a vocação natural de um espaço junto a um rio.
Apesar de ainda não ter qualquer conhecimento sobre o objectivos da compra, parece-me que uma aquisição desta dimensão para mais um parque de lazer que receba esporadicamente festivais ou concertos, será, de certa maneira, um desperdício e uma subvalorização do próprio espaço.
Jorge Moniz














