A amêijoa nipónica no estuário do Rio TejoPor José Bastos
Montijo

Por Jornal Rostos
O estuário do Rio Tejo foi durante séculos muito rico em peixe e em bivalves, tanto em quantidade como em qualidade, mas com a poluição nos últimos quarenta anos quase tudo desapareceu do Rio.
As ostras do Tejo eram muito apreciadas no estrangeiro e nos anos trinta/quarenta do século passado haviam ostras do Montijo à venda em Paris.
Apesar da poluição, aqui há uns anos, começou a aparecer no estuário do Rio Tejo uma amêijoa de pedra de origem nipónica que resiste à poluição que se reproduz em quantidades enormes e que chegam a todo o lado do estuário. No Montijo aparecem dentro da caldeira do moinho e dentro do cais.
A apanha desta amêijoa é proibida por lei porque é um grave perigo para a saúde se for comida sem ser depurada.
Com a crise e a falta de emprego, centenas de pessoas, dedicam-se hoje à apanha desta amêijoa para sobreviverem. A polícia marítima que é quem tem competência para fiscalizar o estuário do Tejo, atua e é rara a semana que não são multados apanhadores e o produto da apanha deitado novamente para o rio.
A polícia marítima durante um ano deita ao rio umas dezenas de toneladas de amêijoas, mas é uma pequena percentagem em relação às centenas de toneladas que entram nos mercados de Portugal e Espanha para consumo público.
Dizem que as amêijoa que são vendidas para Espanha são lá depuradas. Não sabemos. O que sabemos é que um veterinário do Montijo afirmou que as amêijoas tinham que chegar vivas à depuradora para ficar em condições de ser comestível.
Esta situação precisa de ser esclarecida urgentemente pelo Governo, pois trata-se de um assunto de saúde pública que pode ser grave e da vida de milhares de pessoas que sobrevivem com a apanha da amêijoa. É um assunto que pela sua importância não pode ser deixado ao acaso.
Penso que devia ser construida uma depuradora junto ao Tejo para depurar as amêijoas. Já existiu uma depuradora de ostras no Rosário no concelho da Moita.
Também penso que esta amêijoa é uma espécie invasora que precisa de ser apanhada que prejudica a criação dos peixes, mas por outro lado os poucos pescadores profissionais que existem no Rio também se queixam que os apanhadores utilizam meios que contribuem para dizimar os peixes juvenis.
Quando a saúde pública está em perigo não se pode fingir que não se sabe o que se está a passar. Por isso as entidades oficiais têm que estudar urgentemente este assunto, para regulamentarem a apanha e construirem uma depuradora de amêijoas junto ao Rio. A situação como está é que não serve a ninguém. Nem ao público que consome as amêijoas, nem ao futuro do Rio que é um local de excelência para desova de peixes, nem aos apanhadores que não têm nenhuma segurança e trabalham na clandestinidade.
José Bastos














