Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Sobre as infraestruturas rodoviárias do município do BarreiroPor Miguel Ângelo Mendes
Barreiro

Porque insistem os dirigentes autárquicos em materializar passeios sem continuidade, onde as pessoas são encaminhadas para zonas não pavimentadas ou para locais onde a faixa de rodagem não apresenta passadeiras?

4 min de leitura
Sobre as infraestruturas rodoviárias do município do Barreiro Por Miguel Ângelo Mendes Barreiro

Por Jornal Rostos

Ao circularmos no Barreiro, podemos verificar que o município tem apostado algum do seu esforço financeiro na reparação e remodelação da sua rede viária. Um passeio aqui, uma rotunda acolá e de vez em quando uma repintura da sinalização horizontal e o “lançamento” de betuminoso para fazer esconder as “crateras” que existem um pouco por toda a parte.
Esta gestão da rede viária é de louvar e, como diz o povo: “é melhor fazer pouco do que nada…”. No entanto, o investimento que foi feito neste tipo de obras talvez pudesse ter sido realizado de forma a corrigir os problemas existentes pelo seu grau de importância, pelo impacto gerado na circulação e contribuindo essencialmente para a segurança na coabitação entre peões e veículos.
Numa fase onde muitos municípios e cidades importantes apostam na qualidade de circulação dos peões, dos ciclistas e dos condutores, talvez fosse sensato que o Barreiro enveredasse pelo mesmo caminho, contribuindo também para uma cidade mais amiga do ambiente, onde não existam acumulações de trânsito em horas de ponta pois, afinal de contas, a nossa cidade não apresenta um volume de negócios nem de empresas que justifique as tenebrosas filas em hora de ponta. Na realidade, e infelizmente, o Barreiro tem apenas um polo de procura para os habitantes da margem sul e esse polo é o terminal fluvial, que tem como objetivo “mandar” os habitantes da margem sul para a nossa capital, fazendo com que os nossos cérebros e a força de trabalho fujam para Lisboa sem que nada seja feito; o Barreiro parece não ter a capacidade de cativar e apaixonar os seus habitantes e vizinhos municipais com a aposta na indústria, com a criação de mais postos de trabalho e com a melhoria da qualidade de vida para os seus munícipes.
Fica-se, por vezes, com a sensação de que estamos a ver a banda passar sem nada fazer para mudar o rumo das nossas vidas. Mas essas são outras histórias e outros problemas, por isso, vamos voltar às infraestruturas rodoviárias…
O Barreiro tem investido na materialização de rotundas de modo a aumentar a fluidez de circulação de vários cruzamentos da cidade, no entanto, essas intervenções estão a ser realizadas, essencialmente, em locais onde já existe sinalização semafórica, que “per si” resolve praticamente o problema de circulação e da fluidez do trânsito.
Mas então, porque não começar por tentar resolver os cruzamentos que atualmente geram filas bastante longas (ex.: cruzamento entre a Av. Escola dos Fuzileiros Navais e a Rua Capitães de Abril ou cruzamento entre a Av. Escola dos Fuzileiros Navais e a EN11-2)?
Porque é que a câmara municipal não intervém e tenta resolver problemas que estão perfeitamente identificados por técnicos camarários e por queixas dos munícipes?
Porque insistem os dirigentes autárquicos em materializar passeios sem continuidade, onde as pessoas são encaminhadas para zonas não pavimentadas ou para locais onde a faixa de rodagem não apresenta passadeiras?
Porque continuam os passeios da cidade repletos de carros que inviabilizam completamente a passagem de peões (com mobilidade normal ou reduzida) e de carrinhos de bebé?
Finalmente, porque investe o município em ciclovias que não se interligam com as ciclovias dos municípios limítrofes, de modo a criar verdadeiras ecovias que trariam, inclusive, mais turistas à cidade? E ainda, porque são criadas “falsas” ciclovias que a única coisa que fazem é permitir que os ciclistas partilhem o espaço que já é dos automóveis sem que sejam criados separadores físicos para garantir a proteção das pessoas que circulam de bicicleta?
Além de tudo o que já referi, sabemos que a cidade está repleta de sinalização vertical desatualizada, em mau estado de conservação e acompanhada da ausência de sinalização horizontal (marcas rodoviárias) ou por sinalização horizontal que não reflete durante a noite, fator que é absolutamente fundamental para os condutores de idade mais avançada, e que ainda por cima é a faixa etária mais representativa da cidade.
Gostaria de finalizar dizendo que, no Barreiro existem pessoas qualificadas que estão atentas às estratégias e às intervenções. Existem munícipes que acreditam que tudo deve ser feito pelo seu grau de importância e não pelo que tem mais visibilidade. Resta-me acreditar que um dia lá chegaremos.

Miguel Ângelo Mendes
Militante do CDS-PP Barreiro

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção