Sobre as infraestruturas rodoviárias do município do BarreiroPor Miguel Ângelo Mendes
Barreiro

Por Jornal Rostos
Ao circularmos no Barreiro, podemos verificar que o município tem apostado algum do seu esforço financeiro na reparação e remodelação da sua rede viária. Um passeio aqui, uma rotunda acolá e de vez em quando uma repintura da sinalização horizontal e o “lançamento” de betuminoso para fazer esconder as “crateras” que existem um pouco por toda a parte.
Esta gestão da rede viária é de louvar e, como diz o povo: “é melhor fazer pouco do que nada…”. No entanto, o investimento que foi feito neste tipo de obras talvez pudesse ter sido realizado de forma a corrigir os problemas existentes pelo seu grau de importância, pelo impacto gerado na circulação e contribuindo essencialmente para a segurança na coabitação entre peões e veículos.
Numa fase onde muitos municípios e cidades importantes apostam na qualidade de circulação dos peões, dos ciclistas e dos condutores, talvez fosse sensato que o Barreiro enveredasse pelo mesmo caminho, contribuindo também para uma cidade mais amiga do ambiente, onde não existam acumulações de trânsito em horas de ponta pois, afinal de contas, a nossa cidade não apresenta um volume de negócios nem de empresas que justifique as tenebrosas filas em hora de ponta. Na realidade, e infelizmente, o Barreiro tem apenas um polo de procura para os habitantes da margem sul e esse polo é o terminal fluvial, que tem como objetivo “mandar” os habitantes da margem sul para a nossa capital, fazendo com que os nossos cérebros e a força de trabalho fujam para Lisboa sem que nada seja feito; o Barreiro parece não ter a capacidade de cativar e apaixonar os seus habitantes e vizinhos municipais com a aposta na indústria, com a criação de mais postos de trabalho e com a melhoria da qualidade de vida para os seus munícipes.
Fica-se, por vezes, com a sensação de que estamos a ver a banda passar sem nada fazer para mudar o rumo das nossas vidas. Mas essas são outras histórias e outros problemas, por isso, vamos voltar às infraestruturas rodoviárias…
O Barreiro tem investido na materialização de rotundas de modo a aumentar a fluidez de circulação de vários cruzamentos da cidade, no entanto, essas intervenções estão a ser realizadas, essencialmente, em locais onde já existe sinalização semafórica, que “per si” resolve praticamente o problema de circulação e da fluidez do trânsito.
Mas então, porque não começar por tentar resolver os cruzamentos que atualmente geram filas bastante longas (ex.: cruzamento entre a Av. Escola dos Fuzileiros Navais e a Rua Capitães de Abril ou cruzamento entre a Av. Escola dos Fuzileiros Navais e a EN11-2)?
Porque é que a câmara municipal não intervém e tenta resolver problemas que estão perfeitamente identificados por técnicos camarários e por queixas dos munícipes?
Porque insistem os dirigentes autárquicos em materializar passeios sem continuidade, onde as pessoas são encaminhadas para zonas não pavimentadas ou para locais onde a faixa de rodagem não apresenta passadeiras?
Porque continuam os passeios da cidade repletos de carros que inviabilizam completamente a passagem de peões (com mobilidade normal ou reduzida) e de carrinhos de bebé?
Finalmente, porque investe o município em ciclovias que não se interligam com as ciclovias dos municípios limítrofes, de modo a criar verdadeiras ecovias que trariam, inclusive, mais turistas à cidade? E ainda, porque são criadas “falsas” ciclovias que a única coisa que fazem é permitir que os ciclistas partilhem o espaço que já é dos automóveis sem que sejam criados separadores físicos para garantir a proteção das pessoas que circulam de bicicleta?
Além de tudo o que já referi, sabemos que a cidade está repleta de sinalização vertical desatualizada, em mau estado de conservação e acompanhada da ausência de sinalização horizontal (marcas rodoviárias) ou por sinalização horizontal que não reflete durante a noite, fator que é absolutamente fundamental para os condutores de idade mais avançada, e que ainda por cima é a faixa etária mais representativa da cidade.
Gostaria de finalizar dizendo que, no Barreiro existem pessoas qualificadas que estão atentas às estratégias e às intervenções. Existem munícipes que acreditam que tudo deve ser feito pelo seu grau de importância e não pelo que tem mais visibilidade. Resta-me acreditar que um dia lá chegaremos.
Miguel Ângelo Mendes
Militante do CDS-PP Barreiro














