Temos o dever de valorizar os Recursos Naturais que temosPor João Pintassilgo
Barreiro

Por Jornal Rostos
O Planeta Terra não estaria hoje no estado lastimável em que se encontra, se o Homem tivesse tido ao longo dos anos, outra atenção com o Território que foi utilizando no seu processo de desenvolvimento, nomeadamente assumindo que este lhe estava apenas emprestado e que deveria garantir a continuidade dos recursos indispensáveis à sobrevivência das gerações vindouras.
Naturalmente que a riqueza dos Territórios, não foi distribuída pela Natureza de forma equitativa por todo o globo. Houve populações mais privilegiadas que outras, mas que raramente tiveram a sabedoria de o reconhecer, para que pudessem fazer uma gestão mais racional dos seus recursos.
Os Barreirenses, por exemplo, não têm grande razão de queixa pelo território que lhes coube ocupar durante a sua já longa história. Só o facto de ter tido a oportunidade de se instalar na margem dum grande estuário, como é o do Rio Tejo, pelas potencialidades dos recursos que tal localização geográfica lhe oferece, nomeadamente pelas perspectivas de actividade económica e paisagística.
Um outro recurso, cada vez mais valorizado, pelo seu contributo indispensável para a sobrevivência da Humanidade - a Água, bafejou o Concelho Barreiro, ao estar localizado sobre um dos maiores lençóis aquíferos da Península Ibérica, cujas águas apresentam excelentes qualidades. Grande responsabilidade foi atribuída aos felizes beneficiários que têm usufruído deste aquífero, que é a de preservarem e de mitigarem os eventuais impactes negativos de acções não controláveis pelo Homem, para que todos possamos continuar, agora e no futuro, a usufruir de tamanha riqueza.
Temos contudo a lamentar, que ao longo dos anos, a Gestão Municipal do Barreiro, nem sempre tenha dado a prioridade que se exigia na defesa dos Recursos Território e Água, como foi a negligente gestão da área envolvente da 1ª Captação de Água de Coina, que levou ao seu encerramento precoce. Como foi a impermeabilização da única área concelhia de Máxima Infiltração (zonas que contribuem para a alimentação dos aquíferos), com o licenciamento da Urbanização da Mata dos Lóios. Como está a ser o arrastamento no tempo da substituição das condutas em fibrocimento, ainda existentes, e ainda, entre outras, a ausência de medidas eficazes de combate às perdas e desperdícios nos sistemas de abastecimento de Água de Consumo Humano.
De igual forma, também lamentamos a má utilização industrial que foi feita, por consumos abusivos de água do mesmo aquífero, onde a ética se devia ter sobreposto ao deficiente controlo por quem de direito.
Em 2017 podemos e devemos festejar o 80º Aniversário do Abastecimento Público de Água do Barreiro, mas não podemos esquecer que Temos o dever de valorizar os Recursos Naturais que temos.
O Aquífero que nos dá de beber, não é propriedade do Barreiro nem de nenhuma entidade em particular, é pertença da Humanidade.
Barreiro, 17 Outubro 2016
João Pintassilgo














