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Quotidianos

Manuela Fonseca - uma pessoa vibrantePor Rosário Vaz
Barreiro

A partida da Manuela Fonseca foi sentida por muitos, mas a sua imagem permanecerá sempre entre os amigos, nos quais faço questão de me incluir.

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Manuela Fonseca - uma pessoa vibrante Por Rosário Vaz Barreiro

Por Jornal Rostos

De mente aberta, raciocínio fulgurante e discurso às vezes quase inatingível, muito facilmente, num simples encontro pelas ruas do Barreiro, a Manuela nos fazia mergulhar numa imensidão de assuntos - os seus múltiplos mundos - desde o da família oriunda do Alentejo e de velhos operários da ferrovia, ao da literatura, da política e do desporto, sem esquecer o do seu forte apego a Albufeira, onde sempre voltava com a mesma alegria e expectativa de um bom mergulho de mar.
De sorriso fácil, não deixava de ser sarcástica, particularmente nas referências de índole política.
Era uma pessoa vibrante e que nos agarrava facilmente.
Foi das primeiras pessoas com quem me relacionei à minha chegada ao Barreiro, já lá vão muitos anos.
A entrada na Faculdade de Letras, a ida para a Escola Secundária dos Casquilhos, as cumplicidades de ordem política e a permanência em tempo comum na Escola Superior de Educação de Setúbal haviam de nos trazer laços de forte amizade.

Recordo, com gratidão, como, em determinada altura da minha recente estada no Barreiro, me recebeu por uns meses em sua casa, na R. Dr. António José de Almeida e como a D. Maria Horta, sua mãe, me acarinhara.
Recordo também, com saudade, como ela disfrutara do convívio dos meus familiares, quando algumas vezes passou férias comigo no Cercal e em Vila Nova de Milfontes.
Não deixo de recordar ainda as inúmeras boleias que lhe dava para a ESE de Setúbal, ocasião em que, infalivelmente, se atrasava em relação à hora combinada. Ainda assim, mal entrava no carro, havia sempre assunto de última hora com que fazia questão de me actualizar, para logo depois afirmar que seria a última vez que se atrasaria.
Todas as boas recordações viriam mais tarde a ser ensombradas com a notícia da doença a que reagiu com uma coragem inesperada e tão duradoura quanto o sofrimento.
A partida da Manuela Fonseca foi sentida por muitos, mas a sua imagem permanecerá sempre entre os amigos, nos quais faço questão de me incluir.

Rosário Vaz

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