O 1º Conde do LavradioPor João Naia da Silva
Barreiro

Por Jornal Rostos
D. Luís de Mendonça Furtado nasceu por volta do ano de 1627 na Quinta da Fonte (actual zona compreendida entre o Bairro Novo da CUF, a Estação do Lavradio e o Bairro dos Engenheiros), propriedade da sua família. Filho do segundo matrimónio pela parte do pai, Pedro de Mendonça Furtado, e do primeiro da parte da mãe, D. Antónia de Mendonça e Albuquerque, cresceu no, na altura, lugar do Lavradio tornando-se por isso muito afeito a esta terra.
O seu pai teria sido Alcaide-mor de Mourão, vila do distrito de Évora, e posteriormente Guarda-mor do Rei D. João IV, sendo por isso a sua família bastante ligada à Corte Portuguesa.
A 1 de Dezembro de 1640, com apenas 13 anos, acompanha o seu pai no assalto ao Paço, estando sempre presente em toda a ocorrência da Restauração da Independência de Portugal, que ocorreu nesse mesmo dia. Por esse motivo, e pela alta fidelidade do seu pai ao então rei D. João IV, D. Luís de Mendonça Furtado torna-se desde cedo bastante estimado pelo próprio Rei e pela Rainha.
Dividido entre Portugal e a Índia, passa grande parte da vida em acções guerreiras como capitão-mor onde combate contra as tropas de Hidalcão e contra diversos piratas Holandeses. Sobe na carreira e em 1657 passa a ser general dos Galeões de Alto Bordo, combatendo na Fortaleza de Mormugão.
Entre 1661 e 1662 integra o Conselho de Governo Interino da Índia, e acabando o seu mandato, retorna a Portugal, mais precisamente à propriedade da sua família no Lavradio. Durante cerca de 7 anos procura desenvolver a sua terra e por gostar muito dela, vários esforços fez para torna-la Vila, até que a 16 de Março de 1670, a seu constante pedido, o Lavradio é então elevado a Vila e é-lhe doado pelo então Príncipe D. Pedro II, passando D. Luís de Mendonça Furtado a ter o titulo de 1º Conde do Lavradio.
Em 1671 é nomeado como Vice-rei e Governador da Índia, e toma posse desse cargo em Goa, a 22 de Maio desse mesmo ano. As suas altas funções estendem-se até 1677, quando em 30 de Maio desse mesmo ano as entrega ao Conde de Assumar D. Pedro de Almeida. Decide então retornar a Portugal, e faz a sua viagem num navio que viria a fazer, antes de chegar a Portugal, uma paragem no Brasil. O Conde, que já se encontrava gravemente doente desde que saíra da Índia, viria a falecer na cidade de Baía, imediatamente antes do seu barco zarpar rumo a Portugal, no ano de 1677.
Por ser solteiro e não ter tido descendência, o seu titulo nobiliárquico foi passado para a Coroa Portuguesa, voltando mais tarde para os Condes de Avintes, e a sua Herança passa para o seu irmão mais novo Jerónimo de Mendonça Furtado e Albuquerque.
A sua propriedade Quinta da Fonte, continuou no seio da sua família, até a partir de 1858 ter começado a ser vendida e comprada por diversos proprietários. A propriedade já teria sido atravessada pela construção da Linha Ferroviária do Sul que teria ocorrido 4 anos antes, em 1854. Em 1920, por apenas 6 contos de réis, a CUF adquire a propriedade, onde são plantados eucaliptos que mais tarde são retirados, juntamente com a demolição do que restava das casas da quinta, para dar lugar a que de um lado da linha, se construísse moradias para os altos funcionários da CUF, e do outro lado da mesma linha, se construísse blocos de apartamentos para outros funcionários da Empresa, onde ainda hoje se podem ver alguns eucaliptos que acabaram por ser poupados.
João Naia da Silva














