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Quotidianos

COLECTIVIDADES - Participação dos associadosPor Dourado Mendes
Barreiro

Entendemos que a participação dos associados sempre foi e continua a ser essencial para a continuidade deste modelo associativo, democrático e cultural, que um grupo de democratas criou há dois séculos.

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COLECTIVIDADES - Participação dos associados Por Dourado Mendes Barreiro

Por Jornal Rostos

Quando apreciamos, no nosso país, a actual situação das colectividades de cultura e recreio um dos assuntos mais relevantes é a fraca participação dos associados.
Ao longo da história de qualquer colectividade, particularmente das mais antigas, verifica-se que, em determinados períodos, os sócios participaram com entusiasmo e noutros, simplesmente, se afastaram.
E também podemos verificar que a participação ou a não participação dos associados não resulta de vivermos na Monarquia ou na República, na Ditadura ou na Democracia, se estamos em tempo de crise ou não, nem tão pouco se a colectividade está situada no Norte ou no Sul, numa cidade ou numa aldeia.
Nas colectividades, em todos os tempos, em todas as situações e em todos os lugares vamos encontrar bons exemplos de participação associativa alternados com outros que são desanimadores.
Mas também é normal, no historial de uma colectividade, encontrarmos períodos de maior ou menor participação dos sócios conforme a direcção que está em exercício.
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A propósito da fraca participação dos associados nas suas colectividades, ouvem-se as mais variadas razões, quase sempre, para não dizer sempre, atribuindo as culpas aos sócios e só aos sócios. Esta é uma apreciação que não corresponde à realidade.
A participação dos sócios não se faz por iniciativa dos próprios, mas sim da colectividade, através dos seus órgãos sociais.
Em nosso entender, a participação é o retorno da ligação que a Colectividade estabelece com os seus associados.
Se a Colectividade ignora os sócios, estes respondem da mesma forma.
Em tempos recuados, o envio da convocatória ou do convite era dispendioso, o que não acontece hoje dado os meios de comunicação existentes.

No final de cada ano, as colectividades aprovam, em Assembleia Geral, o Plano de Actividades para o exercício seguinte. São poucas, muito poucas, as colectividades que convidam os sócios para darem, em devido tempo, a sua opinião sobre as actividades a realizar no ano seguinte.
Salvo honrosas excepções, que muito admiramos, somos levados a admitir que a Democracia Participativa tem muita dificuldade em entrar nas democráticas colectividades.
E quando chega a altura da aprovação em Assembleia Geral, também salvo algumas excepções, o Plano de Actividades é aprovado, por unanimidade, numa Assembleia constituída apenas pelos órgãos sociais e pouco mais. Importa ressalvar as colectividades que fazem chegar a convocatória a todos os sócios quer seja pelo correio, pela internet, por mão própria, pelo telefone ou até de viva voz. Todos os meios são aceitáveis.

Há colectividades que criam uma estrutura associativa constituída por grupos de trabalho, secções, tertúlias, clubes de leitura e muitas outras formas de participação, devidamente coordenadas pelos dirigentes eleitos. Com a participação destes associados é possível melhorar a realização das actividades próprias de cada colectividade e proporcionar outras sobre os problemas do mundo em que vivemos, como, por exemplo, a Paz, o Ambiente, a Água, a Fome, os Transgénicos, a Globalização, os Refugiados e tantos outros, tendo, apenas, como limites os Estatutos e a Democracia.
E´ evidente que a participação não acaba nestes sócios de colaboração activa.
Há outros, também importantes para a colectividade, que, na qualidade de utentes, utilizam o bar, a área de convívio, a sala de leitura, a de informática e outros espaços que possam existir.
E também merecem ser considerados aqueles que, apenas, contribuem com a sua presença nas actividades que se realizam.
São todos estes sócios, com diferentes participações, que dão vida às colectividades.

No Congresso das Colectividades de 1993 a participação dos associados mereceu elevado interesse dos congressistas. Passados vinte anos, destacados dirigentes associativos reuniram durante meses consecutivos, por esse país fora, abordando todos os assuntos ligados ao associativismo menos a participação dos associados, o que não deixa de ser estranho, ou talvez não.
Entendemos que a participação dos associados sempre foi e continua a ser essencial para a continuidade deste modelo associativo, democrático e cultural, que um grupo de democratas criou há dois séculos. É nosso entendimento, naturalmente discutível, de que a participação dos sócios depende da iniciativa da Direcção e, no caso das Assembleias Gerais, assume responsabilidades acrescidas a Mesa que representa a Assembleia Geral, órgão supremo da colectividade.

As colectividades de cultura e recreio, tendo sempre presente a evolução da Sociedade, devem afirmar-se como espaços de Cultura, de Democracia e de Participação dos Associados.

Dourado Mendes

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