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Quotidianos

INFORMAR COMO SERVIÇO PÚBLICOPor Luís nascimento
Barreiro

O serviço público do jornalismo passa por corresponder aos anseios dos públicos, promover a mobilização social, melhorar o debate público, rever a agenda pública, ajudar os cidadãos a compreenderem o contexto dos acontecimentos.

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INFORMAR COMO SERVIÇO PÚBLICO Por Luís nascimento Barreiro

Por Jornal Rostos

Iniciei a minha actividade como jornalista em 1987 e desempenhei a profissão nos vinte e sete anos seguintes. Com a humildade possível. E no meu crescimento profissional fui ganhando a consciência de que o jornalismo é um serviço público e isso não teve a ver apenas com o facto de ter trabalhado durante duas décadas como quadro da empresa estatal RDP/RTP. Em todas as outras onde prestei serviços, do sector privado, senti que com o resultado do que publicava, dos meus noticiários, entrevistas, reportagens, procurava informar sim, mas também ter uma função social. O serviço público do jornalismo passa por corresponder aos anseios dos públicos, promover a mobilização social, melhorar o debate público, rever a agenda pública, ajudar os cidadãos a compreenderem o contexto dos acontecimentos.
Essencial a esta demanda da informação como serviço público, são os jornais locais e jornais.
Em tempos escrevi que a imprensa regional atravessa uma crise estrutural e conjuntural grave, sentida particularmente na última década e meia. No caso do concelho do Barreiro, sobrevive o jornal “Rostos”, graças ao empenho do António Sousa Pereira, referencial ético reconhecido por vários quadrantes há várias décadas, que se estende também a uma participação cívica. A edição é a única que nos vai dando as notícias do concelho e das terras vizinhas e é isso que se espera de um jornal diário on-line, que também edita artigos de opinião representativos de várias correntes de pensamento.
São também escassos os jornais de circulação diária ou periódica no Distrito, como o “Diário da Região”, com os recursos humanos e investimentos publicitários possíveis e que são casos de sobrevivência no actual contexto de crise prolongada da imprensa regional do País.
Quando dei os primeiros passos, com apenas vinte anos de idade, como redactor no extinto “Voz do Barreiro”, havia mais jornais no meu concelho e dezenas de outros no Distrito de Setúbal. Cheguei a ir com o meu chefe a encontros nacionais da imprensa regional onde a palavra “crise” e “dificuldades” quase não constavam do vocabulário dos participantes. Faziam-se muitos contratos de angariação de anúncios para jornais, incluindo no Barreiro. As rádios locais passavam longos espaços comerciais.
Isso ajudava as publicações a melhorarem os seus recursos humanos nas redacções, com mais repórteres, e mais serviço no interesse dos leitores.
Dois anos depois da minha experiencia como estagiário, integrei outras redacções noutras cidades e perdi o contacto com a realidade da imprensa regional. Acompanhava mais à distância, ainda que em acumulação tivesse sido correspondente local do “Público”, no Barreiro, no início dos anos 1990.
Não sendo natural do Barreiro e sem raízes familiares e culturais com esta terra de muitas histórias, creio que tanto há quase três décadas como em 2014, tentei honrar da melhor maneira esse desígnio do jornalismo como serviço público. Simbolicamente e por necessidade, encerrei a minha carreira em 2014, numa espécie de “regresso” às origens, com quatro reportagens sobre o Barreiro, no “Público”. E expresso gratidão às minhas fontes, autarcas, agentes culturais, sociais, “forças vivas” e aos meus leitores. Escrevo isto com alguma emoção, porque escrever não é um mero acto frio e racional.

LUIS NASCIMENTO
EX-JORNALISTA

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