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Quotidianos

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS A 1 DE OUTUBRO- participar, uma oportunidade e um dever cívico
Por Carlos Pires
Barreiro

A abstenção tem sido, infelizmente uma opção cada vez mais presente nos eleitores barreirenses, particularmente nas Eleições Autárquicas. Maiorias, algumas absolutas, resultantes das escolhas de percentagens baixas de eleitores inscritos, são democraticamente legítimas, mas não fortalecem a democracia por pouco representativas.

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ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS A 1 DE OUTUBRO - participar, uma oportunidade e um dever cívico Por Carlos Pires Barreiro

Por Jornal Rostos

O mundo está cada vez mais incerto e a concorrência pelos recursos e disponibilidades existentes é cada vez mais agressiva, porque aqueles e estas são cada vez mais parcos, bem como difusa e antecipadamente alocada a sua aplicação.

O estado de contínuo declínio social e económico de que o Barreiro vem dando nota, fruto de opções dos tempos, hoje agravadas pelo desenquadramento do nosso concelho dos eixos de desenvolvimento regionais e nacionais, é cada vez mais evidente e, assim, indesmentível.

É neste quadro que as Eleições Autárquicas, marcadas para o próximo dia 1 de outubro, irão decorrer. Estaremos, certamente, perante um panorama diverso de programas e de equipas que ali se proporão conduzir os destinos das nossas autarquias no quadriénio 2017-2021.

Como eleitores, teremos então a oportunidade para refletir e fazer as nossas escolhas em relação ao presente e ao futuro da nossa terra. Identificadas as necessidades e os constrangimentos da comunidade onde nos inserimos, poderemos optar pelas ideias, causas e projetos que, na nossa opinião, melhor os possam ultrapassar. Aferindo as condições e as oportunidades que se nos deparam, poderemos eleger as equipas que melhores condições apresentam para as prosseguir.

Do que decorre das eleições autárquicas, nelas participar é, assim e também, um dever cívico. Mais que exercer livremente um direito constitucional, ou correspondermos a afinidades e empatias, as nossas opções devem ali fundamentalmente assentar na nossa responsabilidade cívica. Fazer as nossas escolhas, em consciência, pelo que julgamos melhor para a nossa terra, assume um carácter fundamental para o nosso futuro coletivo.

As eleições autárquicas têm a ver com a vida de cada um e de todos os que aqui vivem, ao contrário do que muitos infelizmente pensam, porque nelas não participam. É inquestionável que as competências e assim a ação das autarquias têm reflexos na qualificação, ou não, do que, quando, onde e como vivemos. Da qualidade dos serviços que prestam, aos impostos, taxas e tarifas cobrados, passando pelas condições que promovem e disponibilizam para a fixação de atividades económicas, múltiplas são as responsabilidades das autarquias sustentadas nas decisões dos que, deste modo, elegemos para as dirigir.

A abstenção tem sido, infelizmente uma opção cada vez mais presente nos eleitores barreirenses, particularmente nas Eleições Autárquicas. Maiorias, algumas absolutas, resultantes das escolhas de percentagens baixas de eleitores inscritos, são democraticamente legítimas, mas não fortalecem a democracia por pouco representativas.

Desde os anos 90 que perto de 50% dos eleitores do nosso concelho se têm abstido de participar nos atos eleitorais autárquicos. Em 2013 a abstenção atingiu mesmo os 58%, apesar da limpeza dos cadernos eleitorais realizado. Sem minorar a validade democrática dos resultados então verificados, importa que se constate que as forças políticas então vencedoras nas diversas autarquias do nosso concelho, quase todas, na circunstância, com maioria absoluta, registaram assim a escolha de, cerca e apenas, 20% dos respetivos eleitores inscritos.

Por isso há que contender a abstenção, promovendo o direito, mas também responsabilizando os nossos concidadãos pelo seu dever, de participação. Mesmo sendo uma opção hoje legítima, deixar para os outros decisões que a todos cumprem, não desresponsabilizam dessas decisões os que assim procedem. Acresce que, tratando-se a participação nos atos eleitorais do exercício da liberdade que a democracia nos proporciona, não fazê-lo é prescindir dessa liberdade e assim, a prazo, esvaziar e condicionar a democracia.

Combater a abstenção será pugnar pelo reforço da representatividade dos eleitos e assim promover a qualificação da democracia, pelo que deverá ser uma prioridade de todos. Num concelho em que profusamente se proclama que a sua gestão e ação assenta na participação, será de todo conveniente que as diversas autarquias, em vez de esgotarem os muitos meios de comunicação que dispõem na autopromoção propagandística, quantas vezes colada à obra por outros realizada, desde já os dediquem também à promoção da participação dos cidadãos barreirenses nas próximas eleições autárquicas. Voltar a verificar-se os altíssimos níveis de abstenção verificados no passado recente, não será certamente matéria de orgulho para o “Barreiro - Concelho da Participação”.

O concelho é de todos e para todos os que cá vivem. Os atos eleitorais autárquicos, reafirmamos, têm a ver com a vida de todos nós. Participar nas Eleições Autárquicas do próximo dia 1 de Outubro não só justifica a democracia em que nos apraz viver, como consagra a nossa integração plena na comunidade a que pertencemos. Por cada um e por todos nós, será, como referimos, não só uma oportunidade para fazer escolhas relativamente ao nosso presente e futuro, mas também um dever de cidadania para com a nossa terra - o Barreiro.

Carlos M. Pires
Cidadão do Barreiro
Militante e Dirigente do PS

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