Uma verdadeira estratégia turística para o BarreiroPor André Brás dos Santos
Barreiro

Por Jornal Rostos
No início desta semana saiu uma notícia jornal expresso, sobre a política turística da Margem Sul, em especial a que está associada ao Lisbon South Bay, que passa por ser um projeto promovido pela Empresa Pública da Baía Tejo em parceria com as autarquias do Barreiro, Almada e do Seixal, com objetivo de requalificar, desenvolver e promover os territórios da margem sul do Rio Tejo, bem assim como, a que pode advir da adjudicação e construção do novo aeroporto do Montijo, estando previsto um aumento da oferta hoteleira para a região na ordem dos 1000 quartos.
http://expresso.sapo.pt/economia/2017-05-14-Margem-sul-do-Tejo-prepara-oferta-de-quase-1000-quartos
Quando vi a notícia pensei para os meus botões, finalmente uma boa nova no plano económico do nosso Barreiro, no entanto quando leio em pormenor o texto deparo-me que a possível boa notícia, afinal não passava de uma mera miragem neste deserto económico em que vivemos. Infelizmente tal não me espanta, pois só vem reforçar a posição que tem sido tomada pelo Partido Socialista do Barreiro, que tem vindo a questionar sucessivamente em Assembleia Municipal o atual executivo liderado pela CDU, sobre “qual a estratégia do executivo camarário para o desenvolvimento económico e atracão de investimento no Barreiro?”.
Atrevo-me a dizer que caso exista uma estratégia definida, há muito para explicar, então no plano do turismo creio que tem que ser devidamente reformulada, como podemos observar no texto da notícia, o Barreiro juntamente com a Moita são os únicos concelhos da região do Arco Ribeirinho Sul do Tejo que não preveem um aumento do número de quartos para dormidas nos próximos anos.
O executivo prefere assim apontar como polos dinamizadores do turismo do concelho, a Quinta do Braamcamp, adquirida pela autarquia há sensivelmente um ano, a zona de Alburrica que contem os 7 moinhos de maré descritos, e a aquisição/construção da Muleta do Tejo.
Apesar de serem elementos diferenciadores da nossa cidade, fico preocupado por não vislumbrar uma visão séria de dinamização do espaço, tendo em conta que foram gastos milhões de euros na aquisição da propriedade e que, conforme a competência de quem a dinamizar, e a forma como o faça, poderá ser uma alavanca ou um fardo para o desenvolvimento do Barreiro. Deve a autarquia gerir esta zona para que se enquadre com uma verdadeira estratégia de turismo para a cidade, que beneficie os cidadãos barreirenses.
Uma estratégia nesta área, na minha opinião, deve em primeiro lugar passar pela boa divulgação das enumeras oportunidades de visita que o Barreiro pode oferecer, e acima de tudo, por atrair investidores hoteleiros com interesse em investir nas áreas diferenciadoras do concelho, como por exemplo o espólio industrial e ferroviário; a criação de uma rota dos descobrimentos, que pode partir de Lisboa e envolver os concelhos do Barreiro, Seixal e Almada; a biodiversidade do Sapal do Rio Coina, em especial a possibilidades do turismo associado ao birdwatching; turismo ligado ao associativismo e à cultura produzida no Barreiro; turismo balnear, as praias do Barreiro estão a cerca de 30 minutos do centro de Lisboa; turismo associado ao deporto, em especial ao náutico; e é claro o turismo associado à exploração da zona de Alburrica, da Quinta Braamcamp da Avenida da Praia e do Barreiro Velho.
O Lisbon South Bay e o novo aeroporto do Montijo são oportunidades que têm que ser devidamente aproveitadas. O investimento e a estratégia no Barreiro não pode exclusivamente passar por meras operações de cosmética na melhoria e na construção de novas vias, que são importantes é certo. É impensável haver estas oportunidades e não existir um foco por parte da autarquia numa política de atração de investimentos privados, na atração de empregos, e de revitalização do próprio comercio local. É impensável com o crescimento exponencial do Turismo em Lisboa, em que está a atingir possivelmente os seus limites, existir um posto de Turismo no centro do Barreiro e não junto ao Terminal Fluvial, onde por ventura chegam alguns turistas aventureiros e curiosos que não sabem por onde explorar a nossa terra. Ou indo mais longe, com a aquisição de uma banca ou de posto Turístico junto ao terminal Fluvial do Sul e Sudeste de Lisboa, que permita fazer a devida divulgação das atuais e futuras rotas no Barreiro aos milhares de turistas que passam diariamente pelo Terreiro do Paço.
Num ano sensível como este, em que no dia 1 de Outubro de 2017 pode sempre haver uma mudança no plano autárquico, é sempre bom discutir quais as atuais visões de cada um dos intervenientes políticos, e perceber que certamente há outras alternativas que podem novamente Afirmar o Barreiro para seu caminho de cidade inovadora e de desenvolvimento.
O Barreiro necessita assim de se rejuvenescer em termos populacionais, necessita de atrair novamente a população que foi perdendo ao longo dos últimos 30 anos. Sendo que é necessário aproveitar as oportunidades em vista, e aliar o investimento e o esforço da gestão autárquica com os investimentos privados, com os comerciantes locais e com as instituições do concelho.
Eu quero um Barreiro mais turístico, e vocês?
André Brás dos Santos
Gestor,
Membro do secretariado da JS do Barreiro e membro da equipa de candidatos do PS à AMB.














