Quem abraça os homens grandes?Por André Pinotes Batista
Barreiro
O António admirava-me e isso esmaga-me.

Por Jornal Rostos
O Toninho morreu e é imperativo que algo se escreva sobre isso. Pelo menos eu tenho que escrever sobre isso.
O António Cabós Gonçalves foi tanta coisa que, em boa justiça, não há coisa nenhuma que se lhe possa dedicar com plena propriedade. Já antes do Salvador cantar, decidiu viver a amar por ele, a amar por dois e até, sempre que necessário, a amar por todos.
O António foi na verdade muitos e contraditórios Antónios. Todos diferentes, todos construídos e destruídos na Liberdade de que era radical militante, no Amor que praticava como que se de uma confissão religiosa se tratasse ou nos desejos do Futuro que o alimentaram e com os quais nos alimentou. E se foi pai, avô, amante, padrinho e outras coisas mundanas que ora choramos, foi também um orador como nenhum outro, um genial provocador, um discreto benemérito, um orientador de vocações e um embaixador de tudo o que era positivo. Destes Antónios nada há a chorar, porque estes Antónios perduram alegres em nós.
A cada linha que escrevo a esforço, neste bacilento ecrã, assalta-me mais uma vivência partilhada, prova cabal do que escrevo: está vivo o Cabós que nos desassossegava, animava e reperspetivava.
Resumindo o que não tem resumo, o Tó encheu ao palco desta vida, e nos seus altos e baixos, homenageou-nos com uma extravagante performance.
Morreu um homem que viveu uma vida cheia a amar a direito e a pensar ao contrário. E depois havia o Barreiro. Era o Barreiro. É o Barreiro. Mas sobre isso não quero escrever…
O António admirava-me e isso esmaga-me.
O Toninho viveu e era imperativo escrever sobre isso. E se deste texto sobrar alguma coisa a que nos possamos agarrar, que seja o bom fundo de um homem imenso.
Desculpa António, mas “inconseguiste” morrer.
“Façam-me o favor de ser felizes.”
André Pinotes Batista














