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Greve na Autoeuropa ou um «crash test»Por Daniel Bernardino
Palmela

A decisão dos trabalhadores recorrerem à greve não é colocada em causa, é um direito que lhes assiste, mas será que era mesmo necessária? Houve precipitação de todos! Assistimos a uma negociação demasiado longa com uma administração que deixou arrastar uma situação que seria previsível vir a ter consequências, mas quando se viu num beco sem saída aprovou um pré acordo que estava praticamente reprovado antes de o ser, bastava ouvir os trabalhadores

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Greve na Autoeuropa ou um «crash test» Por Daniel Bernardino Palmela

Por Jornal Rostos

Os trabalhadores da Autoeuropa e do parque industrial sempre foram conduzidos através do diálogo social e, com paz social têm resolvido os seus problemas ao longo de 25 anos, obtendo na maioria das vezes o consenso nas decisões colocadas a referendo e votadas através de voto secreto pelos trabalhadores, foi sempre uma espécie de "test drive".
Esta tem sido a forma diferente daquilo a que patrões e sindicatos nos têm habituado no nosso país, com um democracia directa que não agrada aos sindicatos afectos à CGTP, conduzida pelas comissões de trabalhadores.

Seja na Autoeuropa ou nos fornecedores, onde em anos anteriores também se votou contra em acordos que foram realizados entre comissões de trabalhadores e as respectivas administrações, mas nunca foi necessário recorrer à greve.
Vivemos um momento de crescimento, de criação de emprego e com enorme potencial para pertencermos ao top de produção das grandes fábricas que a VW tem pelo mundo ou o agarramos ou não nesta globalização a que estamos sujeitos com uma competitividade feroz.

A decisão dos trabalhadores recorrerem à greve não é colocada em causa, é um direito que lhes assiste, mas será que era mesmo necessária? Houve precipitação de todos! Assistimos a uma negociação demasiado longa com uma administração que deixou arrastar uma situação que seria previsível vir a ter consequências, mas quando se viu num beco sem saída aprovou um pré acordo que estava praticamente reprovado antes de o ser, bastava ouvir os trabalhadores.

Há alternativas? Para o sindicato SITE Sul a alternativa é o trabalho extraordinário ao sábado, não apresenta soluções(refugia-se em " os trabalhadores é que decidem" assim é fácil e não dá trabalho!) Como é possível ver o sindicato a defender o trabalho extraordinário, o qual é contraditório com a criação de postos de trabalho! Sindicato este que tem um pré aviso de greve ao trabalho extraordinário devido ao contrato colectivo que tem caducado, mas que falta de coerência! Mas que confusão para os trabalhadores!

Segundo os dados revelamos pela administração da Autoeuropa foram 60% de trabalhadores que não fizeram greve, certamente terão as suas razões para não terem feito. Neste momento vale o que vale para o que aconteceu pela primeira vez, uma greve contra a administração da Autoeuropa que teve 40% de adesão, colocaram a bandeira no castelo!

Assistimos à instrumentalização dos trabalhadores pelas formas mais bizarras com populistas que nem a Autoeuropa conhecem alguns dos
quais os trabalhadores também nunca viram conseguiram infiltrar a sua demagogia em 40% dos trabalhadores, resta-nos saber se este "crash test" que realizaram com esta greve terá aprovação no final para uma alternativa ou solução para todos, Autoeuropa e parque industrial.

Resta agora saber se uma nova comissão de trabalhadores, a ser eleita após o "assalto ao castelo" (expressão utilizada pelo coordenador demissionário da actual comissão de trabalhadores) a qual é bastante assertiva, será constituída pelos populistas ou demagogos que proporcionaram ao país uma visão, através dos vários órgãos de comunicação social, a outra face dos representantes dos trabalhadores da Autoeuropa que já estavam "enterrados" e que agora ressuscitaram.

Daniel Bernardino
Membro da Coordenadora das Comissões de Trabalhadores
Parque Industrial VW Autoeuropa

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