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Quotidianos

FEIRA POPULAR NO BARREIRO?Por Armando Teixeira
Barreiro

O projecto/ambição, apresentado por uma das forças políticas concorrentes à autarquia barreirense, para a construção de um “Parque Temático”, na área da Quinta do Braamcamp, merece o chumbo e o repúdio da população do Barreiro.

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FEIRA POPULAR NO BARREIRO? Por Armando Teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos

1. Depois do chumbo do Estudo de Impacto Ambiental, do projecto megalómano que queria trazer o porto de Lisboa para o Barreiro (porque “carga de água” tem de sair de Lisboa?), repudiado pela generalidade da população barreirense, eis que surge outro projecto vindo das mesmas bandas, que de igual forma não respeita a natureza, o equilíbrio ambiental, a paisagem e o património histórico do Barreiro.
Como o primeiro, o projecto/ambição, apresentado por uma das forças políticas concorrentes à autarquia barreirense, para a construção de um “Parque Temático”, na área da Quinta do Braamcamp, merece o chumbo e o repúdio da população do Barreiro.

2. Assistimos com constrangimento e desgosto ao fim da Feira Popular de Lisboa, onde íamos todos os anos por tradição familiar, comer a boa sardinha (e o cheiro!...), assistir ao “Poço da Morte” e a outros divertimentos.
Nos finais dos anos 90 do século XX, quando lá voltámos com filhos e sobrinhos, após um interregno de alguns anos, o ambiente era de total decadência. Meia dúzia de pessoas e tudo “às moscas”, até a “Montanha Russa” e a “Roda Gigante”, estavam à espera dos raros visitantes (andaram só para nós, numa espécie de despedida!).
É assim a vida, hábitos e costumes civilizacionais vão-se modificando (nem sempre para melhor é verdade!), os processos vão envelhecendo, caiem em desuso, estiolam. Por isso a nossa interrogação espantada: Querem trazer um “Parque de Diversões “ com “Ondas”, “Rodas”, “Insufláveis” (uma nova Feira Popular?!) para o Barreiro?

3. O Barreiro precisa de diversificar as formas de se desenvolver e ultrapassar os constrangimentos provocados pelo abandono da grande indústria e o fim do centenário interface ferroviário.
O turismo vocacionado surge como uma das formas (entre outras várias e diversificadas), aproveitando o impulso (conjuntural?) do turismo que invade a capital.
A sugestão que já deixámos noutros fóruns, da criação de “Roteiros Vivos da Memória”, sendo um obrigatoriamente o “Roteiro dos Ventos e Marés” (outros seriam o “Roteiro do comboio e da Indústria” e o terceiro o “Roteiro Ferroviário”), vai ao encontro do trabalho já desenvolvido pela actual gestão autárquica que urge complementar (como de resto se propõe).

Tendo como “placa giratória” comum a todos eles, a Estação Ferro-Fluvial Antiga (Miguel Pais), recuperada e multiutilizada (Centro Interpretativo do Tejo [1], Bar /restauração, Salas polivalentes, Reposição da Linha), através de um Circuito Pedonal, passando pelas Oficinas, rua Miguel Pais, Passadiços (Moinhos de Maré a recuperar), Alburrica (terra de esplendor a ver o pôr-do-sol!), Moinhos de Vento (Nascente recentemente recuperado), terminaria na Quinta
do Braamcamp, também a iniciar a recuperação gradual.

4. Esta recuperação para a qual está um estudo em elaboração que deverá ser colocado à discussão pública [2], terá de assentar no respeito pelas excepcionais condições ambientais com que a natureza nos brindou, e na valorização do património histórico da magnífica quinta, naquilo que for possível preservar (Moinho de Maré. Parte das construções da Mansão, testemunhos da indústria corticeira).
A “Caldeira dos Ingleses”, na sua função natural de produtora de alimentos para a fauna fluvial, de santuário de aves marinhas, de paisagem húmida integrada no perímetro fantástico Mexilhoeiro/Alburrica, é intocável! (Aliás proibido pelas leis do ambiente e da biodiversidade!).

5.Ainda que algumas ideias do projecto em apreciação tenham interesse prospectivo: campos desportivos, melhoria da Praia Norte (a Praia da Bela Vista!), restauração, zonas de lazer, o desprezo tecnocrático e de estreita visão “empreendedorística”, pelo património ambiental e histórico, pelas magníficas condições naturais e pelo usufruto gratuito da população (o “cheque cultura” de 20 euros só dava para duas voltinhas na “Roda”), merece o chumbo liminar em qualquer “Estudo de Impacto Ambiental”, e o repúdio dos barreirenses!
Como mereceu o outro projecto do “Porto de Lisboa no Barreiro”.

[1] Proposta de Carla Marina Santos
[2] Informação do presidente da Câmara na inauguração do Moinho Nascente.

Barreiro. 27/9/2017
Armando de Sousa Teixeira, membro da Direcção da
Associação Barreiro Património, Memória e Futuro

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