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Quotidianos

PARA QUE NUNCA ESQUEÇA11 NOVEMBRO 1967 - 11 NOVEMBRO 2017 – FAZ HOJE 50 ANOS
Por Alfredo Matos
Barreiro

Foi um momento particularmente emocionante e de exaltação democrática quando Zeca Afonso, perante insistência continuada a que não resistiu, interpretou aquele libelo acusatório temível e sempre actual - “os Vampiros”.

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PARA QUE NUNCA ESQUEÇA 11 NOVEMBRO 1967 - 11 NOVEMBRO 2017 – FAZ HOJE 50 ANOS Por Alfredo Matos Barreiro

Por Jornal Rostos

Memorável concerto aquele! Talvez a maior e mais vibrante sessão de poesia e canto que encheu o ginásio do Luso do Barreiro, naquele sábado, 11 de Novembro de 1967, da iniciativa do Cineclube do Barreiro e da Comissão Cultural do Luso. Por esse motivo, a direcção do Cineclube, liderada por Álvaro Monteiro, viria a ser presa pela PIDE. Este foi mais um momento em que tomámos nas nossas mãos a procura da liberdade que o poder fascista nos negava.

Participaram Adriano Correia de Oliveira, Odete Santos que declamou poemas de António Gedeão e Manuel da Fonseca, Teresa Paula Brito que interpretou Para Não Dizer Que Não Falei De Flores e espirituais negros, Carlos Paredes e Fernando Alvim em temas como Verdes Anos e Zeca Afonso acompanhado à viola por Rui Pato. A apresentação esteve a cargo de Manuel Teixeira Gomes.

Foi um momento particularmente emocionante e de exaltação democrática quando Zeca Afonso, perante insistência continuada a que não resistiu, interpretou aquele libelo acusatório temível e sempre actual - “os Vampiros”. Todas as emoções transbordaram quando aquela Voz irrompe como um grito: “No céu cinzento/Sob o astro mudo/Batendo as asas/Pela noite calada/Vêm em bandos/Com pés de veludo/Chupar o sangue/Fresco da manada”. Ovação poderosa ecoou na sala. Em coro, todos a uma voz: “Eles comem tudo/Eles comem tudo/Eles comem tudo/E não deixam nada”.
Que noite inesquecível!

Vivia-se um impressionante e indescritível acontecimento, de grande impacto na região que, num período de crescentes acções políticas oposicionistas, empolgou o começo da movimentação dos democratas para o intenso período eleitoral de 1969, em que a CDE vence nas urnas a União Nacional, no Concelho do Barreiro.

Alfredo de Matos

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