Investimento Chinês em Portugal e o FuturoPor Emanuel Martins
Montijo

Por Jornal Rostos
Portugal foi o primeiro país do mundo ocidental a chegar à China por via marítima no ano de 1513 por Jorge Álvares, iniciando-se assim uma relação histórica de cinco séculos marcada assertivamente por Macau e pela ligação ao mar, onde tudo começou. Apenas em 1999 é que se sucede a transferência da soberania de Macau para a China, e esta longevidade no tempo permitiu a criação de laços históricos e culturais que ficaram enraizados entre os dois povos, que permitiram criar uma base de sustentação saudável, de confiança e de amizade. Por ser verdade, 6 anos após a transferência da soberania de Macau, é assinado a parceria global de estratégia entre Portugal e China. O acordo assinado na altura por Wen Jiabao e José Sócrates, previa um tratamento preferencial para Portugal e uma intensificação dos contactos bilaterais, além de isto representar um enorme peso político e económico no nosso país. Ficou claro de que agora era a vez da China vir até nós mostrando sinais evidentes de que jamais esqueceram o povo português. Assim, a parceria global de estratégia entre os dois países trouxe consigo benefícios para Portugal, desde já o investimento económico que os parceiros chineses proporcionaram ao nosso país e que foi evoluindo gradualmente, em 2011 o investimento chinês explode ultrapassando valores acima dos €5 mil milhões em vários sectores desde a banca até à saúde, com uma representatividade de aproximadamente 3% do nosso PIB. Em 2014 passamos a ser o quarto maior destino de investimento chinês na Europa. No ano seguinte, estima-se que a China já tenha investido mais de €9 mil milhões, o que tem uma representatividade no nosso PIB de cerca de 5%. Até à data, parece que o grupo Fosun foi das instituições que mais investiu no nosso país, já terá investido cerca de €2,8 mil milhões na aquisição da Caixa Geral de Depósitos, companhia de seguros Fidelidade, rede de hospitais Luz Saúde e possui uma participação de cerca de 24% no banco BCP. As administrações das empresas que controlam ficam intactas como foi visível com Jorge Magalhães Correia que continua a presidente da Fidelidade e Isabel Vaz, presidente da Luz Saúde. Mais, até ao momento, as empresas que os investidores chineses compraram não fizeram cortes, mantiveram o número de trabalhadores e estão assim a expandir os seus negócios.
Parece que a parceria global de estratégia que assinamos em 2005 com a China tem vindo a ser bem-sucedida, foram criadas mais condições que permita uma maior flexibilidade e simplicidade para os investidores chineses que agora usufruem de três voos diretos semanais de Lisboa para Pequim, iniciados em 2017.
Com um parceiro económico de grande peso cada vez mais presente no nosso território, é altura de apostar no futuro do porto de Sines para este incorporar o megaprojecto Chinês que possui uma cadeia de infraestruturas avaliadas em mais de $3 triliões. O megaprojecto é designado por “One Belt One Road”, consiste em estreitar as relações entre a Europa e a China através das conexões por via terrestre e marítima. Isto naturalmente vai ajudar a intensificar o nosso comércio com a China, caso consigamos fazer do porto de Sines um ponto de intercepção do OBOR. Além disto, a parceria global de estratégia que temos com a China pode progredir para um novo patamar de cooperação que certamente vai fortalecer, dinamizar e habilitar todo um mercado à espera de ainda mais investimento. Muitas oportunidades de negócio vão ser criadas para as empresas portuguesas favorecendo em especial o distrito de Setúbal, mas ao mesmo tempo vão também ser criados enormes desafios como, produzir em grande escala para exportar uma modesta quantia que irá de retorno nos navios para a China, construir infraestruturas capazes de assegurar toda uma fluidez e eficiência do mercado, gerir recursos para um mercado de 1,379 bilhões de pessoas, entre uma série de desafios em larga dimensão.














