RESPECTPor Rui Lopo
Barreiro

Por Jornal Rostos
Lembrei Aretha nestes dias em que nos disse adeus, a sua máxima e bandeira: Respect.
Assenta “que nem uma luva” no que sinto “andar por aí a passar” e por isso a usei por título.
Ando nisto da participação comunitária - no meu caso política - há algum tempo e tenho para mim que, quem o faz e é bem vindo e desejável que o faça, dignifique e prestigie as funções para que foi, neste caso, eleito.
Não aceito por justas e muito menos fundadas, algumas considerações ocas de que, os que “andam na política’’ são todos iguais.
Há que promover a participação na vida em comum; não liquidá-la.
Vamos ao que me traz hoje aqui a participar e, permitam dizer desde já que a questão não é:
1- a “coisa” (e “as” que o no futuro darei conta) relativamente pequena em causa;
Mas é:
2 - a gravidade relativamente grande das práticas do actual executivo municipal presidido por Frederico Rosa;
Vamos a factos:
1 - A “coisa”:
O piso do pavilhão desportivo da Escola Álvaro Velho (EAV) no Lavradio está velho e tem de ser substituído.
É um problema para os nossos jovens da EAV que não vão fazer desporto-debaixo-de-telha durante algum tempo e que vai ter de ser resolvido por quem tem a responsabilidade (e que aliás assumiu esse compromisso), autoridade e supostamente fundos para o fazer, isto é, o Ministério da Educação.
Não é positivo que a “coisa” tenha chegado a este ponto sem intervenção, mas não será necessariamente o fim-do-mundo se olharmos para outras questões que temos por resolver no Barreiro e que são da responsabilidade, essas sim, do executivo municipal.
Portanto é preciso entender quem é quem, quem deve fazer e pagar; porque o não fez; como e quando o vai fazer.
É isto que caracteriza a gestão consciente e responsável do património público e a defesa dos interesses da comunidade (uma das missões de estar eleito – representar a população / defender os seus interesses).
2 - A prática (política) que o executivo de Frederico Rosa associou à “coisa”:
Em finais de Agosto o executivo municipal apresentou em sessão pública uma proposta a responsabilizar a Câmara do Barreiro pela renovação do piso do pavilhão da EAV, sem orçamento escrito, sem projeto, diria, sem nada.
Uma condição única: o prazo de conclusão da obra tinha de ser no início de Setembro.
Estranho.
Quem tem responsabilidade, autoridade, competência e dotação orçamental para o fazer é o Ministério da Educação.
Porquê fazê-lo com o pouco dinheiro que a autarquia tem para tudo o mais ?
Porquê esta forma discriminatória e atabalhoada de usar o nosso pouco dinheiro ?
Contestado por todos os vereadores não eleitos pelo PS, o executivo Rosa admitiu atabalhoadamente - veja-se a gravação se dúvidas houver - que, “devia” ser “coisa” para 20.000 €, e de qualquer forma era “coisa” que “mais dia, menos dia” passará para responsabilidade dos municípios e, a cidade precisava de mais horas de pavilhão desportivo.
O executivo de Frederico Rosa, que não tem maioria absoluta, ainda ousou argumentar que:
se a proposta não fosse aprovada, os outros vereadores eram responsáveis por privar os jovens da EAV da prática desportiva no início do ano lectivo ou, sabe-se lá, até quando...
O velho jogo dos bons - o executivo Rosa - e dos maus - isto é todos os outros - que exigem o respeito das regras e os interesses de toda a população.
3 - A verdade vem normalmente “ao de cima”; muitas vezes tarde, desta vez a tempo.
Veio a saber-se dois dias depois, em reunião não-pública, extraordinária proposta pelos vereadores não eleitos pelo PS para tentar encontrar uma solução para a “coisa” e endereçar os encargos a quem de direito, isto é, ao governo, que:
1 - afinal um possível orçamento podia vir a ser coisa mais perto dos 30.000€;
também são só mais 50%...
2 - as obras já tinham começado (informação que foi remetida por mensagem escrita durante a reunião por populares); e sem orçamento, sem aprovação...
3 – Mas afinal, o grande problema de Setembro não era por causa dos alunos da EAV ficarem sem desporto no início do ano escolar;
O grande problema de Setembro era a necessidade do pavilhão EAV estar disponível para servir a prática de Futsal com que o executivo de Frederico Rosa se comprometeu sigilosamente, sem consulta, sem aprovação da vereação ou sequer o seu conhecimento;
como assim ?... um plano de desenvolvimento desportivo sem dar conhecimento à Câmara Municipal…
Pessoalmente nada tenho contra o Futsal ou a Esgrima ou a Columbofilia ou outra qualquer manifestação desportiva, cultural, recreativa, criativa, participativa e não discriminatória.
Gosto muito de um bom debate de ideias, opiniões diversas, expressões francas, debates densos.
Mas sim, não consigo lidar com a omissão, com o desrespeito, com inverdades e sobretudo desonestidade intelectual ou com a mentira.
A proposta (alterada nessa reunião extraordinária) acabou por ficar com a clareza suficiente para se perceber que o arranjo do piso da escola vem da necessidade de mais horas de pavilhão para o futsal e que a câmara tentará junto do Ministério da Educação ver ressarcida a verba que investirá no que não é da sua gestão.
Esta pequena “coisa” não é o fim-do-mundo mas sinto-a parte de outras “coisas” que andam “por aí a passar” na nossa terra, e às quais importa dar voz, não por estar “ressabiado” ou por “ser do contra”, mas por direito a ter opinião diferente, dever democrático e cívico de trazer a lume o que por ai se vai passando.
Na participação, na política, como na vida, não vale tudo.
Rui Lopo,
Vereador da Câmara Municipal do Barreiro














