IGUALDADE DE GENERO NA INFÂNCIA… INTERVENÇÃO PRECOCE PARA UMA CIDADANIA IGUALITÁRIAPor Susana Louro Pádua
Santiago do Cacém

Por Jornal Rostos
As Mulheres socialistas do distrito de setúbal pretendem assinalar o Dia Internacional da Criança, que se celebra este mês com um abraço á igualdade de género na infância para a promoção de uma cidadania mais igualitária.
Mais cedo do que imaginamos, as crianças tendem a compreender de forma, nem sempre positiva, as diferenças de género.
Williams e Best (1990) demonstrou que quando inquiridas acerca das características predominantes de Mulheres e Homens, as crianças de ambos os sexos já achavam sem dúvida que as mulheres eram fracas e bondosas e que os Homens eram fortes e inteligentes. Por sua vez, estudos realizados com crianças por Lin Bian,Sarah-Jane Leslie, Andrei Cimpian1 (2017) demonstraram que até aos 5 anos as meninas atribuem ao seu género a inteligência, mas que entre os 6 e os 7 passam a atribuir com maior frequência essa característica aos rapazes e que isso tem implicações reais nas escolhas de tarefas futuras.
Atentas aos estudos que têm vindo a ser desenvolvidos, e ao crescente contributo da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, importa colocar na ordem do dia um olhar mais focado sobre o conceito de género e, mais particularmente, sobre a necessidade de se pensarem dinâmicas formativas que contribuam para que, desde cedo, as crianças se envolvam em situações e atividades que as ajudem a construir um sentido de vida apoiado em dimensões de uma cidadania igualitária e solidária.
Todos os Planos Mundiais de Intervenção Social contemplam a questão da Igualdade de Género como um eixo fundamental para a paz social e desenvolvimento sustentável, contudo é um facto incontornável que em pleno século XXI, a discriminação e desigualdade assente no género, ainda se assume como uma lamentável evidência, mesmo em sociedades ditas civilizadas. Requer pois uma intervenção de todo o processo educativo, na escola, na família e na comunidade desde a infância, por forma a prevenir a violência de género, e outras violências, e a educar as crianças desde cedo para a igualdade de direitos entre os géneros.
É nossa convicção que a transformação começa por nós mesmos ao alertar, ao transformar os nossos próprios hábitos e comportamentos, arraigados há tanto tempo. Urge provocar a transformação ao nosso redor, na nossa comunidade nos agentes educativos e na vida das crianças próximas de nós e acima de tudo que todas e todos se sinta como parte deste do processo - o desafio da igualdade é um desafio para todas as pessoas.
Ao abraçarmos este desafio, estamos a contribuir para que independente de gênero, todas/os tenham os mesmos direitos. As crianças a partir dos 3 anos já desempenham papéis de género e constroem a sua identidade de género a partir das interações que estabelecem com o meio que as rodeia, destacando a família e os/as profissionais de educação como fontes de influência da criança. Importa, pois, tomar atenção ás nossas ações, em casa, no trabalho, na escola, na comunidade.
Assim, ao abraçar o desafio da igualdade, assumimos a necessidade de intervir precocemente na educação das crianças de modo a contribuir de forma positiva para a construção da identidade de género e que essa construção reverta na assunção de papéis de género positivos e não discriminatórios da igualdade entre o género masculino e o género feminino. A “educação para a cidadania é um processo que decorre ao longo da vida. Começa em casa e/ou no meio próximo das crianças com as questões que vão surgindo na vida quotidiana a propósito das relações interpessoais, da identidade, das escolhas, da justiça, do bem e do mal e vai-se desenvolvendo à medida que se expandem os horizontes da vida” (Cardona, Nogueira, Vieira, Uva & Tavares, 2010: 59). É nesta dinâmica que todos/as temos um amplo desafio sobre as crianças exercendo uma influência determinante na construção da sua identidade de género e na relação que irão construir com o género oposto.
Importa ao abraçar este desafio refletir o que já fazemos na prática, no nosso dia a dia, para a que a mudança cultural aconteça e que nos afirmemos como agentes de transformação.
As crianças aprendem a viver em função da realidade de género e, no seu quotidiano, respondem socialmente de acordo com os modelos que impregnam o seu meio próximo, reproduzindo-os. Elas vão adquirindo e desenvolvendo comportamentos que são típicos de meninos ou de meninas e que se enquadram no meio que a circunda e, em simultâneo, aprendem o significado de género por via dos comportamento e das ações que existem no seu meio, associando-se a um dos géneros e começando a comportar-se de acordo com o que socialmente se espera de cada um dos géneros. Todas e todos somos responsáveis por este processo e por isso abraçamos o desafio de contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária.
É imperativo promover ações e situações que, ao serem observadas e assimiladas pelas crianças, se constituam como aprendizagens positivas e igualitárias face aos direitos e deveres de cada um dos géneros, contribuindo para que mais tarde essas crianças, em idade adulta, sejam promotoras de comportamentos e atitudes não discriminatórias.
As mulheres socialistas do distrito de Setúbal têm o sentimento de uma responsabilidade acrescida na educação das crianças como cidadãs ativas, solidárias e com visões igualitárias face à igualdade entre géneros e por isso abraçamos o desafio da igualdade de género na infância.
Sabemos que a Educação Precoce é a que mais resultado permite construir na mudança de atitudes e na dissipação de estereótipos sociais, por isso abraçamos a igualdade de género desde o nascimento… ou melhor desde o dia em que se celebra o feliz acontecimento de uma nova vida!
Susana Louro Pádua
Dirigente Distrital Mulheres Socialistas
Deputada da Assembleia Municipal de Santiago do Cacém














