O TERMINAL DO NOSSO DES (CONTENTAMENTO)Por Armando Teixeira
Barreiro
Mantém-se o tremendo impacto paisagístico pelos brutais aterros rio adentro: o terrível choque ambiental pela remoção de milhões de metros cúbicos de areias e de lodos contaminados.

Por Jornal Rostos
O TERMINAL DO NOSSO DES (CONTENTAMENTO)
0 - SÚMULA DA TOMADA DE POSIÇÃO
O novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA-2018) sobre o projecto do Terminal de Contentores de Lisboa no Barreiro (APL- AT Kearney -2014), não resolve o essencial dos problemas levantados no anterior EIA – 2017, que levou ao seu chumbo.
Mantém-se o tremendo impacto paisagístico pelos brutais aterros rio adentro: o terrível choque ambiental pela remoção de milhões de metros cúbicos de areias e de lodos contaminados: agravam-se os elevadíssimos custos para o erário público, que por agora não contabilizam (?) os enormes custos para a retirada dos contentores numa zona já congestionada de veículos (primeiro decide-se, depois logo se estuda!...): não são estudadas/apresentadas alternativas, mas elas existem (ampliação do “natural” Porto de Lisboa; aumento da capacidade do Porto de Setúbal; incremento do excepcional Porto de Sines, de águas profundas, com um imprescindível troço ferroviário de alta velocidade para mercadorias).
O actual EIA -2018, empurra o anterior para Nascente, “amouxa-lhe” a cabeça como se faz no “Jogo do Alho”, quase o encosta ao “aleijão” do Terminal de Líquidos (perigosos), comprometendo aparentemente a faixa de servidão da 3ª Travessia do Tejo.
Este EIA-2018, revela mais uma vez que o projecto-mãe (APL-ATKearney-2014), que é o busílis da questão, não é bom para o equilíbrio ambiental do estuário do Tejo e das áreas ribeirinhas, não é bom para o Barreiro, merece pois o nosso repúdio.
Tomaremos posição negativa na consulta pública em curso até 7 de Dezembro, no site da Noreply, consubstanciada nas múltiplas razões que a seguir se anunciam e que procuraremos fundamentar adiante:
1. INTRODUÇÃO: Um projecto (APL-ATKearney-2014), dois Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e a verdadeira raiz do problema.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA: A História não se repete?
3. O “natural” Porto de Contentores de Lisboa
4. TERMINAL DE CONTENTORES DO BARREIRO (TCB): Impacto paisagístico
5. TCB: Impacto Ambiental
6. TCB: Impacto no Estuário do Tejo
7. TCB: Impactos na Mobilidade Interna
8. TCB: Impacto na Mobilidade Regional; Ponte para o Montijo, Barcaças para Vila Franca?
9. TCB: Impacto Económico
10. O TCB e o Aeroporto no Montijo: Se um elefante (branco) incomoda muita gente, dois elefantes cinzentos…
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1.INTRODUÇÃO:
Um projecto (APL-AT Kearney-2014), dois estudos EIA e a verdadeira raiz do problema
Existe um projecto para o Novo Terminal de Contentores de Lisboa no Barreiro, assim denominado desde o início, um EIA dele decorrente, de Julho de 2017, chumbado pelo coro de protestos então levantado, e agora um novo EIA-2018 que se limita a empurrá-lo com a barriga, amouxando-lhe a cabeça como se faz no “Jogo do Alho”, sem todavia eliminar o mostrengo!
O problema central, como escrevemos em 2017, está na génese do Projecto APL-ATKearney-2014, que visa retirar todo o Porto de Contentores de Lisboa e colocá-lo no Barreiro, a prazo de 40/60 anos.
Por razões estratégicas e contraditórias, fala-se agora em aumentar a capacidade do Porto de Lisboa que estaria a esgotar-se (?!). Mas a Ministra do Mar referiu-se reiteradamente a “acabar com o Porto de Contentores de Stª. Apolónia”. E o próprio 1º Ministro afirmou, numa “célebre” visita ao Barreiro em Junho/Julho de 2917, “é para retirar todos os contentores de Lisboa!”.
Existem múltiplas razões para não aceitar este novo EIA, lesivo da paisagem, do equilíbrio ambiental, da mobilidade interna e externa, prejudicial por afunilar numa economia local unidirecional e unipolar a médio/longo prazo, por comprometer o futuro multi-sustentado do Barreiro, que tem a mais fantástica frente ribeirinha de todo o curso de mais de mil quilómetros do rio Tejo.
(Continua)
Armando Teixeira














