Solidariedade natalícia ou Hipocrisia ?Por Alexandra Serra
Sesimbra

Por Jornal Rostos
Época de Natal, em Novembro as decorações e luzes já brilham nos centros comerciais. A par do consumismo temos a onda, menos vertiginosa, da solidariedade.
As campanhas começam na televisão , com alguns rostos conhecidos a dar a sua imagem por instituições que tentam tornar o mundo um pouco melhor.
Há pessoas que criticam o capitalismo e o consumismo, utilizando o seu novo iPhone para fazerem comentários nas redes sociais e há aqueles que criticam o cinismo e hipocrisia desta época no que concerne à solidariedade, sem nunca terem ajudado ninguém durante o ano inteiro nem tão pouco na época natalícia.
Entendo que alguns dos atos de solidariedade possam ter uma pontinha de egoísmo, ajudar o outro para nos sentirmos melhor. No entanto, parece-me que isso pouco interessa. A solidariedade existe porque é precisa e porque aqueles que comentam e criticam, ao dizerem que se devia ajudar o ano inteiro não o fazem.
A solidariedade na época natalícia reflete uma consciência pesada, com causa na história que se criou à volta do senhor do barrete e das barbas compridas que entra pela chaminé. Afirmarmos que o bom comportamento das crianças é recompensado , quando sabemos que mais de metade do mundo vive na miséria onde crianças morrem à fome.Não é de estranhar que as pessoas se sintam mais responsáveis e pratiquem atos solidários , ajudando assim a fazê-las esquecer que este principio é bastante ofensivo para quem mesmo a portar-se bem não tem direito sequer a um prato de comida .
O Natal reúne boas recordações da minha infância. Passados em Coimbra, com avós, primos e tios, todos à volta da lareira onde o presépio era o centro das atenções, assim como o teatro dos mais novos e as músicas que cantávamos. Desafinados mas orgulhosos de conseguir fazer os mais velhos sorrirem. Os presentes eram só para os mais pequenos e o verdadeiro mote da consoada era o do convívio entre a família que estava longe o ano inteiro.
Fomos crescendo, e percebendo que tudo muda. E vão desaparecendo as grandes referências da família. Um ano a avó, no seguinte o avô. As cordas que uniam aquele grupo de pessoas desapareceram. Começa o afastamento gradual, vamos retirando pratos da mesa.
Até ao dia em que o Natal é jantar com os teus pais e irmãos.Estão os que realmente importam. Poupa-se nos presentes e podemos contribuir para causas solidárias. O Universo equilibra-se.
Foi este equilíbrio que no dia 15 de Dezembro o secretariado do Partido Socialista da Quinta do Conde tentou estabelecer, com o apelo à solidariedade. conseguimos reunir alimentos para doar à associação Meninos de Oiro, que muito apoio dá às famílias e crianças mais carenciadas, do nosso concelho e concelhos vizinhos. Não esquecemos os animais e foram alguns kilos de ração para cães e gatos da associação Puca pela defesa dos animais. Conseguimos doar alimentos à Paróquia da Quinta do Conde, que os fará chegar a quem mais precisa. Bem hajam! Feliz natal.
Alexandra Serra
Secretária da secção do PS Quinta Do Conde
Membro da CPF de Setúbal do Partido Socialista














