Quanto vale a Quinta do Braamcamp?Por Rui Lopo
Barreiro

Por Jornal Rostos
A frente ribeirinha do barreiro é o nosso melhor e maior ativo estratégico.
Ela permite percecionar qualidade de vida e que se disfrute de locais adequados ao usufruto da paisagem, da prática desportiva náutica, de muita economia, desempenham um importante papel ecológico para as questões de subida das águas dos rios, sendo, no Barreiro, a nossa maior linha de fronteira: é com os rios que mantemos a nossa maior relação.
O Barreiro, concelho urbano (por oposição à ruralidade) tem um legado pesado de áreas que não são de livre iniciativa municipal, disseminados por toda a área do concelho, pese embora a população não identifique desta forma. Ou são áreas da antiga CUF / QUIMIGAL ou dos Caminhos de Ferro, terrenos da Direção Geral das Finanças, algumas propriedades puramente privadas. As populações há anos que pedem aos autarcas que intervenham para devolver estas áreas aos usos de cidade e não fiquem votadas ao abandono.
Recordo a forma sentida como os lavradienses mais antigos ainda recordam a forma como forma expropriados de parte significativa da praia do Lavradio para ampliação das áreas de aterro da CUF.
A Quinta do Braamcamp foi uma quinta ribeirinha que se dedicou à produção de farinha, de bicho da seda, algumas práticas agrícolas, e até ao seu abandono enquanto propriedade, uma fábrica de cortiça. Faz parte da história emocional do Barreiro. Tem história, natureza, paisagem, cultura.
No paradigma dos finais dos anos 80, a possibilidade de tornar interessante para o proprietário a reconversão daquele território (fábrica de cortiça), fechado em si mesmo, em área reabilitada e integrada na cidade, foi perspetivada através de lhe conferir capacidade de construção de habitação. Esta é a razão pela qual existe no atual e gasto Plano Diretor Municipal, capacidade para construir quase 200 fogos.
Com o encerramento da fábrica de cortiça passou a fazer sentido que a moeda de troca associada à capacidade de construção de habitação, deixasse de estar presente e que aquele território encerrado em si mesmo, pudesse ser usufruído pela população e se converta numa rotula prioritária do ativo estratégico ribeirinho, pela dimensão e localização que assume.
Claro que, entretanto (final da década passada), sem fábrica e com capacidade para construir 200 fogos de habitação, só não há casas construídas na Quinta do Braamcamp no final da década passada, porque o momento económico (crise) não o permitiu e porque a anterior vereação da câmara interveio junto do Banco, então proprietário, no sentido de a comprar perspetivando a definição de usos de cidade, que não habitação.
200 Fogos de habitação, ali, encostados ao rio, de frente para Lisboa, valem imenso dinheiro, para quem compra, para os intermediários (1% ou 2% de muito dinheiro é sempre muito dinheiro), ou para o oportunismo político de, com esse dinheiro, cumprir a pequena ou grande promessa eleitoral.
Continua…
Rui Lopo
Vereador da CDU na Câmara Municipal do Barreiro














